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Allan Costa

Allan Costa

Allan Costa é empreendedor, investidor-anjo, mentor, escritor, motociclista e palestrante em dois TEDx e em mais de 100 eventos por ano. Co-fundador do AAA Inovação, da Curitiba Angels e Diretor de Inovação da ISH Tecnologia. Mestre pela FGV e pela Lancaster University (UK), e AMP pela Harvard Business School.

Mundos opostos?

5 lições que grandes empresas podem aprender com startups

10/03/2020 11:00
É comum pensarmos em startups e grandes empresas como opostos. Contudo, esses dois mundos têm aprendido cada vez mais um com o outro. Embora eles tenham dinâmicas de negócio bastante distintas entre si, a verdade é que existem alguns princípios essenciais de cada um desses contextos que podem ser aproveitados no outro.
Ao longo dos últimos anos, investi em dezenas de startups. Ao mesmo tempo, palestrei (e trabalhei) em diversas empresas com centenas (e até milhares) de funcionários. Percebo que esses dois mundos “opostos” possuem diversas sinergias que, muitas vezes, passam despercebidas. Hoje, gostaria de explorar cinco lições que grandes empresas podem aprender com startups.

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A primeira tem a ver com a cultura. É muito mais fácil manter uma cultura vencedora em um time de cinco a 20 pessoas do que em uma companhia com 200 ou 500 funcionários. Contudo, a cultura é, na minha opinião, uma vantagem competitiva intangível e exponencialmente poderosa para qualquer empresa. Qualquer companhia que não desenvolva uma cultura de velocidade em seus processos, menos hierarquias e orientação a resultados terá dificuldades em manter os seus resultados a longo prazo.
Startups bem-sucedidas como Nubank, Contabilizei e
Pipefy construíram suas culturas desde o primeiro dia. E mantém essa construção
até hoje. A cultura é uma construção contínua. Da mesma forma, empresas
gigantescas como Amazon, Google e Apple, mesmo com centenas de milhares de funcionários,
conseguiram manter suas culturas corporativas relevantes ao longo das décadas,
o que lhes deu uma vantagem competitiva imensa frente às concorrentes.
A segunda lição tem a ver com a busca constante por crescimento. Pela própria natureza de seus negócios, é natural que as startups tenham que ter um foco homérico em crescer o máximo que podem, já que estão inseridas em contextos tão incertos e possuem recursos tão escassos.
Assim, é normal que em uma startup boa parte dos colaboradores tenham uma mentalidade de crescimento contínuo. Em grandes empresas, essa mentalidade pode se perder diante de tantas áreas diferentes, burocracia e processos. Quanto mais uma empresa cresce, é natural que muitos funcionários acabem “presos” em tarefas burocráticas e percam o foco no crescimento da companhia. Por isso, é importante que as grandes empresas saibam como apresentar as métricas corretas para seus colaboradores e mantê-los engajados em relação a essas métricas.
Uma terceira lição que grandes empresas podem aprender é construir uma cultura de aprendizado contínuo. Mais uma vez, pela sua natureza, as startups precisam aprender muito rápido para que possam se adequar às mudanças e à realidade do mercado, já que muitas delas precisam mudar suas formas de monetização, seu modelo de negócio e até mesmo seu produto quando “vão para o mundo real”.
Numa grande empresa, por outro lado, por já possuir uma certa “estabilidade” no mercado e já ter produtos e clientes estabelecidos, é comum que deixem de lado a mentalidade de aprendizado contínuo e, por isso, se acomodem em suas posições. E nada pune mais no mundo dos negócios (e na vida) do que a acomodação.
A quarta lição está diretamente ligada às duas anteriores. Aprendizado contínuo e busca constante por crescimento exigem que as startups desenvolvam uma cultura de testes e mais testes. O mercado é extremamente volátil e ninguém tem certeza de nada. Os resultados são a única certeza que temos.
No ambiente das startups, para “acertar a mão” é necessário que milhares de testes sejam realizados, nas mais diferentes instâncias do negócio, seja no produto, no marketing e assim por diante. Grandes empresas, pelo tamanho que possuem, costumam não ser tão abertas a erros e testes e, por isso, acabam jogando na zona segura. Tudo é mais lento em grandes empresas e, naturalmente, testes não são tão frequentes (embora essa realidade venha mudando), o que faz com que o aprendizado e o crescimento da empresa (as duas lições anteriores) acabem prejudicados.
Por fim, a quinta lição tem a ver com a velocidade da troca de informações. Isso é um ponto extremamente negligenciado por muitas pessoas, mas é extremamente valioso se aplicado da forma correta. Conforme uma empresa cresce, é comum que silos sejam criados e barreiras na comunicação interna apareçam.
Barreiras na troca de informações dentro de uma
companhia significam menos velocidade na tomada de decisão e nas ações da
empresa. A médio e longo prazo, isso é um ponto extremamente relevante. Em uma
startup, é natural que a troca de informações seja muito mais dinâmica, já que
em boa parte delas as equipes são mais reduzidas e os processos precisam de
velocidade, pois a própria sobrevivência do negócio depende daquilo. Diminuir
os silos e a hierarquização dentro de uma grande empresa são ótimas formas de
aumentar a velocidade no fluxo de informações, tão importante no mundo dos
negócios hoje em dia.
Por último, gostaria de esclarecer que nem toda startup segue as 5 lições que comentei acima, obviamente. Startups que sobrevivem e startups bem-sucedidas são bichos extremamente raros. Da mesma forma, nem toda grande empresa recai sobre os problemas que citei. As lições acima são apenas visões generalistas das diferenças dos ambientes de negócios de grandes empresas e startups. Minha expectativa é que as grandes empresas aprendam cada vez mais com as startups. E vice-versa.

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