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A Pirâmide da IA: como escolher as batalhas certas antes de gastar milhões. Crédito: Imagem gerada por IA.

Silvana Pampu

HRBP General Manager Renault Latam, fundadora do Instituto Connect, conselheira, investidora anjo, coaching e coautora dos Livros "Meu Legado" e "Employee Experiencie". Entusiasta do desenvolvimento humano e temas ligados à inovação.

Connect Executive Hub

A pirâmide da IA

14/09/2026 09:00
Connect Executive Hub by Rodrigo Acras
Um modelo de quatro níveis para dar clareza estratégica às iniciativas de Inteligência Artificial
Não existe assunto mais “hypado” no mundo dos negócios do que a Inteligência Artificial, e não é para menos. Com a chegada da IA generativa, e com os grandes modelos de linguagem acessíveis por meio de chats simples e intuitivos, a tecnologia ganhou o mundo.
E é aí que a coisa pode se complicar, sem o correto direcionamento. Na ânsia (e na pressão) para entrar de cabeça no hype, as empresas estão topando qualquer coisa, desde que o selo IA esteja presente. Mas sem clareza estratégica qualquer iniciativa pode fracassar e consumir milhões no caminho, o que já está acontecendo em muitos casos.

NA PRÁTICA  ·  O CASO KLARNA

A fintech sueca Klarna entrou de cabeça nessa onda. Colocou a IA na linha de frente do atendimento e anunciou que seu assistente fazia o trabalho de centenas de pessoas. Pouco tempo depois, com a qualidade caindo e os clientes reclamando, voltou a contratar gente para atender gente. A empresa nega que esteja recuando, mas o próprio CEO, Sebastian Siemiatkowski, reconheceu que foi a ênfase excessiva no custo que derrubou a qualidade.
Ou seja, o problema não estava na tecnologia, estava na pergunta que veio antes dela. Quando uma empresa começa perguntando onde a IA vai cortar custo, ela já decidiu, sem perceber, que o critério é o custo. E aqui não tem como não lembrar que tecnologia nenhuma resolve falta de direção, ela só faz a empresa chegar mais rápido onde já estava indo. Por isso a clareza estratégica tem que vir antes, para decidir se a iniciativa deve mesmo existir.
Para ajudar as empresas a obter esta clareza, criamos um modelo que classifica as iniciativas de IA em quatro grandes perspectivas. Chamamos este modelo de pirâmide da IA.

N1    Produtividade pessoal

O N1 é o do uso da IA para a produtividade pessoal. A pessoa usa IA como usa o Excel, para expandir memória, raciocínio e velocidade. Aqui começa tudo, e aqui as empresas estão entre a cruz e a espada, porque se por um lado querem que os colaboradores se capacitem, por outro muitos gestores ainda olham o uso das ferramentas com desconfiança.

N2    Processos internos

O N2 é o dos processos internos, onde a IA automatiza e aumenta a capacidade analítica dos fluxos de negócio. Aqui não tem como não lembrar aquele velho conceito de que automatizar um processo ruim só te ajuda a fazer coisa ruim mais rápido. Cathy O’Neil diz que os algoritmos são opiniões codificadas, e com a IA eles passam a ser também decisões e alucinações codificadas.
PARADOXO DA DELEGAÇÃO CONSCIENTE
Quanto mais uma empresa pretende delegar atividades, análises e decisões à Inteligência Artificial, mais precisa conhecer profundamente seus próprios processos para avaliar aquilo que está sendo delegado.

N3    Produtos e serviços turbinados pela IA

Até agora estávamos dentro dos muros da empresa. Está na hora de abrir a porteira. O N3 é o nível onde a IA turbina os produtos que o negócio já oferece, a maneira mais comum de surfar na onda da IA pelo lado da receita. Ou seja, aqui o céu é o limite, e os riscos também, porque junto com a onda vem o AI-washing.

N4    A IA como o próprio negócio

No topo está o N4, onde a IA vira o próprio negócio, com modelos, agentes e soluções vendidas ao mercado. Nem toda empresa precisa seguir por esse caminho, e para muitas isso sequer faria sentido.

O que a pesquisa mostra

A pergunta que fica é como as empresas estão surfando a onda nos quatro níveis. Para responder, fizemos uma extensa pesquisa com tomadores de decisão de indústria, energia, tecnologia, saúde e consultorias. Numa escala de 0 a 5, cada empresa é classificada em cada nível.
É nítido que a maturidade cai conforme subimos na pirâmide, o que não é surpresa. Entretanto, mesmo na base o nível é de integrador baixo, e uma média de 3.3 mostra que temos muito a avançar. Ainda mais se levarmos em conta que em muitos casos o N1 vem da curiosidade pessoal do colaborador.

Chegar ao ponto certo

O uso da IA de maneira estratégica depende, como tudo o que é estratégico, de uma clareza muito grande sobre o que se quer e, principalmente, sobre o que não se quer. É esta a pretensão da pirâmide: ajudar líderes a decidir em quais níveis vale concentrar tempo, energia e recursos. Não se trata de chegar necessariamente ao topo, mas de chegar ao ponto certo para a estratégia do negócio, com inteligência.
PARTICIPE DA PESQUISA
A pesquisa segue ativa. Ao participar, sua empresa recebe o resultado atualizado e a comparação da sua avaliação com a média geral e a do seu mercado.

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