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Crescer profissionalmente também significa aprender a ocupar o lugar de aprendiz. Crédito: Imagem gerada por IA (Google Gemini).

Allan Costa

Allan Costa

Allan Costa é empreendedor, investidor-anjo, mentor, escritor, motociclista e palestrante em dois TEDx e em mais de 100 eventos por ano. Co-fundador do AAA Inovação, da Curitiba Angels e Diretor de Inovação da ISH Tecnologia. Mestre pela FGV e pela Lancaster University (UK), e AMP pela Harvard Business School.

Você, amanhã

Sempre vai ter alguém melhor que você e isso é ótimo

12/05/2026 13:57
Sempre vai ter alguém melhor que você. Vamos começar pacificando esse ponto.
Por melhor que você seja em algo, muito provavelmente há, ou haverá, alguém melhor que você, mais experiente, com mais habilidade, mais talento... Isso é totalmente natural e esperado e, quanto antes a gente fizer as pazes com isso, mais fácil será a vida.
No mundo dos negócios, em especial em novos negócios, longe da zona de conforto, ter pessoas ao seu redor que são melhores não é meramente um acaso, é algo extremamente necessário e valioso para o desenvolvimento do novo projeto.
Recentemente, depois de 30 anos construindo empresas de tecnologia, eu embarquei em uma outra paixão: a perfumaria. E começar um novo negócio, um novo desafio ou uma nova empresa não é atividade autossuficiente em si. Ou seja, não basta ter o ímpeto e energia para começar algo novo do zero; é preciso saber como manter a coisa de pé depois do primeiro passo. 
E, para isso,  é preciso conversar, fazer novas conexões, absorver novas experiências de gente com mais tempo de estrada, mais inteligentes e mais talentosas; isso é crucial.
Aceitar e absorver esse conhecimento de pessoas melhores em algo é um exercício difícil, mas muito útil para dominar o próprio ego.
Não o ego no sentido caricatural, de arrogância arbitrária. Mas um ego mais sutil: aquele que evita situações em que você pode parecer menos preparado do que os outros; que prefere preservar a imagem de quem sabe do que correr o risco de se expor como alguém que ainda está aprendendo.
Esse ego, apesar de parecer menos nocivo, nos faz evitar situações que podem ser de enorme aprendizado. Faz recusar convites que, no fundo, seriam ótimos pontos de crescimento e novos contatos; e faz permanecer onde já se é reconhecido, em vez de ir para onde ainda é preciso provar.
Voltar para o lugar de aprendiz exige uma decisão deliberada de abrir mão dessa validação imediata e da necessidade de ser sempre bom em tudo.
É aceitar que você vai demorar mais para responder, que vai precisar fazer mais perguntas, que vai errar mais (e que os erros fazem parte do processo, e é preciso se acostumar com eles). E que, por um tempo, você não vai ser a referência; vai ser a pessoa tentando acompanhar o passo.
Toda curva de aprendizagem é desconfortável e nos coloca em um lugar de humildade que muitos não têm a coragem de enfrentar, mas é também o único caminho para sair da idealização para a materialidade de algo real.
Há quem não goste desse lugar de aprendiz, e eu entendo. Mas, pessoalmente, acredito que é aqui que criamos repertório e casca para enfrentar situações e desafios novos. 
Inclusive, registrar os perrengues e os aprendizados vai ajudar muito o seu “eu” no futuro. Porque este momento, em que você é aprendiz em algo novo, nunca mais vai se repetir. Justamente porque, a cada dia que passa, você ganha mais bagagem. E bagagem vira experiência, e quem é experiente não consegue mais pensar com a cabeça limpa de alguém que está começando hoje.
E que bom ter a oportunidade de poder sempre começar algo pela primeira vez.