ABRH-PR
Da Teoria à Prática: Podcast da ABRH-PR Debate Neurodiversidade e Saúde Mental no Trabalho
O podcast “Diversidade: Vidas, Vozes e Trabalho”, realizado pela ABRH-PR em parceria com o GazzConecta, abriu a temporada 2026 com foco total na prática. No episódio, a apresentadora Cláudia Malschitzky e a voluntária de RH Sandra Vacaro receberam a psicóloga clínica e organizacional Elisângela Passos para debater um tema urgente: a neurodiversidade no ambiente corporativo e a conexão com a NR1.
Com mais de 20 anos de experiência no mercado corporativo, Elisângela explicou que condições como autismo, TDAH e dislexia são características biológicas de pensamento, e não erros ou doenças.
O desafio de ir além da contratação
As participantes defenderam que "incluir é fácil, o difícil é sustentar". Muitas vezes, empresas contratam para cumprir cotas ou melhorar a imagem, mas falham em criar um ambiente seguro. Profissionais neurodivergentes que sofrem para se adaptar a rotinas aceleradas acabam injustamente rotulados como "difíceis" ou "incompetentes".
“As empresas pedem colaboradores que pensem fora da caixa, mas não sabem aproveitar esse potencial porque ainda estão presas a um padrão único de trabalho”, pontuou Elisângela.
A conexão com a NR1 e o Burnout
O debate trouxe um alerta importante sobre a Norma Regulamentadora 1 (NR1). Assim como a ergonomia física mudou as empresas no passado, a medição de riscos psicossociais é a nova fronteira. Ambientes com muito ruído, luzes excessivas e falta de clareza na comunicação são gatilhos para crises de ansiedade e burnout.
Para o neurodivergente, detalhes estruturais e a falta de segurança psicológica no barco corporativo pesam ainda mais. A empresa é quem precisa adaptar seus processos, e não o contrário.
Cuidar de quem cuida
A transformação desse cenário passa obrigatoriamente pela liderança. Sandra Vacaro lembrou que a maioria dos gestores é promovida por competência técnica, mas precisa de apoio emocional e treinamento para humanizar as relações. Em um mercado focado em metas, o suporte psicológico também deve alcançar esses líderes.
Para as empresas que querem começar a mudar essa realidade de forma prática, Elisângela deixou uma dica simples e vital: "Escutando. Ouvir as pessoas na ponta é o começo de tudo."



