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Como as novas tendências de consumo estão redefinindo os negócios. Crédito: Divulgação.

Silvana Pampu

HRBP General Manager Renault Latam, fundadora do Instituto Connect, conselheira, investidora anjo, coaching e coautora dos Livros "Meu Legado" e "Employee Experiencie". Entusiasta do desenvolvimento humano e temas ligados à inovação.

Connect Executive Hub

Evento do Connect Executive Hub em parceria com a Exame Saint Paul discute tendencias de consumo e modelos de negócios

21/09/2026 09:35
Connect Executive Hub By convidados Claudio Zattar, Simone Villa Gois, José Claudio Securato
Durante décadas, boa parte dos negócios foi construída sobre uma lógica bastante clara: produzir, vender e transferir a propriedade.
Ter um carro. Ter conhecimento. Ter uma carreira construída sobre uma especialidade. Ter uma rede de contatos.
Essa lógica não desapareceu. Mas começa a dividir espaço com outra pergunta: 
ainda é preciso possuir para capturar valor?
O crescimento dos modelos de assinatura, das plataformas, do acesso sob demanda e da aprendizagem contínua mostra que não estamos apenas diante de novas tendências de consumo. Há uma mudança mais profunda na maneira como pessoas e empresas atribuem valor.
Foi essa uma das discussões que atravessou o Connect Talk realizado pelo Connect Executive Hub na EXAME | Saint Paul, em São Paulo, com Cláudio Zattar, Vice-Chairman do Conselho de Administração da Unidas, e José Cláudio Securato, CEO da EXAME Educação e fundador da Saint Paul Escola de Negócios e moderação da Silvana Pampu HR General Manager Latam na Renault e Founder do Connect.
Mobilidade e educação parecem setores distantes. Quando observados com mais atenção, revelam uma transformação semelhante.
Os negócios estão em transformações.
E talvez essa mudança diga muito sobre os modelos de negócio e sobre o tipo de liderança que será necessário para conduzi-los.

Quando possuir deixa de ser a única resposta

Durante muito tempo, o automóvel foi um dos maiores símbolos de propriedade. Representava conquista, patrimônio, autonomia e status.
Continua representando tudo isso para milhões de pessoas. O que mudou é que a propriedade deixou de ser a única alternativa desejável.
Locação de longo prazo, terceirização de frotas, mobilidade corporativa e carros por assinatura criaram outras formas de acessar o mesmo benefício.
Em 2025, as locadoras responderam por 24,6% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves no Brasil.
Mais importante do que o percentual é a mudança de raciocínio por trás dele. Para uma parcela crescente de consumidores e empresas, a decisão já não começa necessariamente com “qual carro comprar?”, mas com “qual é a melhor forma de acessar mobilidade?”.
Cláudio Zattar Vice Charmain do Grupo Unidas sintetizou essa transformação:
“A tendência de troca da posse pelo uso no Brasil é uma transformação em todo o planeta. Pessoas e corporações em todo o mundo perceberam as vantagens que não se resumem apenas no fator financeiro. Conveniência e oferta de serviços são adicionais que facilitam essa mudança.”
Quando o cliente muda a pergunta, insistir na mesma resposta pode ser perigoso.
Empresas costumam dedicar enorme energia para tornar seus produtos melhores. O desafio estratégico é perceber quando o mercado deixou de discutir apenas a qualidade daquele produto e começou a buscar outra forma de resolver a mesma necessidade.
É aí que modelos antes sólidos começam a ser tensionados.

O risco de ser excelente em uma lógica que está perdendo força

As transformações mais perigosas nem sempre chegam como ruptura.
Muitas começam discretamente.
Um novo hábito. Uma tecnologia inicialmente periférica. Um competidor pequeno. Uma experiência mais conveniente. Uma geração que atribui valor de forma diferente.
Quando esses sinais aparecem nos indicadores tradicionais, a mudança pode já estar consolidada.
Esse talvez seja um dos dilemas mais relevantes da estratégia contemporânea: organizações são treinadas para responder aos dados do presente, enquanto algumas das decisões mais importantes precisam ser tomadas quando o futuro ainda aparece apenas como sinal.
Por isso, eficiência já não é suficiente.
É possível executar perfeitamente um modelo que está perdendo relevância.

