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Na essência, todas as gerações querem trabalhar, realizar sonhos e conquistar algo, mas as motivações foram mudando ao longo dos anos.

Eduardo Nadelman*

Carreiras

Afinal, o que a Geração Z busca no mercado de trabalho?

23/12/2022 16:45
A entrada e amadurecimento da Geração Z no mercado de trabalho tem gerado uma série de adaptações necessárias. Na essência, todas as gerações querem trabalhar, realizar sonhos e conquistar algo, mas as motivações foram mudando ao longo dos anos. O que buscam e a forma como se realizam são completamente diferentes e as empresas precisam tomar conhecimento dessas novas demandas para atrair esses jovens.
Ao longo dos últimos anos pude acompanhar os desafios de contratar, trabalhar e reter pessoas que estavam ingressando no mercado de trabalho. Pude perceber grandes diferenças entre as gerações quando nos referimos à motivação e realização profissional, ocasionadas por alguns movimentos que aconteceram na última década.
O primeiro deles foi o surgimento de novas opções de carreiras. Participar de algo que está no começo e ainda em construção se tornou um caminho cheio de aprendizados e com possibilidade de gerar impacto relevante em pouco tempo. Empreender virou uma alternativa real e valorizada pelos maiores talentos. Para gerações anteriores, essa não era uma opção, que por muitas vezes se restringiu a profissões tradicionais e busca por estabilidade. Outra opção que está surgindo muito cedo é na área de conteúdo, a creator economy, que também facilita essa entrada no mercado de trabalho, já que muitos começam a produzir conteúdo na internet antes mesmo de entrar na faculdade e já se torna uma primeira e relevante fonte de renda.
A evolução da tecnologia e a abundância de capital disponível para empresas do setor foram os maiores responsáveis por esse movimento. O surgimento e a evolução de plataformas mais acessíveis abriram muitas possibilidades. Hoje qualquer pessoa pode, sem sair de casa, abrir uma empresa, criar um produto ou solução, investir em marketing digital, utilizar plataformas de entregas e escalar algum negócio investindo poucos recursos. Essa transformação fez com que as pessoas passassem a considerar outros caminhos e mostrou que eles poderiam ser protagonistas de suas carreiras.
O segundo movimento foi a mudança sobre o que esperam de um emprego. No passado, estabilidade, cargos e responsabilidades bem definidos e um plano de carreira para ser trilhado durante 30 anos eram sinônimo de um caminho de sucesso. Com as novas gerações, isso mudou, e muito. Ambientes dinâmicos, sentimento de construção e geração de impacto viraram os pontos em que grande parte dos jovens talentos passou a buscar. Tudo na vida deles é instantâneo: contatos, consumo, acesso à informação. E com a carreira não querem algo muito diferente.
Em consequência destes movimentos, novos valores passaram a ser cruciais para a Gen Z quando buscam um lugar para trabalhar.
1 - Senso de propósito: a Geração Z precisa se sentir realizada, entender onde a empresa está querendo chegar e qual é a contribuição dela nesse objetivo. É importante sentir que faz parte de algo grande e de impacto.
2 - Senso de desenvolvimento: eles querem aprender e ter um sentimento de constante evolução. Querem sentir que seus líderes e pares os desenvolvem, em meio a um ambiente diverso. É uma geração que pode e deve ser constantemente desafiada.
3 - Dinamismo e flexibilidade: a agilidade no dia a dia é essencial para manter essa geração motivada. Querem fugir de burocracias e buscam a resolução rápida dos problemas que aparecem. Muito intensificado pela pandemia, querem flexibilidade para poderem trabalhar do seu jeito, entendendo que as pessoas são diferentes e sendo cobrados por resultado, não horas trabalhadas.
4 - Autonomia: os talentos dessa geração precisam sentir que estão criando e não apenas seguindo processos já estabelecidos. Dar autonomia é fundamental para que se desenvolvam e sintam parte da construção.
5 - Impacto Social ou Ambiental: essa geração tem grandes expectativas de como as empresas vão impulsionar as mudanças social e ambiental, e esperam que as organizações se posicionem sobre temas sociais.
Mas como adaptar a empresa e seus processos para atender aos anseios dessa geração? Atualmente, atrair e reter talentos não é fácil. Vai muito além de oferecer salários, benefícios e um plano de carreira definido. As companhias devem rever sua proposta de valor para seus colaboradores. Cultura, propósito e flexibilidade passam a ser fundamentais para atrair as melhores pessoas. E estas são mudanças que devem ser protagonizadas pela liderança e não terceirizada somente ao RH. Só assim conseguirão evoluir e formar um time de alta performance, gerando valor no longo prazo.
Na NG CASH somos da Geração Z, mas também temos desafios com esse público. Precisamos constantemente trabalhar formas de engajá-los e de estimulá-los, mas principalmente, mostrar que fazer parte de algo em construção é uma decisão de longo prazo. Algo que para uma geração imediatista pode parecer muito tempo. Por isso buscamos oferecer um ambiente dinâmico, aprendizado constante, incentivos adequados e a oportunidade de fazer parte de um projeto transformador com grande potencial de crescimento. É assim que atraímos as melhores pessoas, crescemos de forma sustentável e estamos construindo um ambiente acolhedor, desafiador e com a inovação que as novas gerações esperam.
*Eduardo Nadelman foi sócio da Stone por 7 anos. Foi cofundador da Praso, marketplace B2B no Nordeste, investiu em diferentes startups e atualmente é sócio da NG CASH, aplicativo financeiro feito para ajudar a Geração Z a se tornar mais independente financeiramente. É formado em Engenharia de Produção pela PUC-Rio, com passagem pela Harvard Business School.

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