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Onde a experiência se conecta: Os bastidores do Connect Dinner Campinas. Créditos: Divulgação

Connect Executive Hub

O primeiro Connect Dinner Campinas foi enriquecido pela participação de Gastón Diaz Perez, Presidente and CEO Bosch Latin America & Global Services, e de Adriano Lima, Conselheiro e Palestrante.

Silvana Pampu
10/06/2026 10:34
Com a moderação de Silvana Pampu, Founder do Connect Executive Hub e HR General Manager Latam na Renault,fomos conduzidos por uma jornada que começou com reflexões sobre carreiras não lineares e evoluiu para discussões sobre liderança, cultura organizacional, adaptabilidade e construção de empresas de sucesso em ambientes cada vez mais complexos.
Talvez um dos pontos mais interessantes da noite tenha sido justamente a forma orgânica como os temas surgiram. Assim como acontece nas próprias trajetórias profissionais, as reflexões não seguiram uma linearidade rígida. Pelo contrário: conectaram experiências, contextos, culturas e perspectivas diferentes, ampliando o olhar sobre os desafios contemporâneos de liderança.
Ao abordarmos carreiras não lineares, ficou evidente que tudo começa pela clareza do que não queremos. No início da vida adulta, ainda não dispomos do repertório necessário para definir com precisão os rumos da nossa trajetória profissional, mas, muitas vezes, já temos consciência dos caminhos que desejamos evitar. Podemos, por exemplo, saber que não queremos seguir as carreiras de nossos pais ou assumir uma cadeira sucessória nos negócios da família, e, tudo bem se essas decisões forem revisitadas após uma fase exploratória.
As carreiras não lineares são mais do que trajetórias ascendentes. Elas são construídas a partir de experimentação, adaptação e, muitas vezes, da coragem de recomeçar. Incluem mudanças de área, transições entre setores e até movimentos aparentemente “laterais”, que, ao longo do tempo, ampliam repertório, fortalecem habilidades e moldam profissionais mais completos.
Nesse contexto, curiosidade, flexibilidade e disposição para aprender continuamente deixam de ser apenas características desejáveis e passam a se tornar competências essenciais.
Outro ponto relevante é que carreiras não lineares tendem a estar mais alinhadas ao propósito e à identidade pessoal. À medida que acumulamos experiências, ganhamos maior clareza sobre o que nos motiva, permitindo decisões mais conscientes e coerentes com nossos valores. Assim, o crescimento deixa de ser apenas uma evolução de cargo ou posição e passa também a representar ampliação de repertório, visão sistêmica e maturidade profissional.
Ao longo da carreira vamos experimentando e escolhendo caminhos. No entanto, é ao assumirmos posições de liderança que vivenciamos algo ainda mais desafiador: a necessidade de identificar, desenvolver e conectar pessoas que compartilhem da mesma direção.
Foi nesse contexto que Adriano Lima trouxe uma reflexão importante sobre a diferença entre liderança técnica e gestão.
“Muitos profissionais constroem suas carreiras a partir de excelência técnica e profundo conhecimento funcional. Porém, assumir uma posição de gestão exige uma mudança significativa de perspectiva. Liderar pessoas, formar equipes, desenvolver cultura e criar alinhamento organizacional demanda competências diferentes daquelas que levaram um profissional ao destaque técnico. Inclusive há um conteúdo rico no meu livro “Você em Ação” e será um tema endereçado no meu próximo livro “Liderança Nada Artificial”” Adriano Lima
E essa transição nem sempre acontece de forma natural. Em muitos casos, profissionais extremamente competentes tecnicamente assumem posições de liderança sem necessariamente terem desenvolvido
habilidades relacionadas à comunicação, influência, escuta, desenvolvimento de pessoas e construção de times de alta performance.
