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O futuro não é de quem tem mais tecnologia, mas de quem constrói as melhores conexões. Crédito: Divulgação.

Silvana Pampu

HRBP General Manager Renault Latam, fundadora do Instituto Connect, conselheira, investidora anjo, coaching e coautora dos Livros "Meu Legado" e "Employee Experiencie". Entusiasta do desenvolvimento humano e temas ligados à inovação.

Connect Executive Hub

Capital relacional: o ativo estratégico que decide quem aprende mais rápido

17/06/2026 10:00
O encontro realizado no Castelo do Batel, pelo Grupo Gestão RH, com o apoio de grandes players, entre eles o Connect Executive Hub, trouxe mais do que uma agenda de tendências. Trouxe uma pergunta que precisa sair dos palcos e entrar nas mesas de decisão: quem está ampliando repertório de verdade e quem está apenas circulando nas mesmas conversas?
“O DNA desse evento foi claro. Criar conexões qualificadas, provocar novas leituras de mundo e aproximar lideranças que entendem que o futuro não será vencido apenas por quem tem mais tecnologia, mas por quem tem mais capacidade de aprender, se reposicionar e conectar inteligências diversas.” Renato Fiochi CEO Grupo Gestão de RH.
A palestra sobre tendências e inovação reforçou uma virada essencial. A mudança que estamos vivendo não é incremental. É estrutural. Não estamos diante de uma nova ferramenta, um novo software ou uma nova onda de eficiência. Estamos diante de uma reorganização profunda da forma como trabalhamos, decidimos, lideramos e geramos valor.
A McKinsey aponta que 88% das organizações já usam IA em pelo menos uma função de negócio, mas apenas cerca de um terço afirma estar escalando IA de forma mais ampla. O dado revela um paradoxo importante: a tecnologia já entrou nas empresas, mas a transformação ainda não entrou, na mesma velocidade, nos modelos mentais, nos fluxos de decisão e na arquitetura do trabalho.
Outro dado chama atenção. Segundo a mesma pesquisa, 62% das organizações já estão ao menos experimentando agentes de IA, enquanto 23% afirmam estar escalando algum sistema agentivo em suas operações. Isso muda o jogo. Quando agentes começam a executar tarefas, organizar fluxos, apoiar análises e acelerar entregas, a pergunta deixa de ser “quem sabe usar IA?” e passa a ser “quem sabe redesenhar o trabalho a partir dela?”.
É nesse contexto que ganha força a figura do HIC, o High Individual Contributor. Não se trata apenas do profissional técnico de alta performance. Trata-se de um novo tipo de contribuição individual, mais autônoma, mais aumentada por tecnologia, mais orientada por julgamento, repertório e capacidade de operar sistemas. Um profissional que, com IA, dados, rede e clareza estratégica, passa a gerar impacto que antes exigiria uma pequena estrutura ao redor.
Mas aqui mora uma tensão relevante para lideranças experientes. Anos de experiência podem ser um ativo extraordinário. Podem também se transformar em repetição sofisticada de ciclos antigos.
Quantas vezes chamamos de experiência aquilo que, no fundo, é apenas familiaridade com o mesmo tipo de problema? Quantas vezes repetimos as mesmas referências, convidamos as mesmas pessoas, validamos as mesmas teses e frequentamos as mesmas bolhas, acreditando que estamos atualizados?
"Eventos como este reforçam que o futuro das organizações será construído pela combinação entre tecnologia, aprendizado contínuo e relações de confiança. Quanto mais ampliamos nosso repertório por meio de conexões diversas, maior é nossa capacidade de liderar transformações, desenvolver pessoas e tomar decisões relevantes em cenários cada vez mais complexos." Elisangela Nascimento People Director GHFLY
Capital relacional, nesse cenário, deixa de ser networking. Não é lista de contatos, troca de cartões ou presença social. É infraestrutura estratégica de aprendizado. É a capacidade de acessar repertórios que você ainda não tem, conversar com quem enxerga o que você não está vendo e circular em ambientes onde suas certezas são tensionadas.
As bolhas que frequentamos definem parte do nosso futuro. Se a sua rede repete os mesmos temas, os mesmos medos, os mesmos benchmarks e os mesmos consensos, talvez ela esteja protegendo sua zona de conforto, não ampliando sua visão estratégica.
O risco para executivos e empresas não é apenas ficar para trás tecnologicamente. É ficar para trás cognitivamente. É continuar tomando decisões com mapas antigos, enquanto o território mudou.
O Fórum Econômico Mundial projeta que 22% dos empregos serão impactados por mudanças estruturais até 2030, com criação de 170 milhões de novos postos e deslocamento de 92 milhões. O dado não fala apenas sobre substituição. Fala sobre transição. Sobre a urgência de aprender mais rápido do que os ciclos que estamos tentando controlar.
A Microsoft, em seu Work Trend Index, também traz uma provocação relevante: com agentes de IA assumindo mais execução, cresce a agência humana, ou seja, a capacidade de direcionar, decidir e criar valor. Mas há um ponto crítico. Muitas pessoas já estão prontas para operar em outro nível. As organizações, nem sempre.
Essa talvez seja uma das grandes reflexões que o encontro GRH Experience que aconteceu no Castelo do Batel nos deixou. O futuro não será definido apenas por quem tem acesso às melhores ferramentas. Será definido por quem constrói os melhores ecossistemas de pensamento, confiança e colaboração.
 “Até mesmo porque as ferramentas que hoje ainda são percebidas como diferencial competitivo tendem, no curto e médio prazo, a se tornar commodities. Nesse movimento, o foco se desloca: o que antes diferenciava tecnicamente passa a ser amplamente acessível. Com isso, o capital humano especialmente por meio do capital relacional, assume um papel central como fonte de vantagem competitiva, criando um verdadeiro círculo virtuoso. Se todos têm acesso à mesma capacidade técnica, o diferencial deixa de estar na ferramenta em si e passa a residir nas escolhas: quais problemas decidimos resolver, como interpretamos os cenários e, principalmente, com quem aprendemos e tomamos decisões.” Marcelo Breis Managing Director Leax do Brasil
Para os ConnectEXs e para todos os líderes que passaram por esse encontro, fica um convite: olhar para a própria rede como um ativo estratégico. Não apenas quem você conhece, mas o que essas conexões provocam em você. Não apenas onde você circula, mas que tipo de repertório esse ambiente adiciona à sua tomada de decisão.
A pergunta que fica não é se você está conectado. A pergunta é se as suas conexões estão ampliando sua capacidade de enxergar o futuro antes que ele cobre a conta.
Porque, em tempos de IA, agentes, HICs e transformação estrutural, capital relacional não é acessório de carreira. É vantagem competitiva. É inteligência coletiva aplicada. É o ativo invisível que diferencia quem apenas acompanha a mudança de quem participa da construção dela.

“O futuro não será decidido apenas por quem domina a tecnologia, mas por quem constrói redes capazes de ampliar repertório, tensionar certezas e transformar experiência em inteligência coletiva.” Silvana Pampu Founder do Connect Executive Hub
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