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Lilian Miranda, Guilherme Barbosa, Yuri Melo e Adriana Milczevsky

Lilian Miranda

Burnout: como lidar com o esgotamento profissional

Papo Raiz*
29/06/2022 19:23
A forma como você permite que algo mexa com a sua saúde mental é o que vai definir como você vai reagir a determinadas situações. As discussões a respeito dos transtornos mentais estão cada vez mais recorrentes na sociedade, especialmente, quando no mundo atual em que as pessoas estão sob constante pressão e com inúmeras responsabilidades. Um dos problemas que atravessa gerações e leva muitos a um desgaste físico e mental é a chamada Síndrome de Burnout.
Também conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional, esse distúrbio emocional apresenta sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico que resultam de situações de trabalho desgastante, onde há muita competitividade ou responsabilidade. É sobre essa doença e como lidar com o Burnout que a criadora da marca Prata Fina e também embaixadora da Paz pela Organização Mundial Mãos Sem Fronteiras, Lilian Miranda, trouxe algumas experiências e dicas em mais um episódio no podcast Papo Raiz.
Em uma conversa inspiradora, a empresária que há mais de 18 anos lida com as dificuldades causadas pela síndrome de burnout, seja em âmbito profissional ou pessoal, contou que foi parar por acaso em um curso da Mãos Sem Fronteiras no Hospital de Clínicas, em Curitiba, e que encontrou na técnica de meditação proposta por essa ONG a fórmula para tratar esse transtorno e, assim, estimular o bem-estar físico e mental.
“Em 2003, quando estava tudo bem na minha vida, eu era empresária, não tinha problemas financeiros e, aparentemente, tinha uma carreira pela frente, de repente eu desenvolvi a Síndrome de Burnout. Desde então, eu venho trabalhando isso e busquei todo tipo de ajuda nesse período”, relatou Lilian Miranda.
A empresária ainda recordou que inicialmente não acreditava muito nos resultados da terapia e que quando começou no curso da ONG Mãos Sem Fronteiras disseram que ela teria que colocar o método em prática para saber se ia realmente funcionar. “Me disseram: quem está doente é você, se acha que vai te servir põe em prática ou senão joga no lixo. Eu me senti desafiada e comecei a fazer a autoaplicação diária da técnica e depois de duas semanas eu já estava bem”.
Apesar dos diversos tratamentos médicos e das iniciativas associadas a isso, para Lilian, não só o problema da Síndrome de Burnout, mas outras doenças psicológicas se intensificaram durante e no pós-pandemia e vamos ter que lidar com isso pelos próximos anos, no entanto, Lilian afirma que há uma solução para esses distúrbios emocionais que vai muito além do uso de medicamentos: trata-se da estimulação neural, uma prática terapêutica que proporciona diversos benefícios para o funcionamento do organismo humano, gerando um maior equilíbrio emocional a quem adere à meditação.
Lilian ainda acredita que a conexão com o presente é uma das melhores coisas desenvolvidas por esse método, além da sensação de bem-estar que acaba aflorando. “Eu descobri que eu me conectava na meditação e ficava mais no presente do que no passado ou futuro e é quando você está no presente que se toma decisões melhores, porque você é mais assertivo na sua fala e tem pensamentos mais conectados”, disse a empresária.
Falar sobre a Síndrome de Burnout e adquirir mais conhecimento sobre o assunto foi o que fez com que a embaixadora da Mãos Sem Fronteiras enxergasse possibilidades de ajudar pessoas que, assim como já aconteceu com ela, também sofrem desse problema tão estritamente ligado ao ambiente de trabalho e que impacta negativamente a saúde como um todo.

Como a saúde mental influencia no trabalho?

Ter profissionais de qualidade e que agreguem algo é um dos pontos mais buscados pelas empresas, no entanto, o ritmo acelerado, a cobrança por resultados e o medo constante da demissão têm gerado alguns riscos à saúde de colaboradores e deixando-os cada vez mais estressados e desgastados com o clima organizacional gerando, desta forma, um baixo rendimento ou até mesmo falta às atividades que desempenham no trabalho.
Pensando nisso, Lilian acredita que é essencial abrir o debate sobre doenças como a Síndrome de Burnout dentro das empresas, para que esses espaços apoiem seus funcionários e desenvolvam atividades voltadas à melhoria do ambiente de trabalho e à preservação da saúde de cada funcionário.
“Os colaboradores têm a vida privada e seus problemas, então, é preciso pensar como a gente pode desinflar esses estados emocionais alterados para encontrar uma solução para todos”. (Lilian Miranda)
Para a empresária, quanto mais pessoas na equipe de uma organização estejam bem e com a saúde mental equilibrada mais fácil fica lidar com os problemas do dia-a-dia e com o trabalho.

