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Como liderar a Geração Z sem perder seus melhores talentos. Crédito: Divulgação.

Rucelmar Reis

Rucelmar Reis

Rucelmar Reis é empreendedor, com vasta experiência em tecnologia e negócios digitais. Fundador e sócio de diversas empresas, atua como mentor e conselheiro de startups. Formado em ESADE Barcelona e MIT, une visão estratégica e prática no desenvolvimento de negócios.

Na Veia

Como encantar o colaborador que não sabe esperar

27/08/2026 09:06
Tem uma cena que eu vi se repetir em várias empresas que acompanhei ao longo dos anos. O jovem chega empolgado, passa pelos primeiros meses produzindo bem, e de repente começa a ficar mais quieto, menos presente, menos curioso. O gestor percebe, mas não faz nada. Espera a avaliação anual. Quando chega a avaliação, a pessoa já está com um pé fora.
O problema não é a pessoa. É o modelo de gestão, somado a cultura da empresa, e as características da nova geração.
A Geração Z cresceu em um ambiente onde o feedback é instantâneo. Eles postam algo e em segundos sabem se funcionou. Eles jogam e o sistema mostra o placar em tempo real. Eles estudam online e a plataforma diz imediatamente se acertaram ou erraram. E aí chegam na empresa e o sistema de avaliação diz: aguarda dezembro ou em nosso próximo feedback agendado.
Não funciona assim na cabeça de uma geração que precisa de informações instantâneas.
A pesquisa da Macorva publicada em 2025 é direta sobre isso: a Geração Z não quer feedback anual. Ela quer feedback contínuo, específico e acionável. Não o elogio genérico de "continue assim". Ela quer saber o que exatamente ela fez bem, por que aquilo importou e o que ela pode melhorar na próxima semana. Esse nível de especificidade não é exigência. É o que faz o cérebro deles aprender mais rápido.
Como se faz isso na prática?
A técnica mais simples e mais eficaz que eu conheço é a sexta-feira de cinco minutos. Toda semana, o gestor reserva cinco minutos com cada pessoa da equipe. Não é reunião de status. É uma conversa rápida com três perguntas: o que você fez bem essa semana? O que você faria diferente? O que você precisa de mim para a semana que vem? Isso não exige ferramenta cara, não exige treinamento extenso. Exige disciplina e presença. E o retorno é imediato: a pessoa sai dali sabendo onde está, o que vale e o que precisa melhorar.
O segundo instrumento que funciona muito bem com essa geração é o buddy. Não o mentor formal com reuniões mensais e plano de desenvolvimento em PDF. O buddy é um colega mais experiente, não necessariamente mais velho, que acompanha a pessoa nos primeiros noventa dias. Responde dúvidas que ninguém tem coragem de fazer para o gestor. Apresenta as pessoas certas. Explica os códigos não escritos da empresa. O BambooHR pesquisou mais de dois mil novos colaboradores em 2025 e o dado é claro: 41% dos Gen Z se sentem desconectados durante o onboarding. O buddy resolve boa parte disso porque 66% deles dizem que querem fazer amigos no trabalho. Não é frescura. É o que os faz ficar.
Tem um terceiro elemento que não vejo em muitos lugares, mas que para mim funciona: o mapa de capítulos. Essa geração não quer saber onde vai estar em vinte anos. Ela quer saber o que vai aprender nos próximos seis meses. Quando você cria um documento simples, uma página, que mostra o que a pessoa vai dominar em seis meses, o que ela pode liderar em doze meses e para onde pode se mover em vinte e quatro meses, você transforma a incerteza em projeto. E projeto tem energia.
A Deloitte mostrou em 2026 que apenas 25% dos Gen Z querem promoções rápidas. A maioria quer crescimento gradual, com aprendizado real. Eles não estão pedindo para virar diretor em dois anos. Estão pedindo para saber que a empresa tem um próximo capítulo para eles.
E tem uma coisa que encanta mais do que qualquer benefício: ser visto. Não o elogio na reunião geral. O reconhecimento específico, na hora certa, para a pessoa certa. A pesquisa da Gallup de 2024 mostra que reconhecimento semanal aumenta engajamento em até 36%. O custo disso é zero. O impacto é enorme.
Encantar a nova geração não é sobre criar um ambiente de diversão. É sobre criar um ambiente onde a pessoa sabe que está crescendo, que é vista e que tem alguém do lado dela quando precisa. Isso não é diferente do que qualquer bom profissional quer. A diferença é que essa geração não espera. Se não encontrar isso aqui, vai procurar em outro lugar.

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