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O produto não é o fim: em qual negócio sua empresa realmente está? Crédito: Divulgação.

Silvana Pampu

HRBP General Manager Renault Latam, fundadora do Instituto Connect, conselheira, investidora anjo, coaching e coautora dos Livros "Meu Legado" e "Employee Experiencie". Entusiasta do desenvolvimento humano e temas ligados à inovação.

Connect Executive Hub

Você sabe em que negócio sua empresa realmente está?

31/08/2026 14:58
Connect Executive Hub by convidados Klecios Souza, Joel Zonta e Silvana Pampu
Durante muito tempo, a estratégia empresarial foi construída a partir de uma lógica conhecida: dominar o produto, ganhar escala, aumentar eficiência, ampliar distribuição e defender participação de mercado. Essa equação continua importante. Mas, diante de um consumidor mais informado, exigente e conectado, talvez a pergunta mais estratégica já não seja “como vender mais do que fazemos?”, e sim: “qual problema do cliente estamos realmente ajudando a resolver?”
Essa foi uma das principais provocações do Connect Talk Joinville, evento promovido pelo Connect Executive Hub, que reuniu Klecios Souza, General Manager Brazil do Grupo Tigre e Board Member, e Joel Zonta, CEO e fundador da Halsten Incorporadora. Partindo de dois setores diferentes, indústria e mercado imobiliário, a conversa chegou a uma tese maior: empresas relevantes não serão apenas aquelas que fabricam bons produtos, mas as capazes de compreender mudanças de comportamento e transformar complexidade em valor.

O produto talvez seja apenas o começo

Uma das reflexões trazidas por Klecios foi sobre a necessidade de a indústria ampliar sua forma de pensar valor. Em mercados maduros, crescer não significa necessariamente fabricar mais ou entrar em categorias desconectadas do core business. A oportunidade pode estar em compreender melhor a jornada do cliente e perguntar como tornar sua vida mais simples, eficiente e conveniente.
Essa mudança altera a lógica de inovação. Em vez de olhar apenas para o que a empresa sabe produzir, a estratégia passa a olhar para o que o cliente precisa resolver. É a diferença entre ampliar portfólio e construir um ecossistema.
“Agregar valor é ir além do produto. É entender como a indústria pode facilitar a vida do cliente e resolver de forma mais completa os desafios que estão ao redor daquilo que já fazemos.”Klecios Souza General Manager Brasil Grupo Tigre
A própria evolução da Tigre ajuda a materializar essa visão. Quando uma empresa deixa de olhar apenas para tubos e conexões e passa a compreender recursos hídricos como um ecossistema, sua fronteira estratégica se amplia. Distribuição, saneamento, infraestrutura, irrigação, tratamento, reuso e eficiência hídrica passam a fazer parte de uma mesma leitura de valor.
Uma empresa que se define pelo produto enxerga um mercado. Uma empresa que se define pelo problema que ajuda a resolver pode enxergar muitos outros. É nesse ponto que diversificação deixa de ser dispersão e passa a representar expansão coerente.

O consumidor também mudou de lugar

No mercado imobiliário, Joel trouxe outra dimensão dessa transformação. Uma incorporadora começa a conceber hoje um empreendimento que muitas vezes será entregue quatro ou cinco anos depois. Isso obriga a empresa a antecipar como o consumidor vai querer morar, trabalhar, investir e se relacionar com os espaços no futuro.
O imóvel continua sendo moradia e patrimônio, mas também ganhou relevância como ativo de investimento e geração de renda. Pesquisas recentes do mercado brasileiro mostram participação importante de compradores com finalidade de investimento, reforçando sua influência na definição do produto imobiliário.
Mais importante do que um percentual isolado é compreender a mudança. O investidor traz novas perguntas: qual será a liquidez? Existe demanda para locação? Qual o potencial de valorização? O empreendimento oferece facilidades que aumentem sua atratividade?
“O consumidor de imóvel mudou. Ele continua buscando qualidade para morar, mas também olha para liquidez, valorização, renda e conveniência. Isso muda a forma como precisamos pensar o produto desde a origem.” Joel Zonta

O novo valor está na redução da complexidade

Tigre e Halsten atuam em setores distintos, mas as duas perspectivas convergem em um ponto: o consumidor não quer carregar a complexidade das empresas. Ele quer soluções que funcionem, menos fricção e experiências mais integradas.
Para a indústria, isso pode significar sair da lógica de produtos isolados para pensar sistemas, serviços e ecossistemas. Para o mercado imobiliário, pode significar deixar de vender apenas metros quadrados e pensar moradia, investimento, serviços, experiência e qualidade de vida.
Essa lógica vale para praticamente todos os setores. Cada vez menos, a fronteira de uma empresa será definida somente pelo que fabrica. Cada vez mais, será definida pelos problemas que escolhe resolver.

Estratégia também é escolher as conversas das quais participamos

Há ainda uma segunda camada nessa discussão. Se mercados, tecnologias e comportamentos mudam simultaneamente, nenhum executivo consegue interpretar sozinho todas as transformações que impactam seu negócio.
É por isso que capital relacional deixa de ser sinônimo de networking e passa a funcionar como infraestrutura de decisão.
Esse é o propósito dos Connect Talks, uma das experiências do Connect Executive Hub: reunir lideranças de diferentes setores para acessar repertórios que dificilmente surgiriam dentro da mesma empresa ou da mesma bolha profissional.
Em Joinville, recursos hídricos, novos perfis de investidores, inovação e consumo dividiram o mesmo espaço. É nesse cruzamento que surgem perguntas capazes de mudar decisões.
Existe um risco silencioso para quem lidera. Enquanto alguns executivos ampliam redes e participam das conversas que antecipam movimentos de mercado, outros continuam discutindo os mesmos problemas com as mesmas pessoas. A diferença começa a aparecer na qualidade das decisões.
Construir capital relacional não é colecionar contatos. É cultivar relações de confiança com pessoas que desafiam certezas, ampliam contexto e abrem acesso a perspectivas que não encontraríamos sozinhos.
No fim, talvez a pergunta estratégica seja dupla: se sua empresa deixasse de se definir pelo produto que vende e passasse a se definir pelos problemas que resolve, em que negócio estaria? E, para quem lidera, uma segunda pergunta: você está participando das conversas e construindo as conexões necessárias para liderar esse novo negócio?
Porque o futuro não será construído apenas pelo que sabemos. Será também construído por quem conseguimos acessar, com quem escolhemos pensar e pela qualidade das conexões que cultivamos antes de precisar delas.
Connect Executive Hub é uma Confraria de Executivos com amplitude internacional, cujo objetivo é fomentar conexões e experiencias para ampliar repertório e capital relacional. Fica o convite de seguir nosso canal de podcast Connect Executive Cast e acompanhar nossa agenda de eventos. Caso se interesse em fazer parte do Connect agende um horário.

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