Como ter saúde mental no trabalho?

Ter boas lideranças e apoio profissional são algumas das características que, para Lilian Miranda auxiliam na manutenção da saúde mental no trabalho, mas, a empresária reforça que a iniciativa de evitar doenças como a Síndrome de Burnout também deve partir de cada um com práticas diárias que agreguem a esse processo.
“A gente sempre diz que não tem tempo, mas, uma das coisas que eu mudei na minha concepção de vida é que eu tenho tempo sim, e isso você consegue com o exercício da meditação, que te orienta e te dá um novo rumo. Com o cérebro mais oxigenado e organizado, você consegue ir encaixando seus tempos e fazer as coisas”, aconselhou Miranda.

O que é uma pessoa burnout?

Lilian explicou que, na concepção dela que já teve a doença, a Síndrome de Burnout aparece de forma leve e vai se intensificando com o passar do tempo. “Começa com você não querendo frequentar os mesmos lugares que frequentava. As pessoas continuam as mesmas, os lugares continuam os mesmos, mas você não se encaixa mais naquele tipo de ambiente, que até então achava normal”, afirmou.
A empresária ainda ressalta que a pessoa com Burnout acaba ficando mais intolerante, com uma mudança na qualidade do sono, além de desenvolver um gatilho mental que faz com que se pense que qualquer tarefa a mais no trabalho extrapola o limite profissional, deixando essa pessoa sensível a todo tipo de atividade que não seja aquilo que ela está acostumada a fazer.

Como aliviar os sintomas do burnout?

Utilizada tanto de forma pessoal quanto para ajudar outras pessoas, Lillian Miranda defende a meditação como um dos processos para aliviar os sintomas ou prevenir distúrbios como a Síndrome de Burnout. “Meditação tem que ser aplicada onde está o caos”, afirmou.
A embaixadora da ONG Mãos Sem Fronteiras ainda ressaltou que essa técnica não substitui os tratamentos médicos psiquiátricos, mas vem para complementá-los e para mostrar que a vida continua e que as pessoas conseguem sim ter uma rotina diária de parar, sentar e respirar por cinco minutos, assim, colocando em prática a meditação que traz benefícios contínuos à saúde física e mental.

Quais os impactos da saúde emocional no sucesso profissional?

Depois das experiências que teve com a Síndrome de Burnout em todas as áreas de sua vida, Lilian afirma que é muito mais difícil empreender ou desenvolver qualquer trabalho com a saúde mental afetada, pois tudo fica muito mais potencializado, por isso, é preciso entender o problema pelo qual você está passando e aprender a lidar com a situação. Além disso, entrar em uma corrente de autocuidado para manter o emocional equilibrado é a peça-chave para o sucesso profissional.
“O Burnout não tem a ver com as horas de trabalho, mas tem relação com a capacidade de resolver demandas e, às vezes, chega um momento em que você confunde a tua vida pessoal com a do trabalho, então, isso também é uma preocupação porque você não consegue dividir as coisas”, explicou a empresária.

Como lidar com pessoas que sofrem com a Síndrome de Burnout?

Empatia, essa é a palavra que para Miranda deve estar na rotina de quem convive com aqueles que têm Síndrome de Burnout. Ela ainda reforça que muita gente busca psicólogos, porque quer ser ouvida o que, normalmente, não ocorre no convívio pessoal.
“Às vezes é preciso estar na posição de ouvinte. Você pode ajudar uma pessoa a se curar apenas escutando o que ela tem pra falar, então, é importante aprender a ouvir. A pegada de tentar resolver essa doença é olhar o outro e não ter esse egoísmo de vivermos só para a gente. Se torna um estilo de vida querer ver o outro bem”. (Lilian Miranda)
*Artigo produzido pelo Papo Raiz – uma conversa descontraída e divertida sobre empreendedorismo e assuntos em alta na sociedade.

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