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As pessoas sempre se adaptam, mas queremos mais que pessoas adaptadas, queremos pessoas felizes. Crédito: Artur Safronov / Freepik.

Cris Alessi

Cris Alessi

Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.

Trabalho remoto

Idas e vindas e dúvidas: trabalho presencial, híbrido ou remoto

23/10/2023 17:18
Na semana passada, a Amazon divulgou novas diretrizes para os líderes da empresa, endurecendo as regras para trabalho remoto. Gradativamente, a big tech tem incentivado seus funcionários a trabalharem presencialmente nos escritórios da empresa.
Do 100% home office imposto pela pandemia, passou para o sistema híbrido com diretriz de pelo menos três dias presenciais e dois remotos. Até então, era uma recomendação, agora os funcionários que não cumprirem as horas presenciais poderão até ser despedidos.
O trabalho remoto se tornou um opção para o mundo corporativo durante a pandemia. Inicialmente, as empresas adotaram por necessidade. Na sequência, virou fator de retenção de talento, já que muitos profissionais entendem como benefício poderem escolher a forma como querem organizar sua rotina de trabalho.
Passado pouco mais de um ano e meio da flexibilização nas regras de isolamento na maioria dos países, o trabalho remoto continua sendo motivo de avaliação, idas e vindas e dúvidas. Por um lado estão os profissionais que gostaram do ganho de tempo, diminuição de tempo e custo de deslocamento por trabalhar em casa, trazendo maior qualidade de vida. Do outro lado estão as empresas que sentem a dificuldade de manter alinhada a cultura organizacional em um formato 100% remoto.
Além da Amazon, outras grandes empresas fizeram esforços para trazer seus funcionários para os escritórios, como Meta, Apple e Alphabet. Existem, também, os radicais assumidamente contra o trabalho remoto, como Goldman Sachs e JP Morgan. Elon Musk chegou a dizer que o home office era “morally wrong” (moralmente errado).
Outro ponto que ainda leva a visão das empresas para o caminho do presencial é que a transformação digital não está de fato consolidada no mundo corporativo. Em muitos casos, ainda se limita ao uso de um ou outro software, sem integração com o RH e com a estratégia global da organização. Muitos ainda olham a digitalização em partes, para resolver demandas nem sempre com uma visão de vantagem competitiva do negócio.
Para as empresas, o ideal é passar a maior parte da semana no escritório – pelo menos três dos cinco dias úteis. Para os empregados, é o oposto. No final, a produtividade é sempre o ponto que abona ou desabona as discussões do trabalho remoto, e a janela temporal ainda é pequena para números definitivos sobre o assunto.
Falando em dias úteis, vale lembrar da discussão sobre a semana de quatro dias.  Durante seis meses, mais de 60 empresas britânicas aderiram a um formato de trabalho de segunda a quinta (80% da carga horária) e continuaram pagando 100% do salário para os funcionários. Deu tão certo que, mesmo com o fim do teste, 91% das empresas decidiram continuar com a política.
Entre os benefícios observados, houve uma diminuição nas faltas ao trabalho por licença médica ou qualquer outro motivo. E o mais impactante: o faturamento das empresas aumentou.
Dados do trabalho 100% remoto indicam uma perda de produtividade por parte dos funcionários, já o trabalho híbrido não. Os dados sobre a produtividade não mudam na comparação do trabalho 100% presencial e o híbrido.
Indo um pouco além das contas de dias e horas trabalhadas, os ambientes de trabalho e a dinâmica do escritório também precisam ser revisitados. Muitas empresas querem receber seus funcionários em espaços e ambientes iguais aos de antes da pandemia, mas as pessoas não são as mesmas. Elas experimentaram outras formas de trabalhar, precisam e querem equilibrar melhor suas vidas profissionais e pessoais, querem utilizar seu tempo de forma mais eficiente do que no trânsito ou em deslocamento. Pensar nisso e buscar algumas soluções  para os escritórios também fará com que elas estejam mais felizes lá dentro.
Enfim, das manchetes sobre o “fim dos escritórios” para as sobre o “fim do trabalho remoto” está o equilíbrio (sempre está). As pessoas sempre se adaptam, mas queremos mais que pessoas adaptadas, queremos pessoas felizes. A felicidade deve ser uma variável nessa conta. E algumas experiências têm mostrado que a relação entre felicidade, produtividade, faturamento e talento pode ser de ganha a ganha.
Continuemos praticando nossa re-percepção todos os dias.

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