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Alta gestão é a primeira responsável pela diversidade, mas a cultura deve ser praticada por todos dentro da empresa. O insight é do Potências Negras Summit.

Diversidade e inclusão

Diversidade no ambiente corporativo: 3 insights do Potências Negras Summit

Stephanie Abdalla e Camila Machado, especial para o GazzConecta
31/03/2021 14:22
Quando o assunto é diversidade dentro do meio empresarial, muitos são os percalços que precisam ser superados. Pensando nesses gargalos, debater as dificuldades e traçar planos de ação são essenciais para a inclusão. Foi com esse objetivo, e focando em impulsionar a carreira de pessoas negras - que aconteceu nesta terça-feira (30) o Potências Negras Summit.
Foram mais de dez horas de conteúdo e talks que discutiram questões de diversidade e equidade racial dentro do ambiente corporativo.
O GazzConecta reuniu os insights dos painéis. Confira abaixo.
Inclusão
deve vir de cima
Engana-se quem pensa que diversidade e inclusão são tarefas exclusivas e prioritárias das camadas sociais de base. Em ambientes corporativos, sobretudo, a iniciativa de promover e exercitar essas questões deve partir da alta gestão, sob orientação devidamente remunerada e reconhecida de consultorias especializadas.
Sobre isso debateram José Marcos da Silva, diretor da consultoria em Capital Humano na Deloitte; Lisiane Lemos, LinkedIn Top Voice e destaque da Revista Forbes; e Elisabete Scheibmayr, CEO na Uzoma Diversidade, sob mediação de Ana Minuto, consultora empresarial; no primeiro painel do Potências Negras Summit.
De acordo com José Marcos, algumas grandes empresas - principalmente as que respondem a demandas exteriores - já começaram a olhar para a importância da diversidade, mas elas ainda são minoria.
“O problema é que muitos líderes enxergam a necessidade da diversidade enquanto treinamento pontual, enquanto objetivo lucrativo, e não como cultura a ser instituída na empresa, como objetivo para pessoas”, falou.
Para Lisiane, que conta ter sido a primeira mulher negra na maioria dos
espaços profissionais nos quais frequentou, é necessário mais velocidade
no avanço da inclusão racial dentro das empresas, e isso só é possível através de consultorias
especializada.
“As equipes de RH têm a tendência a achar que sabem o que é necessário para implantar uma política de diversidade no ambiente corporativo, mas como vão saber se elas não estão do outro lado? As consultorias são essenciais nesse momento e não devem fazer isso por caridade, elas devem ser remuneradas adequadamente”, diz.
A orientação vinda de equipes especializadas, segundo Elisabete, tem papel fundamental, principalmente, no momento da contratação porque é comum que descrições de vagas exijam além do que é de fato necessário para que a função seja desempenhada com eficácia, o que acaba desincentivando as pessoas a tentarem. “E a população negra é exigida ainda mais; as vezes, nos exigem habilidades que deveriam ser desenvolvidas enquanto exercemos o trabalho antes mesmo de consegui-lo”, explica ela.
Além disso, a CEO reforça a importância de metas palpáveis para emplacar planos de diversidade e inclusão nas empresas.
“Enxerguem que a comunidade negra tem potências e que elas precisam de oportunidades; acreditem nos programas de diversidade e invistam nesse propósito”, finaliza, se dirigindo especificamente aos atuais líderes de corporações.
Empresas precisam estar abertas para aprender
O segundo painel do dia falou sobre a diversidade aliada à inovação, inclusive, tratando da diversidade como pré-requisito para a sobrevivência das companhias.
Gustavo Vitti, VP de pessoas e sustentabilidade no Ifood, destacou que
as empresas precisaram estar abertas para aprender. “Eu, pessoalmente, aprendi
demais hoje. E é preciso criar esses espaços dentro das companhias. O futuro é
das pessoas boas e não haverá espaço para o egoísmo. Pensar diverso é pensar no
outro”, explicou.
Na talk, Guilherme Peixoto, superintendente de licitações da B3, arrematou: “As empresas que buscam por diversidade estão a procura de profissionais que querem aprender. Nosso objetivo, como empresa, é encontrar pessoas que serão o agora, mas também o futuro da companhia. As pessoas são ferramentas para o crescimento, que é coletivo”.
Milca da Silva, coordenadora da Aliança Nacional LGBTI+ também se posicionou. “Dentro do mundo do trabalho há muitas nuances e dentro das pessoas também. Meu trabalho é auxiliar empresas e funcionários a liderarem com suas identidades”, falou, ao tratar do tema interseccionalidade dentro das firmas.
Ana Minuto, que foi mediadora da conversa, finalizou o papo com um conselho: “Ninguém é capaz de conquistar o que não enxerga e essa é a missão do Summit. A população negra é treinada para trabalhar, não pensar em carreira”, disse.
Transformação
empresarial e individual
O terceiro e último painel do Potências Negras reuniu Christiane da Silva Pinto, gerente de marketing no Google Brasil; Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo da Magalu e do Grupo Mulheres do Brasil; e Vitor Martins, especialista em Diversidade e Inclusão no Nubank.
Juntas, as participantes dialogaram sobre como a transformação da empresa com relação à diversidade e inclusão exige uma transformação individual. De acordo com Christiane, a cultura de engajamento da corporação deve ser cultivada por todos dentro dela, caso contrário, ela será repercutida de forma muito rasa e não irá garantir nenhum impacto social.
“Já estamos vendo alguma mudança na alta gerência porque os líderes estão percebendo como a diversidade é importante para a empresa. Mas isso não adianta se a média gerência e demais colaboradores não estiverem alinhados, afinal, serão eles que farão parte do dia a dia dos contratados subrepresentados”, diz ela.
Em complemento, Luiza falou sobre a importância, como líder, de entender aonde estão esses contratados subrepresentados dentro da empresa. “No Magazine Luiza nós percebemos que tínhamos mais de 50% dos funcionários negros, mas nenhum deles ocupava cargos de gerência. Até que ponto, então, estávamos colaborando para a equidade ou apenas reproduzindo o racismo estrutural?”.
Para finalizar, Vitor destacou sobre como todas as estratégias de diversidade e inclusão devem ser combinadas, isto é, focando nos indivíduos por completo. “Não basta apenas criar vagas afirmativas, é preciso trabalhar estratégias de retenção, relacionadas à saúde mental dos colaboradores e de desenvolvimento de carreira. Isso só será possível quando a empresa se aproximar da comunidade”, finalizou.
O Potências Negras é uma realização da Minuto Consultoria e da Escola Profissas. O GazzConecta é parceiro da iniciativa.

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