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Wagner Ruiz, cofundador e CFO do Ebanx, fintech curitibana que é uma das líderes do segmento de pagamentos no Brasil. Foto: Divulgação

Ação Inovadora

Chegada do Pix, do BC, sinaliza futuro promissor para fintechs de pagamento

Fernando Henrique de Oliveira, especial para o GazzConecta
28/09/2020 12:30
Nos últimos cinco anos, o Brasil viu o número de fintechs em atuação no país, praticamente, dobrar. De acordo com dados do FinTech Report 2020, do Distrito, 49,6% dessas startups surgiram a partir de 2016.  Grande parte delas com soluções de pagamento. Das 742 fintechs analisadas pelo estudo, 16,4% oferecem serviços, produtos e tecnologia que facilitam o processamento dessas transações.
Para o diretor executivo da
Associação Brasileira de Fintechs (ABFintech), Diego Perez, o Brasil é muito
conhecido pelos serviços de pagamento. Cofundador da SMU, primeira plataforma
de crowdfunding de investimentos no pais, Perez acompanha o crescimento deste
segmento desde 2013, quando a startup foi fundada, trazendo a possibilidade de
pessoas físicas também investirem na economia real e negócios inovadores.
Com a digitalização da economia, um processo acelerado pela pandemia, as fintechs encontraram caminhos para se adaptar ou até mesmo crescer. “Com o isolamento social, o consumo por meio digital aumentou. Muitas fintechs ganharam espaço com isso, principalmente as startups com soluções de pagamento, que registraram crescimento em meio à crise”, avalia Perez.
Para Diego Perez, diretor da ABFintechs e cofundador da SMU, primeira plataforma de crowdfunding de investimentos no país, o Pix abre portas para um futuro promissor para fintechs nacionais. Foto: Fernando Torres.
Para Diego Perez, diretor da ABFintechs e cofundador da SMU, primeira plataforma de crowdfunding de investimentos no país, o Pix abre portas para um futuro promissor para fintechs nacionais. Foto: Fernando Torres.
Além de pagamentos, a pandemia
também favoreceu as categorias de investimento e crédito, na avaliação do
diretor da ABFintechs. “Pagamentos e investimentos são os segmentos mais
representativos, mas os bancos digitais, ou as startups que oferecem serviços
bancários em plataformas digitais, também apresentam crescimento,
principalmente para as classes C e D, que têm maiores dificuldades de acesso a
bancos maiores, e em regiões mais afastadas, sem agências bancárias ou acesso à
rede elétrica, mas onde as pessoas possuem smartphones e cobertura 4G”,
comenta.

Maior eficiência para a economia

No entanto, na opinião do líder
de pagamentos da ABFintechs, Marcelo Martins, enquanto as categorias de
pagamento, investimento e crédito demonstraram bons resultados nos últimos
meses, tanto em demanda de clientes, como em relação a aportes financeiros,
fintechs com foco no consumidor final, isto é, na pessoa física, provavelmente
contabilizarão perdas até o fim do ano.
“As startups que acompanharam o
processo de digitalização, conseguindo se adaptar ou criar novas soluções para
o mercado, certamente obtiveram êxito no período, com destaque para as empresas
de crédito e as de pagamento, que terão possibilidades ainda maiores com a
chegada do Pix em novembro”, sinaliza Martins.
Novo sistema de pagamentos
instantâneos do Banco Central, o Pix representa um grande avanço para a
eficiência econômica do país. “Com ele, trazemos uma nova dinâmica para o
ambiente financeiro, com benefícios em escala, tanto para os negócios, como
para a sociedade, reduzindo consideravelmente os custos sociais e
proporcionando ganhos em diversos aspectos”, afirma Carlos Eduardo Brandt,
chefe adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro
do BC.
Com o Pix, os valores de pagamentos
e transferências passam a entrar automaticamente na conta dos usuários, em
qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana, com um intervalo de até 10
segundos em cada operação. Além de aumentar a rapidez das transações, o sistema
não terá taxas para as pessoas físicas. Ou seja, transferências com a mesma
funcionalidade do TED e do DOC passam a ser gratuitas para os usuários.
“O Pix vai potencializar a
migração de transações em dinheiro para os meios digitais. O sistema foi
desenvolvido com foco na experiência e comodidade do usuário, promovendo uma
maior inclusão financeira da população, e facilitando pagamentos em todas as
esferas (entre pessoas, empresas e governos) com maior segurança e eficiência”,
explica Brandt.

