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O otimismo na hora de captar dinheiro já é realidade para 78% dos fundadores da América Latina. Crédito: Canva.

Tendências

Mais otimismo e menos unicórnios: o que esperar do mercado de Venture Capital em 2024

Maria Clara Dias
Maria Clara Dias
14/02/2024 16:59
O rigoroso “inverno das startups” demorou a passar, mas deve ficar no passado a partir de 2024, aos primeiros sinais de melhora no mercado de investimentos de risco. Pelo menos é essa a visão de diferentes fundadores e investidores da América Latina. O otimismo na hora de captar dinheiro já é realidade para 78% dos fundadores da região, enquanto 89% dos investidores também compartilham da perspectiva de melhoria. Os dados são do relatório LatAm Tech Report 2023, divulgado pela Latitud em novembro passado.
Fato é que o ano começou aquecido para o Venture Capital no Brasil, o que pode endossar a visão dos investidores sobre um ano mais otimista. O mês de janeiro foi marcado por captações volumosas, como da Conta Simples, que concluiu uma rodada de R$ 200 milhões. A Turbi, de assinatura e aluguel de veículos, também anunciou uma rodada de R$ 150 milhões.
Já fintech argentina Pomelo também entrou na lista após uma captação de US$ 40 milhões em série B liderada pela Kaszek Ventures, um dos principais fundos de VC da região, com histórico de investimento em unicórnios e alguns dos mais proeminentes negócios de tecnologia da América Latina.
Especialistas defendem que correções eram necessárias para colocar o mercado em curso novamente após múltiplos inflados e valuations ilógicos em 2021. Agora, dois anos após a recessão que deu um baque no volume de investimentos de risco, a expectativa é de que 2024 não complete a trilogia das baixas em captações, sendo um ano fora da curva comparado ao período de solavancos que perdura desde 2022.

O que esperar do VC em 2024

Os indícios de uma possível melhora no cenário não ficam por conta apenas dos cheques mais recentes. A ascensão de operações de fusões e aquisições — resultado da desvalorização de muitos pequenos negócios — também indica um cenário promissor para as startups brasileiras, especialmente as em early stage, de acordo com o relatório “Into the Future”, da firma de investimento early stage Ace Ventures.
“A atividade de fusões e aquisições permanecerá forte e continuará a aumentar a longo pazo, com forte tendência para modelos de compra mais criativos, como a combinação de cash e troca de ações”, avalia Pedro Carneiro, sócio e diretor de investimentos da ACE Ventures.
Além dos M&As, a Ace Ventures destaca outras macro tendências para o ecossistema de VC neste ano. Entre elas, diversificação dos modelos de investimento buscados por startups mais maduras que precisam de novas infusões financeiras para chegar ao ponto de equilíbrio e a ausência de rodadas de captação de grande porte e o reajuste de valuations como fatores impeditivos para a formação de novos unicórnios. “O status de unicórnio será reservado para um pequeno grupo de empresas com receita e indicadores econômicos saudáveis”, aponta o documento.
Em relação aos segmentos de destaque, não deve haver muita novidade. Em 2024, as startups de e-commerce, logística, saúde e fintechs devem continuar entre as prediletas para investidores de risco, dada sua capacidade em criar soluções que se encaixam como uma luva para o mercado consumidor brasileiro, ainda que direcionadas a nichos específicos, pontua Carneiro. “Em VC, a gente enxerga a diminuição do tamanho das rodadas e também investimento em frentes mais nichadas, dentro dessas mesmas áreas que são tendências", diz.
O que mudará, porém, serão os critérios usados por esses investidores na hora de escolher suas próximas apostas. “Coisas diferentes que o investidor vai olhar daqui pra frente. É que está cada vez mais simples, usando IA, construir produtos e testar coisas com nichos cada vez menores. Então, o custo de atacar um nicho vai ficar muito menor. Isso significa que nichos menores ainda do que é hoje, ou seja, frentes mais específicas, nichos mais orientados, eles podem ter mais valor. Então a gente vai começar a sair de soluções mais generalistas para soluções ainda mais específicas”, diz.
A avaliação do especialista é de que o novo ânimo no mercado deve refletir de maneira positiva, especialmente entre as startups early stage, criando um cenário promissor para empresas que ainda estão dando os seus primeiros passos. “Esse é um momento ideal para o empreendedor que está tirando a sua ideia do papel levar isso para o mercado e começar a entender qual é a temperatura do mercado”, diz.
Quando você tem uma diminuição de risco ou uma melhora de cenário pro mercado como um todo, os primeiros negócios a se beneficiarem são aqueles que estão nos primeiros estágios, porque eles vêm com menos investimento para se provarem
, sinaliza Carneiro.
Nesse cenário de retração no número de unicórnios, o destaque deve estar nas startup “camelo”, conhecidas por sua resiliência em meio às adversidades, destaca Carneiro. “A grande vantagem das startups camelo, que são aquelas que conseguem sobreviver bastante tempo sem injeção de um novo capital, é justamente a capacidade de escolher qual que é o melhor momento de capital no mercado, de fazer grandes apostas, porque o tempo para elas não é tão crítico”.

IA na mira das startups

Dados da Global Tech & VC destacados pelo relatório da Ace Ventures indicam que foram investidos US$ 17 bilhões em empresas que desenvolvem modelos de IA generativa, tema em voga desde o último ano. Uma fatia considerável desse montante (US$ 10 bilhões) foi destinada à OpenIA, dona do ChatGPT.
Outras startups do segmento, que estão desenvolvendo meus próprios modelos de inteligência artificial, captaram os outros US$ 7 bilhões. O imperativo do tema faz dele uma tendência indiscutível também no mercado de Venture Capital brasileiro, segundo o relatório.
A tecnologia, contudo, ainda precisa avançar para que os investimentos cresçam na mesma ordem, avalia Carneiro. “A gente acredita que, apesar de não ser ainda tão bem difundido neste ano de 2024, as empresas que realmente abraçarem IA vão ter um ganho de eficiência e de impacto muito desproporcional. Então, isso pode diminuir custo de operação e aumentar a velocidade de atendimento. Por isso, as startup deveriam estar usando IA, não para vender, mas dentro da sua operação para melhorar a proposta de valor”, finaliza.

E vem aí o GazzSummit

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O GazzSummit promove a disseminação de tecnologias e práticas de inovação que possam levar a cadeira produtiva ainda mais longe. Uma super estrutura espera os participantes, que poderão conferir mais de 30 palestrantes e mais de 300 empresas. O evento vai reunir players importantes do ecossistema como grandes empresas, cooperativas, produtores, entidades públicas, startups e inovadores. Garanta já a sua inscrição no site.

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