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Segundo dados da plataforma de inovação aberta Distrito, de 2016 a 2021, o número de operações de M&As se multiplicou por dez.

Ano das aquisições?

Com escassez do Venture Capital, fusões e aquisições podem ser tendência em 2023

Por Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
29/12/2022 13:00
Em meio à retração do Venture Capital, o mercado de fusões e aquisições (M&As) no Brasil despontou como uma das saídas mais viáveis para startups emergentes em busca de recursos externos para crescer. A procura por essa modalidade de transação foi crescente, especialmente no primeiro semestre do ano. De acordo com dados da consultoria PwC, nos primeiros seis meses de 2022 foram registradas 807 transações, ante 706 no mesmo período de 2021.
Na contramão dos cheques menos recorrentes às pequenas empresas de tecnologia — um reflexo da instabilidade econômica que se estabelece com a escalada dos juros e da inflação em todo o mundo — as fusões e aquisições de startups por grandes corporações são cada vez mais numerosas. Há seis anos, a quantidade de negociações segue em alta, com destaque para o período de pandemia.
Segundo dados da plataforma de inovação aberta Distrito, de 2016 a 2021, o número de operações de M&As se multiplicou por dez. Em 2021, o recorde: foram 253 acordos do tipo. De janeiro a novembro de 2022, foram 192 transações.

Principais operações do ano

O segundo semestre concentrou o maior número de fusões e aquisições, além de concentrar as operações mais relevantes do ano. Nove das 10 maiores operações de 2022 aconteceram de julho em diante, de acordo com o Distrito.
O destaque está nas operações envolvendo a empresa Movile, que em agosto adquiriu o controle total o iFood por mais de US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 9,4 bilhões. Dois meses depois, a Arco Educação, um dos primeiros unicórnios do Brasil, comprou a startup Isaac, que atua na gestão do fluxo financeiro de escolas, por US$ 150 milhões.
A lista de aquisições de relevância ao longo do ano se estende para operações envolvendo gigantes como a B3, que comprou a Neurotech em novembro, por R$ 124 milhões, e a GeoFusion, adquirida pela Cortex em outubro.

O que esperar em 2023

Ainda que não supere o volume de operações de 2021, o ano de 2022 já esboça tendências para os o mercado de M&As em 2023.
Considerando o apetite de crescimento de grandes empresas e o desejo em acessar novos mercados, modelos de negócios, produtos e times, é esperado que as fusões e aquisições de startups se mantenham em alta no próximo ano, avalia Rafael Assunção, fundador e Managing Partner da Questum, assessoria especializada em M&A para startups.
Para Assunção, há espaço para empresas de todos os segmentos, mas M&As em fintechs e edtechs, tendo em vista a expectativa de retomada de ações educacionais, devem se destacar. “As fintechs se mantêm extremamente relevantes nesse contexto de mudanças regulatórias e avanços provocados pelo Open Finance, devemos acompanhar uma consolidação dos players desse segmento. Já para as edtechs, a expectativa é de crescimento com a possível retomada de ações do governo federal no setor de educação”, afirma.

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