ABRH-PR
Inclusão de pessoas com deficiência exige escuta e mudança de cultura, afirma a diretora de recursos humanos da ExxonMobil em podcast
Antes visto como uma obrigação legal para cumprir a Lei de Cotas, o tema da inclusão de pessoas com deficiência passou por uma transformação importante dentro das empresas. Hoje, organizações que avançam na agenda entendem que promover ambientes acessíveis e acolhedores vai além da infraestrutura e depende de escuta, preparo das lideranças e mudanças na cultura organizacional. Esse foi o tema do terceiro episódio do podcast "Diversidade: Vida, Vozes e Trabalho", iniciativa da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), em parceria com o GazzConecta.
A série reúne especialistas e lideranças para discutir como transformar diversidade e inclusão em práticas efetivas dentro das organizações. Neste episódio, Cláudia Malschitzky, diretora voluntária de diversidade da ABRH-PR, e Cláudia Cadenas, vice diretora da Diretoria de Diversidade, recebem Samantha Franco, diretora de Recursos Humanos da ExxonMobil. Na abertura da conversa, Cadenas provoca uma reflexão sobre a necessidade de ampliar o olhar sobre a inclusão nas empresas. "A empresa precisa acreditar nisso. A gente não quer que você simplesmente vá lá e faça: 'já cumpri minha cota'. Você que está nos ouvindo, traga isso para dentro de você. Porque aí você realmente acredita na transformação", comenta a vice diretora de diversidade.
Em seguida, Claudia Malschitzky destaca que a inclusão é construída no dia a dia das organizações. "É possível fazer a inclusão acontecer. É possível incluir, se a gente se organizar, se inspirar e, principalmente, acreditar que esse é o nosso papel." Para a diretora, ações que muitas vezes parecem pequenas, quando somadas, são capazes de transformar a cultura das empresas. Entre elas, ela cita iniciativas como investir em acessibilidade, adaptar ambientes de trabalho, ampliar a conscientização sobre inclusão, promover a escuta ativa dos colaboradores e criar espaços seguros para que as pessoas possam desenvolver seu potencial.
Ao relembrar o início dessa trajetória, Samantha explica que a Lei de Cotas foi o ponto de partida para muitas empresas, mas destaca que o verdadeiro desafio começou depois do cumprimento da legislação. Segundo ela, foi preciso preparar profissionais, adaptar processos e, principalmente, aprender a ouvir quem vivencia a deficiência no dia a dia."A gente tem que perguntar. Boa intenção é importante, mas ela, sozinha, não resolve. É ouvindo as pessoas, entendendo suas necessidades e aprendendo com as experiências delas que a gente consegue construir ambientes verdadeiramente inclusivos", afirma Samantha.
Durante a conversa, a executiva compartilha um exemplo simples que ilustra essa mudança de perspectiva. Ao adaptar um banheiro para colaboradores com deficiência, a empresa substituiu o dispenser de papel higiênico sem consultar os usuários. Foi somente após ouvir os próprios colaboradores que percebeu que uma solução considerada adequada não atendia, na prática, às necessidades deles. Para Samantha, situações como essa demonstram que inclusão não acontece apenas com investimento, mas com disposição para escutar.
O episódio também amplia a discussão sobre acessibilidade ao abordar as chamadas deficiências invisíveis. Além das adaptações físicas, como rampas e espaços acessíveis, Samantha explica que pessoas neurodivergentes podem necessitar de ajustes relacionados à iluminação, ao nível de ruído, ao posicionamento das estações de trabalho e até mesmo à flexibilidade durante a jornada. São mudanças que, muitas vezes, têm baixo custo, mas grande impacto na experiência dos colaboradores.
Outro ponto abordado é a importância do letramento dentro das organizações. Para a diretora, boa parte dos comportamentos inadequados não nasce da má intenção, mas do desconhecimento. Por isso, investir na conscientização de lideranças e equipes é um passo essencial para criar ambientes mais acolhedores e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Na experiência da ExxonMobil, os grupos de afinidade também desempenham um papel importante nesse processo. Formados por colaboradores que compartilham vivências e desafios semelhantes, esses grupos ajudam a identificar barreiras, propor melhorias e ampliar o diálogo sobre inclusão em diferentes frentes, como gênero, raça, população LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.
Ao longo da conversa, Samantha também reforça que a inclusão não significa buscar soluções perfeitas, mas construir uma cultura organizacional capaz de evoluir continuamente. Para ela, algumas iniciativas podem não funcionar como esperado, mas o aprendizado faz parte da jornada. O mais importante é manter o compromisso de criar oportunidades para que cada profissional possa desenvolver seu potencial.
O episódio completo de "Diversidade: Vida, Vozes e Trabalho" está disponível no canal do GazzConecta no YouTube.


