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Tecnologia para tornar o campo digital requer conectividade.

Bernardo de Castro*

Internet na zona rural é uma necessidade

Campo digital e conectado: o que falta para chegarmos lá?

31/05/2021 20:25
Há um longo caminho a ser percorrido para podermos dizer que, no Brasil, temos um “campo digital”, efetivamente conectado à internet. Apesar disso, mais de 60% do crescimento agrícola do nosso país nos últimos anos já se deve à adoção de tecnologia.
Com recursos como Inteligência Artificial, Big Data, Business Intelligence e Internet das Coisas (IoT) — e muitos outros —, temos cada vez mais ferramentas inovadoras à disposição de gestores e produtores rurais, possibilitando melhores resultados produtivos e redução de gastos.
Mas é importante destacar que grande parte das novas tecnologias agrícolas depende de conectividade e, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 41% da população rural possui acesso à internet.

Barreiras

Algumas das principais barreiras para o
campo digital se tornar uma realidade são a falta de disponibilidade do serviço,
a dificuldade de acesso em áreas extensas ou afastadas e o alto custo dos
serviços de internet para o campo.
Uma
das razões para essa lacuna na área rural é o forte direcionamento das companhias
telefônicas para os centros urbanos, que garantem alta densidade de potenciais
clientes em uma mesma região. Durante muitos anos, essas foram as áreas que
concentraram a maioria das necessidades tecnológicas, que só se apareceram no campo
posteriormente.
Foi somente na última década que presenciamos o verdadeiro crescimento exponencial da tecnologia para o campo digital — inclusive com o desenvolvimento de máquinas agrícolas preparadas para ficarem sempre conectadas. Com isso, naturalmente, também cresceu a demanda por serviços de telecomunicação, que chamou aos poucos a atenção das operadoras.

Democratizar o campo digital

Outro
ponto importante de destacar é a significativa diferença no acesso aos recursos
existentes. Hoje, embora haja tecnologias para o campo digital com valores
acessíveis para todos os tipos e tamanhos de operações, percebemos que,
enquanto empresas de grande porte conseguem investir em alternativas para
conexão, pequenos produtores permanecem sem internet em áreas rurais e não
podem aproveitá-las. Eles seguem distantes de toda a inovação já disponível
para o segmento agrícola.
Esse é um problema que precisa ser superado para massificar o uso de tecnologias para o campo digital.
Atualmente, 84% dos produtores e prestadores de serviços rurais fazem uso de pelo menos uma tecnologia em benefício da produção agrícola.
O dado é de um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Isso deixa claro que não falta interesse em tonar o campo digital, mas sim dificuldade de acesso. Sem conectividade, a adoção de diversos recursos mais avançados torna-se inviável.

Mais eficiência

Já existem inúmeros recursos de hardware e software que permitem acompanhar os processos no campo e a saúde das plantações, avaliar as condições climáticas e ambientais, monitorar equipamentos agrícolas e mais.
No
entanto, sem acesso à rede mundial, perde-se a oportunidade de aproveitar essas
ferramentas de agricultura de precisão em sua totalidade. Assim, o campo no
Brasil desperdiça a chance de aumentar sua produtividade e reduzir custos sem
requerer mais terra.
Por
isso, é urgentemente necessário olhar para a conectividade rural buscando detectar
os pontos que prejudicam a chegada de internet e encontrar maneiras de contorná-los
com soluções mais eficazes.
Investir no acesso à informação sobre o campo digital para os pequenos produtores que ainda não conhecem seus benefícios também é fundamental.
Integrar essa população e reduzir o atraso e as desigualdades tecnológicas é um desafio que precisamos vencer. Afinal, se hoje já somos uma potência no agronegócio, com conectividade democratizada, podemos nos tornar a maior referência mundial do setor.
* Por Bernardo de Castro, presidente da divisão de Agricultura da Hexagon.

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