O conhecimento também está migrando da posse para o acesso

A educação vive uma transformação semelhante.
Durante muito tempo, conhecimento foi tratado quase como estoque. O profissional concluía uma graduação, adicionava uma especialização ou um MBA e acumulava credenciais para sustentar uma trajetória.
A velocidade atual dos negócios tornou essa lógica insuficiente.
Inteligência artificial é provavelmente o exemplo mais evidente. Executivos que há poucos anos dominavam profundamente seus mercados hoje precisam compreender tecnologias, modelos de negócio e riscos que sequer faziam parte da agenda de liderança.
A integração entre EXAME e Saint Paul ajuda a ilustrar essa transição. Na discussão conduzida durante o encontro, José Cláudio Securato trouxe a necessidade de repensar a formação executiva diante de um ambiente no qual aprender deixa de ser uma etapa da carreira para se tornar parte permanente dela.
Lifelong learning, inteligência artificial e novos formatos de desenvolvimento deixam, portanto, de ser benefícios adicionais.
Passam a compor a infraestrutura de liderança.
Existe uma diferença importante entre ter conhecimento e manter acesso a novos conhecimentos.
A experiência continua valiosa. Mas experiência sem renovação de repertório pode produzir um efeito perverso: aumentar a confiança justamente quando as referências utilizadas para decidir estão envelhecendo.

Existe uma terceira mudança menos evidente

Talvez a mesma lógica também esteja transformando a maneira como executivos deveriam pensar suas relações.
Durante anos, networking foi associado ao tamanho da agenda, à quantidade de contatos ou à presença nos lugares certos.
Capital relacional é algo diferente.
Não se trata de possuir contatos. Trata-se de construir relações que permitam acessar perspectivas, conhecimentos, experiências e contextos que dificilmente estariam disponíveis dentro de uma única empresa ou setor.
Como compartilhou Simone Villa Gois, Global HR Executive at Bosch:
“As conexões construídas ao longo de encontros como o de hoje e nas nossas trocas dentro do Connect Executive Hub ampliam meu repertório, trazem novas perspectivas e me desafiam a pensar além do meu contexto habitual. Hoje, levo comigo não apenas novos conhecimentos, mas uma rede de relações que continua impulsionando meu crescimento e minha evolução como líder.”
Essa distinção importa.
Uma rede pode ter milhares de pessoas e ainda oferecer pouca diversidade de pensamento.
Capital relacional relevante é aquele capaz de ampliar o campo de visão.
É ter acesso à conversa que ainda não chegou à própria indústria. À experiência de quem já enfrentou um problema semelhante. À provocação que desmonta uma certeza. À pessoa que oferece outro ângulo antes de uma decisão importante.
Em ambientes complexos, isso deixa de ser apenas relacionamento.
Passa a ser inteligência coletiva.

Talvez o modelo de liderança também esteja vencendo

Empresas discutem intensamente a necessidade de reinventar seus modelos de negócio.
Poucas vezes fazem a mesma pergunta sobre seus modelos de liderança.
Se o consumidor muda da posse para o uso, se conhecimento passa de certificados acumulados para uma jornada e se relações deixam de ser uma agenda de contatos para se tornar acesso a inteligência, o líder também precisa rever como constrói relevância.
O repertório acumulado explica parte da trajetória de um executivo.
Não garante o próximo ciclo.
É nessa lógica que o Connect Executive Hub estrutura Talks, Dinners, Peer Coaching, experiências e imersões. Não para ampliar simplesmente o número de pessoas que um executivo conhece, mas para aumentar a diversidade de referências às quais ele tem acesso e, consequentemente, ampliar a qualidade de suas decisões.
Talvez a discussão sobre o futuro dos negócios esteja excessivamente concentrada em tecnologia.
E, em um mundo no qual as respostas envelhecem cada vez mais rápido, uma das vantagens competitivas mais importantes pode ser exatamente esta:
ter acesso às pessoas, experiências e perspectivas capazes de fazer uma organização enxergar aquilo que seus próprios referenciais ainda não conseguem mostrar.
E ter a parceria de ambientes como a Exame Saint Paul fazem transitar na fronteira de temáticas que estão sendo discutidas e gera aquela inquietude de buscar se aprofundar.

Sobre o Connect Executive Hub

O Connect Executive Hub fomenta uma confraria de executivos que conecta C-levels, diretores, conselheiros, empresários e lideranças em experiências desenhadas para ampliar repertório e capital relacional.
Acompanhe nossa agenda com próximos encontros - Link

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