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Os brasileiros da área de tecnologia da informação são os mais requisitados pelas empresas estrangeiras.

Mercado de Trabalho

Trabalhando na gringa: cresce o número de brasileiros que atuam remotamente em empresas estrangeiras (e recebem em dólar)

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
02/03/2023 19:23
Nos novos moldes do mercado de trabalho, é cada vez mais comum a existência de casos de profissionais prestando serviços para múltiplas empresas, sem sequer deixar o conforto de suas casas. Fato é que o trabalho transfronteiriço tem ganhado popularidade desde o início da pandemia de covid-19, no primeiro trimestre de 2020, apoiado pela crescente do modelo de trabalho remoto — já adotado pela densa maioria de empresas de tecnologia neste meio tempo.
Com a flexibilidade e a consolidação do home office, tornou-se comum a busca de brasileiros por empresas estrangeiras dispostas a conquistar uma mão de obra qualificada mas, ao mesmo tempo, mais barata — já que, muitas vezes, o pagamento salarial é feito em moeda local.
Por outro lado, companhias que remuneram seus colaboradores em moedas como dólar e euro também têm tido a preferência dos profissionais brasileiros. De acordo com uma pesquisa da startup de transferências internacionais Husky, o número de profissionais brasileiros que residem no país, mas que trabalham para empresas de fora e recebem pagamentos em moeda estrangeira saltou 491% nos últimos dois anos.
Segundo a Husky, os brasileiros da área de tecnologia da informação são os mais requisitados pelas empresas estrangeiras. Companhias da área são responsáveis por 82% de todo o volume transacionado em pagamentos para profissionais entre fronteiras. Na sequência, estão profissionais como designers, influenciadores digitais e analistas de marketing.
O cenário faz proliferar o número de empresas que aproveitam o bom momento das contratações internacionais para crescer. É o caso da plataforma Free The Freela, fundada em abril de 2022 e que conecta profissionais autônomos do Brasil e da América Latina a vagas remotas em empresas dos Estados Unidos e Europa. Um levantamento da startup mostrou que entre os meses de abril e dezembro de 2022, o volume financeiro transacionado para pagamento de salários teve um crescimento percentual acumulado superior a 2.000%.
Para Sarah Alves, CEO da plataforma, o destaque está na evolução do ticket médio das empresas empregadoras. "Nesse período, o que chama mais atenção é a evolução do nosso ticket médio, uma vez que focamos o nosso direcionamento de mercado em empresas estrangeiras”, diz. Em seu terceiro trimestre em operação, a empresa já registrou crescimento de 136% ante os três meses anteriores, com um ticket médio de US$ 2  mil — antes, a média era de US$ 170.
"Em 2023 a gente projeta crescer 10 vezes em volume total de transações, facilitando acesso ao mercado internacional para mais de 20 mil talentos da América Latina”, acrescenta Sarah.

Como aproveitar esse fenômeno?

Para os profissionais que desejam internacionalizar suas carreiras ao trabalhar em vagas remotas, mesmo no Brasil, a fundadora da Free The Freela elenca cinco principais dicas. Veja abaixo:
1. Esteja com o inglês afiado
A comunicação é a chave para um bom desempenho em processos seletivos para empresas de outros países. O domínio de um outro idioma, segundo a especialista, também é vital para vagas remotas em um contexto de globalização da força de trabalho. “As empresas não esperam que o seu inglês seja nativo, mas que você consiga se comunicar e entender o que lhe está sendo dito. O processo de contratação quase sempre inclui uma entrevista, então perca a vergonha de falar - a comunicação é a chave para as equipes que trabalham de forma remota”, afirma.
2. Ganhe experiência
De acordo com Sarah, empresas internacionais preferem talentos com mais de dois anos de experiência profissional. “Se você já possui essa experiência, comece agora. Caso contrário, projetos pessoais e portfólios, mesmo que não sejam de experiências formais anteriores, são válidos para demonstrar conhecimento”, diz.
3. Tenha o conjunto de habilidades certo
As habilidades técnicas em profissões em alta são importantes, mas não são tudo. As chamadas soft skills estão em alta e têm sido cada vez mais avaliadas por recrutadores de outros países. “Soft skills e atitudes são os principais pontos de decisão das empresas. Seja comunicativo e colaborativo para somar forças com empresas globais”, recomenda.
4. Não tenha medo de errar — e aprenda com o seus erros
“As empresas lá fora são amigas do erro, e o entendem como um processo de aprendizagem”, afirma. Segundo ela, é comum que, durante entrevistas de emprego, profissionais sejam questionados sobre erros cometidos e o que aprenderam dele. “Para as empresas não interessa a resposta em si, mas a sua linha de raciocínio e o que aprendeu em cada experiência” afirma.
5. Encontre o parceiro ideal
Soluções tecnológicas que nascem para descomplicar a relação entre empregadores e empregados podem cooperar para o bom desempenho profissional. A avaliação de Sarah é de que preocupações financeiras, contábeis e trabalhistas podem ser deixadas de lado, uma vez que startups (como a Free The Freela, por exemplo) se responsabilizam pela parte burocrática do processo. “A forma como trabalhamos mudou e, agora, você pode colaborar com as principais empresas internacionais e receber em dólares, sem sair de casa”, diz.

Quais são os impactos?

Se, de um lado, fenômenos como a desvalorização do real, o trabalho remoto e o apagão de mão de obra tecnológica cooperam para a iminência das contratações em empresas gringas, de outro é preciso, contudo, considerar os riscos.
A disputa acirrada por profissionais com competências específicas tem feito empresas apertarem os cintos para conquistar um público qualificado, experiente e, muitas vezes, com um segundo idioma fluente. O “êxodo” virtual desses funcionários para companhias globais pode agravar ainda mais o cenário de déficit de mão de obra tecnológica no Brasil. Dados da Brasscom, por exemplo, estimam que o déficit de profissionais de TI no país deve chegar a 797 mil até 2025.

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