Competitividade e novas oportunidades

O Banco Central estima que, até o fim do ano, 1.000 instituições financeiras do país já tenham aderido ao novo ecossistema – 980 já estão em processo de adesão. Desta forma, o BC espera alavancar a competitividade do mercado, impulsionando a inovação no setor. “Com mais empresas ofertando serviços para a população, é natural que haja maior competitividade, o que aumenta as chances de inovação e a criação de novas oportunidades de negócios”, avalia Brandt.
Para as instituições, o Pix terá
uma tarifa única de R$ 0,01 (um centavo) a cada dez transações. O que entrará
no jogo do mercado serão as taxas cobradas pelas instituições financeiras para
cada serviço ofertado. Ou seja, quanto uma empresa pagará para emitir um
boleto, por exemplo, vai depender do pacote de serviços contratados com a
instituição financeira. Dessa forma, o BC pretende estimular a melhor prática
de preços no mercado, favorecendo, especialmente, o micro e pequeno empresário.
Segundo o diretor executivo da
ABFintech, Diego Perez, o Pix sinaliza um futuro promissor para as startups do
mercado financeiro. “É o início de uma jornada que vai dinamizar e possibilitar
novos negócios, promovendo uma grande movimentação dentro do ecossistema
financeiro, com possibilidades de grandes fusões, incorporações e parcerias
mais frequentes daqui para a frente”, avalia.
Para Marcelo Martins, líder de pagamentos da ABFintechs, o Pix vai colocar as startups do mercado financeiro no mesmo patamar de grandes instituições bancárias. Isso significa que elas ganharão maior visibilidade para os seus produtos e serviços, podendo atrair mais clientes e criar novas possibilidades de negócios.
Marcelo Martins, líder de pagamentos da ABFintechs, acredita que o Pix vai colocar em fintechs e grandes bancos em nível de igualdade na oferta de soluções para população. Foto: Divulgação.
Marcelo Martins, líder de pagamentos da ABFintechs, acredita que o Pix vai colocar em fintechs e grandes bancos em nível de igualdade na oferta de soluções para população. Foto: Divulgação.
“Mas, se para algumas fintechs o
Pix vai facilitar a forma de fazer e inovar esses negócios, fazendo a economia
girar com maior eficiência, outras terão de se reinventar do zero, principalmente
aquelas que só intermediavam pagamentos. Esta é uma chance para as startups
pivotarem, isto é, mudar rapidamente o rumo de seus negócios e buscar a
inovação”, comenta Martins.

Uma das maiores fintechs do país

A capacidade de adaptação rápida
em relação aos desafios colocados pelo mercado é um dos fatores que
contribuíram para o Ebanx se tornar um dos líderes da categoria de pagamentos
no país. Fundada em 2012, a fintech curitibana é uma das oito startups latino-americanas
que mais cresceram no mundo de acordo com o último Fintech 250, relatório da CB
Insights divulgado a cada dois anos.
Para o ranking deste ano, a consultoria americana de inteligência de mercado avaliou 16 mil startups, fechando a lista com 250 fintechs mais promissoras do mundo com base no seus potenciais de mercado e outros critérios. Alçada ao patamar de unicórnio no fim do ano passado, o Ebanx é uma das 37 startups da lista que possuem valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares.
Criado com o objetivo de ofertar
soluções de pagamento locais como boleto, débito em conta e parcelamento para
compras em sites internacionais (como Airbnb, AliExpress, Wish, Spotify, por
exemplo), o Ebanx expandiu seus negócios e, hoje, opera em oito países da
América Latina, atingindo mais de 70 milhões de usuários em mais de 1 mil
opções de compra. No ano passado, a fintech também passou a oferecer serviços
de processamento de pagamentos no Brasil e, no início deste ano, lançou sua
conta digital, a Ebanx Go, com cartão virtual e cartão físico pré-pago.
Disponível apenas no Brasil, a
Ebanx Go é o primeiro produto criado pela empresa com foco no consumidor final.
A solução sinaliza mais uma adaptação da empresa em relação às mudanças de
mercado, ampliando as formas de acesso a pagamentos digitais, missão que se
tornou o centro do negócio do Ebanx, segundo o seu cofundador e CFO, Wagner
Ruiz.
A expansão de possibilidades para
a oferta de serviços no segmento será uma das grandes contribuições do Pix.
“Não só para o Ebanx, mas para as fintechs em geral e para as empresas com
vendas on-line. Para os negócios, o Pix é mais uma forma de alcançar os consumidores,
com a perspectiva de mais oportunidades e melhoria dos serviços financeiros e
de pagamentos”, revela.
Para Ruiz, o Pix é uma grande
oportunidade para a inclusão digital. “Provavelmente, a digitalização será base
dos negócios daqui pra frente. Muitas pessoas estão experimentando comprar pela
internet pela primeira vez, tendo acesso a produtos e serviços que antes não
utilizava. O Pix é uma forma de para trazer mais gente para dentro da economia
criativa, estimulando a concorrência, o que, no fim do dia, beneficia o
consumidor final, que vai ter serviços cada vez mais completos e mais baratos à
sua disposição”, avalia.
“É um ciclo virtuoso: a
digitalização leva à criação de novas opções de pagamento, que geram mais
condições de acesso, que intensificam a digitalização. No caso do Brasil e de
outros países da América Latina, que são mais receptivos, percebemos essa
tendência, com mais acesso a produtos financeiros, às fintechs, aos cartões
pré-pagos, à possibilidade de compra em débito em sites de venda-online e
outras soluções”, completa Ruiz.