A construção de uma cultura organizacional sólida depende justamente dessa capacidade de alinhamento entre objetivos organizacionais e objetivos individuais. Caso contrário, o desalinhamento pode gerar desengajamento e, muitas vezes, comportamentos silenciosos contrários à direção da organização, trazendo impactos relevantes para o negócio.
Outro tema bastante presente ao longo da conversa foi a adaptabilidade diante de cenários de incerteza.
Em um contexto global que talvez não se mostrasse tão instável há décadas, profissionais de economias historicamente mais estáveis estão sendo desafiados a aprender a conviver com mudanças rápidas, ambiguidade e necessidade constante de adaptação.
Nesse sentido, nós, profissionais do Brasil e da América Latina, carregamos uma característica bastante particular: fomos historicamente expostos a ciclos de instabilidade econômica, inflação, mudanças regulatórias, volatilidade cambial e necessidade contínua de reinvenção.
Gastón trouxe esse tema de maneira leve e bem-humorada ao comparar esse contexto a uma corrida de Fórmula 1. Segundo ele, países latino-americanos raramente largam “na pole position”. Muitas vezes, começam no pelotão intermediário, em uma corrida sob chuva, com baixa visibilidade e necessidade constante de desviar de obstáculos inesperados ao longo do percurso.
“O Mundo está aprendendo a liderar “modo Latam”, ou seja, contextos de juros, desafios e instabilidade é a realidade Latam. Inclusive a metáfora de liderar é como dirigir com muita neblina, com pouca visibilidade e liderar na Argentina, com a luz apagada, ou seja, estamos acostumados a encontrar oportunidades, ter resiliência e sermos criativos a manter crescimento mesmo com o cenário macroeconômico.” Gastón Diaz Perez, Presidente and CEO Bosch Latin America & Global Services
A metáfora ilustra de maneira interessante uma competência cada vez mais necessária no ambiente corporativo contemporâneo: a capacidade de seguir tomando decisões mesmo sem visibilidade perfeita.
Se, por um lado, a instabilidade cria desafios relevantes, por outro ela também desenvolve resiliência, pragmatismo, velocidade de reação e capacidade de adaptação. E talvez essa seja uma vantagem competitiva importante em um cenário global marcado por transformações aceleradas, inteligência artificial, mudanças geopolíticas e crescente interdependência entre mercados.
Ao final do encontro, ficou uma reflexão importante: em um ambiente cada vez menos linear, tanto empresas quanto carreiras precisarão ampliar sua capacidade de aprendizado contínuo, adaptação e construção de repertório.
No fim, talvez a grande vantagem competitiva do futuro não esteja apenas na previsibilidade, mas na capacidade de navegar bem a complexidade. Encontros como esse são orquestrados pela Zucchetti Brasil, cuja vertical Elofy atua justamente na interseção de discussões sobre carreiras, performance, futuros do trabalho. E ter speakers de relevância abrilhantou a noite.
O Connect Executive Hub fomenta uma confraria de executivos de diversos segmentos, estados e países, cujos rituais e cuja curadoria asseguram a ampliação de repertório e conexões. Nossa crença é que as conexões movem o mundo!
Saiba como fazer parte do Connect acessando nosso site e acompanhe a agenda de eventos. Link: eventos  Link: Sobre se tornar membro
Connect Talk Rio de Janeiro – Liderança como alavanca estratégica, com João Kalsing Head Business Development GE, Adriana Bandeira dos Santos – Director Dams- de Risking Program at Vale, Luis Phelipe Castro Director of IT Latam at Avolta (Dufry) – Dia 23/06/2026 – 18:30 na ESPM Rio de Janeiro
Connect Talk online – Estados Unidos modo prático: Ainda é momento de imigrar? Quais são os mitos e verdades de morar e empreender dos EUA? Com Simone Melo VP J.P Morgan Private Bank e Degoncir Gonçalves  CEO na DG4Business – Dia 16/06/2026 – as 19hrs
Connect Dinner Curitiba – Dia 17/06
Connect Dinner São Paulo – Dia 25/06
Connect Dinner Florianopolis  – Dia 09/07