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Do Burnout à Expansão: Como a Internacionalização de empresas no Paraguai transforma negócios. Crédito: Divulgação.

Rafael Mendes

Rafael Mendes

Rafael Mendes é CEO da RP Trader e coautor do livro "Seja Visto e Lembrado", um manual prático para impulsionar vendas.

Trader de Vendas

Do burnout ao unicórnio: Ex-executiva do Meta e da CloudWalk lidera internacionalização de empresas brasileiras no Paraguai

11/08/2026 14:49
Em meio às transformações impostas pela Reforma Tributária e à pressão por maior eficiência operacional, o empresariado brasileiro busca alternativas para preservar suas margens e manter a competitividade. Atenta a esse movimento, a executiva Suelen Raizer, diretora da Frontexa, lidera a orientação estratégica de companhias que avaliam a internacionalização. Com bagagem em gigantes como Meta e a fintech CloudWalk, ela mapeia gargalos para indicar quando a expansão para o Paraguai é viável.

Quem é Suelen Raízer e quais são suas principais conquistas? 

Sou especializada em competitividade industrial e internacionalização de negócios, com foco na estruturação de operações de empresas brasileiras no Paraguai. Hoje, atuo como diretora estratégica da Frontexa, onde oferecemos soluções para brasileiros que desejam otimizar sua carga tributária, investir com segurança no setor imobiliário e expandir seus negócios no Paraguai, sempre com respaldo jurídico e contábil. Nosso trabalho é pautado por segurança, conformidade e crescimento sustentável. 
Minha trajetória começou no marketing, com passagens por empresas como Reckitt, Jaguar e Facebook, hoje Meta. Mais tarde, participei da estruturação da área comercial da CloudWalk, fintech que se tornou unicórnio durante o lançamento da InfinitePay. 
Essa experiência me deu coragem para empreender pela primeira vez. Criei uma marca de moda praia, setor em que sempre quis atuar, mas precisei fechar as portas depois de quatro anos. Ainda não me sentia preparada para empreender novamente, então voltei ao mercado e passei a trabalhar diretamente na indústria têxtil. Foi quando aprofundei meu conhecimento sobre toda a cadeia produtiva e os principais desafios enfrentados pela indústria brasileira. 
Foi também um período difícil: acabei sendo diagnosticada com burnout e me sentia completamente desacreditada de mim mesma. Depois de muita reflexão, decidi voltar para a sala de aula para entender melhor onde havia errado como empreendedora. Foi uma das melhores decisões que tomei. 
Após concluir meu MBA em Gestão Econômica e Estratégica de Negócios pela FGV, mergulhei em temas como competitividade industrial, internacionalização, incentivos fiscais, cadeias produtivas e comparação entre mercados. Percebi que, quando tinha minha empresa de moda praia, me faltava justamente essa visão mais ampla do cenário internacional e das perspectivas para o negócio. 
Durante os estudos, entre 2022 e 2023, comecei a pesquisar mais sobre as políticas econômicas do Paraguai e a acompanhar o crescimento gradual do país, que se tornava cada vez mais atrativo para diferentes perfis de empresas, especialmente por meio da Lei de Maquila. Hoje, mais de 200 empresas brasileiras possuem operações produtivas no Paraguai, incluindo grandes nomes como Lupo, Karsten, JBS e Hering. 

O quanto a sua origem influenciou no que você se tornou atualmente como executiva, empreendedora e com o seu trabalho ao lado de empresários brasileiros que buscam novas oportunidades no Paraguai? 

