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A proposta do Gasola é substituir o cartão de frota gerando mais economia para as empresas na hora de abastecer.

Combustível mais barato?

Startup promete baratear despesas de grandes frotas com um app

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
28/09/2022 21:04
De dentro da cadeia logística trabalhando com a gestão de frotas para grandes empresas do varejo e indústria, Ricardo Lerner percebeu que grande parte dos problemas de gestão e relacionamento com transportadoras está na inconsistência de custos — em especial, os relacionados aos combustíveis. Decidido a solucionar uma das principais dores do setor, ele fundou em 2020 a Gasola, plataforma que conecta transportadoras a postos de combustíveis de todo o país e automatiza transações via aplicativo barateando, assim, o valor pago nas bombas.
A proposta do Gasola é substituir de vez o cartão de frota, recurso oferecido por empresas para suas transportadoras como método para pagamento dos abastecimentos, uma espécie de vale-refeição dos combustíveis. Na prática, o aplicativo funciona como um novo intermediário para o pagamento nas bombas. Para isso, um motorista informa o código fornecido pelo aplicativo ao frentista, que o valida e autoriza a criação de uma conta corrente, constituída de maneira imediata para a transação. Depois, o posto recebe, no próximo dia útil, o valor pago.
Na visão de Lerner, o processo ágil e tecnológico ajuda a cadeia como um todo. De um lado, facilita a rotina de motoristas em busca de maior eficiência e agilidade, já que podem concluir transações em questão de segundos na plataforma. De outro, é também uma maneira de aumentar os lucros dos postos de combustíveis, ao passo em que as taxas cobradas pelas operadoras de maquininhas deixam de existir. Em outra frente, a economia para as transportadoras pode chegar a R$ 0,22 centavos por litro de combustível, afirma Lerner.
Até o momento, a startup conta com 900 postos de combustíveis cadastrados e 205 transportadoras. “Não tem fidelidade e ou risco, e como o posto só tem a ganhar, é muito tranquilo conseguir mostrar que vale a pena se cadastrar no Gasola”, explica o empreendedor.
Lerner explica que a margem bruta obtida pelos postos a cada abastecimento gira em torno de 4 a 6%, enquanto as maquininhas costumam cobrar taxas de até 5%. Sendo assim, o sistema “abocanha” boa parte da margem dos estabelecimentos, deixando apenas 1% do lucro. “É um sistema que, inclusive, força postos a pressionarem margens mais altas para empresas que utilizam o cartão”, diz.
Diante da alta dos combustíveis, o modelo de negócio do Gasola cresceu. Em julho, a plataforma transacionou R$ 60 milhões. Nos primeiros seis meses deste ano, a startup cresceu 70% em comparação com o primeiro semestre do ano passado. “Nossa meta é chegar ao primeiro R$ 1 bilhão até final do ano”, completa.
Ainda que os preços dos combustíveis se estabilizem, a expectativa é que o negócio mantenha sua relevância, já que os custos com combustíveis continuarão concentrando um percentual considerável das despesas totais das transportadoras. “É um cenário que incentiva essas empresas a sempre estarem em busca de novas estratégias de economia e gestão. Aí que entra a Gasola no longo prazo”, diz Lerner.
Para o futuro, a proposta é estender as opções à disposição dos clientes e passar a oferecer mais serviços financeiros para os postos. Nessa frente, hoje, além da gestão pelo app e conta corrente digital, a startup também disponibiliza o serviços de antecipação de recebíveis — serviço que já transaciona em torno de R$ 5 milhões por mês.
“Quanto melhor a saúde financeira dos postos, melhor os descontos que podem oferecer às transportadoras e mais saudáveis serão as empresas. Vemos a chance de todo o ecossistema ser beneficiado”, diz. 

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