Parcerias para crescer

Como muitas empresas, o Ebanx
percebeu uma queda nos números no início da pandemia. Encarar a crise como
oportunidade foi uma das estratégias da empresa que adaptou um de seus
serviços, o Ebanx Beep, para ajudar pequenos negócios nas vendas on-line. “No
início do distanciamento social, percebemos um dos nossos sistemas de venda
on-line poderia ser adaptado para acomodar produtos físicos e até vouchers com
antecipação de rendimentos para profissionais autônomos e pequenos comerciantes
que tiveram de suspender suas atividades”, explica Ruiz.
Logo nos primeiros dias, o Ebanx Beep registrou 1,2 mil cadastros. No fim de julho, a ferramenta contava com mais de 10,8 mil registros. Parcerias com empresas como Nestlé, Cabify e Visa permitiram que o sistema chegasse a mais profissionais e pequenos negócios. Além do Beep, a Visa também é parceira do Ebanx Go.
Beatriz Montiani, diretora de inovação da Visa do Brasil. Líder em pagamentos mundial, a marca aposta em programas de aceleração e desenvolvimentos de startups e fintechs como maneira de criar inovação para a empresa. Foto: Marcelo Soubhia.
Beatriz Montiani, diretora de inovação da Visa do Brasil. Líder em pagamentos mundial, a marca aposta em programas de aceleração e desenvolvimentos de startups e fintechs como maneira de criar inovação para a empresa. Foto: Marcelo Soubhia.
A aposta em parcerias para criar soluções rápidas e eficientes para o mercado é uma das estratégias de inovação da Visa do Brasil, empresa que há quatro anos percebeu a necessidade de implementar programas colaborativos com startups para impulsionar o desenvolvimento de novas ideias. A busca pela inovação aberta foi um dos elementos do processo de mudança cultural da marca líder mundial em pagamentos, de acordo com Beatriz Montiani, diretora de inovação da empresa.
Beatriz também coordena o Programa de Aceleração Visa. Em sua quarta edição, o programa já reuniu 69 startups de todo o país num processo que envolve capacitação, mentorias, networking e contato com investidores tendo como base a criação de novas soluções para transações comerciais. De todas as startups participantes, 30% saíram do programa com mais de 30 negócios fechados com a Visa do Brasil, seus parceiros ou entre as próprias startups.
“Criar soluções em conjunto,
resolver problemas reais e propor novas experiências para o usuário são os
principais objetivos do programa, que trouxe para dentro da Visa os princípios
da inovação aberta. O desenvolvimento de tecnologias para meios de pagamento
também nos motivou a criar um hub interno de colaboração com fintechs, no qual
trocamos conhecimentos e podemos auxiliar essas empresas a atingirem os
requisitos necessários para a obtenção da credencial Visa na oferta de seus
serviços”, explica Beatriz.

Outra novidade

Em paralelo ao Pix, o Banco
Central dará início, também em novembro, a outro momento importante para o setor
financeiro, com o início da implantação do Open
Banking
(Sistema Financeiro Aberto) no Brasil. Dividido em quatro fases, o
sistema vai reunir informações sobre produtos e serviços de instituições
financeiras e seus usuários (mediante autorização) para, no futuro,
compartilhar esses dados em plataformas digitais, facilitando a oferta e as
condições de negociação para esses mesmos produtos e serviços.
O open banking é mais um passo no
caminho da digitalização do mercado financeiro. Adotado pelo Reino Unido e a
União Europeia em 2018, e em discussão em outros países atualmente, o sistema
facilitará a contratação de serviços mais adequados para cada cliente, além de
estimular a melhor prática de preços entre os players do setor.
Para Marcelo Martins, da ABFintech, tanto o Pix, como o open banking fazem parte de uma grande evolução dos mecanismos financeiros no país. “Além da pandemia, o ano de 2020 é um marco para a economia nacional, com a implementação de sistemas que mudarão muito rápido a maneira como nos relacionamos com as nossas transações financeiras. O mercado de pagamentos, principalmente, vai ter um impacto positivo com o Pix, favorecendo fintechs e grandes instituições de formas diferentes. O que será igual para todas é a necessidade de olhar para a experiência do usuário para ofertar melhores produtos e serviços”, completa.

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