Minha trajetória nunca foi construída apenas na teoria. Passei por erros, perdas, recomeços e aprendizados dentro da própria indústria. Mesmo nos momentos mais difíceis, sempre tive a necessidade de entender o porquê das coisas e buscar caminhos diferentes. 
Quando tive meu primeiro negócio, senti na prática os desafios de empreender no Brasil: custos elevados, margens apertadas, concorrência internacional e um ambiente de negócios que muitas vezes dificulta o crescimento do produtor. Naquela época, não tive ninguém para me orientar sobre escolhas e próximos passos. Fazia tudo sozinha. 
Hoje, quando olho para os empresários que procuram a Frontexa, não enxergo apenas uma empresa ou uma marca. Vejo pessoas, famílias, empregos, patrimônio e anos de construção que dependem de decisões estratégicas bem tomadas. Muitas vezes, vejo neles pessoas como eu, e isso me permite ser a profissional que eu gostaria de ter tido ao meu lado no passado. 
Meu trabalho, portanto, é apoiar empresários brasileiros a permanecerem competitivos diante das transformações econômicas, tributárias e industriais. Mas não quero vender uma falsa promessa. O Paraguai pode ser uma estratégia importante, mas não é uma resposta universal. Em muitos casos, permanecer no Brasil ou seguir outro caminho pode fazer mais sentido. 
Esse posicionamento é ainda mais importante diante das transformações no ambiente empresarial brasileiro, especialmente com a Reforma Tributária e a crescente necessidade de ganho de eficiência. Os empresários precisam reavaliar suas estratégias para preservar competitividade, rentabilidade e capacidade de crescimento. 
Cada decisão pode ter um impacto enorme, principalmente para empresas menores. Por isso, ser honesta nas minhas avaliações é a melhor forma de ajudá-los a proteger seus negócios e evitar que seus projetos sejam interrompidos por decisões mal planejadas, como aconteceu comigo no passado. 

Você tem uma carreira super consolidada, porém sabemos que a vida nem sempre é um mar de rosas. Na sua opinião, como superar obstáculos diários no Brasil e construir um legado que possa transformar a vida das pessoas? 

Acredito que superar os desafios no Brasil exige três coisas: coragem, humildade e visão. Durante muito tempo, depois que meu primeiro negócio faliu, achei que o problema estava apenas em mim e que havia fracassado porque não tinha sido boa o suficiente. 
Foi estudando e vivendo a indústria de perto que percebi que muitos desses desafios eram, na verdade, estruturais. O Brasil é um país difícil para empreender: temos complexidade tributária, custos elevados, dificuldades na contratação de mão de obra e uma pressão competitiva enorme. 
Mas isso não pode paralisar o empreendedor. Precisa provocar movimento. Para mim, construir um legado é transformar dor em solução: pegar aquilo que quase te derrubou e usar essa experiência para ajudar outras pessoas a não enfrentarem o mesmo caminho sozinhas. 
A Frontexa nasce justamente dessa vontade de criar uma estrutura séria para que empresas brasileiras possam competir melhor, preservar empregos, crescer e tomar decisões com mais clareza. 

Como um profissional pode construir uma marca para que seja sempre visto e lembrado pela audiência? 

Para construir uma marca forte, o profissional precisa, antes de tudo, ter clareza sobre o problema que resolve. Acredito muito na combinação entre posicionamento, autoridade e entrega. Não adianta comunicar uma coisa e, na prática, entregar outra. A audiência percebe rapidamente quando existe superficialidade. 
No meu caso, procuro mostrar que meu trabalho vai muito além de falar sobre o Paraguai. Uma eventual ida para o país pode ser uma estratégia importante para determinados negócios, mas nunca deve ser o ponto de partida. Primeiro é preciso entender a realidade da empresa e, a partir disso, construir o melhor caminho. 
Por isso, falo sobre competitividade industrial, Lei de Maquila, internacionalização, Reforma Tributária, cadeias produtivas e estratégia empresarial. São temas que estudo, acompanho e aplico diariamente ao lado dos meus clientes. 
Também acredito que uma marca forte precisa traduzir assuntos complexos para uma linguagem acessível. O empresário não precisa ouvir um discurso técnico; precisa entender como determinada decisão pode impactar o futuro do seu negócio. Quando conhecimento, consistência, resultado e clareza caminham juntos, a autoridade deixa de ser construída apenas pela exposição e passa a ser construída pela confiança. 

Que mensagem você daria para novos empresários brasileiros? 

Não esperem o cenário ficar insustentável para buscar alternativas. O empresário brasileiro tem uma enorme capacidade de adaptação, mas muitas vezes demora para olhar para outros mercados, estudar novos modelos e questionar se a estrutura atual ainda faz sentido. 
Com uma transformação da magnitude da Reforma Tributária, essa revisão se torna ainda mais urgente. Nos próximos anos, será fundamental acompanhar o cenário econômico, comparar diferentes mercados e analisar criticamente a própria estrutura empresarial. 
Estudar é uma das formas mais importantes de evoluir como gestor e evitar que erros se repitam, algo que aprendi na prática. 
Acima de tudo, independentemente do caminho escolhido, é preciso decidir com planejamento. O futuro pertence a quem consegue se antecipar.

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