Thumbnail

Para cada Michael Jordan que existe, outros 100 influenciadores non-sense estão por aí.

Allan Costa

Allan Costa

Allan Costa é empreendedor, investidor-anjo, mentor, escritor, motociclista e palestrante em dois TEDx e em mais de 100 eventos por ano. Co-fundador do AAA Inovação, da Curitiba Angels e Diretor de Inovação da ISH Tecnologia. Mestre pela FGV e pela Lancaster University (UK), e AMP pela Harvard Business School.

Trabalho vs lucro

Entendendo o que é Media for Equity

03/01/2023 13:41
Este é o segundo artigo da nossa série especial onde exploramos o conceito de Equity. ‌No artigo anterior, expliquei do que se trata esse conceito e como ele pode mudar como você enxerga sua carreira e seus potenciais ganhos financeiros. Hoje, vamos abordar um conceito que se encaixa dentro de Equity e que tem crescido bastante nos últimos anos: Media for Equity. ‌
Em uma tradução livre, esse conceito se refere ao ato de ceder participação acionária em uma companhia em troca de exposição de mídia para aquela empresa. Em tempos de mídias sociais e grandes plataformas de vídeo e streaming, onde influenciadores ganharam mais alcance (e muitas vezes, dinheiro), do que marcas inteiras, a atenção tem ficado cada vez mais escassa, e estes influenciadores tem se tornado cada vez mais poderosos. ‌
Assim, tem se tornado uma prática cada vez mais comum que não apenas influenciadores, mas qualquer entidade com grande alcance de audiência, utilize esse poder como moeda de troca para participação em negócios. ‌
Embora possa parecer algo novo, essa prática começou há décadas, quando a televisão era centenas de vezes mais influente do que é hoje. Um dos casos mais importantes desta estratégia foi o acordo da estrela de basquete Michael Jordan, aclamado por muitos como o maior jogador de todos os tempos, com a Nike. Jordan firmou acordos de mídia e construção de novos produtos com a Nike quando a empresa de vestuário esportivo ainda não era o colosso gigantesco que é hoje. ‌
Com o passar dos anos, a marca de Jordan cresceu, junto com a da Nike, o que rendeu aos dois lados milhões - em muitos casos, bilhões - de dólares em faturamento, tudo por que o jogador cedeu sua “mídia” - no caso, sua imagem - para a empresa. ‌
Aqui no Brasil, a prática de Media for Equity ainda está engatinhando e devemos ver cada vez mais pessoas que possuem muito alcance nas mídias sociais ganharem espaço acionário em empresas, trocando ações por exposição da marca para sua audiência. Um dos casos mais recentes foi entre Anitta e Nubank, que acabou não saindo como muitos esperavam - a cantora deixou o conselho da empresa meses após o acordo - mas que evidencia que existe aí um espaço imenso a ser explorado.‌
É claro, nem tudo são flores. ‌
Não é por que alguém é famoso e tem muito alcance que, necessariamente, aquela audiência será relevante para o negócio. Pior do que isso, em alguns casos associar uma marca com aquela pessoa pode trazer muitos malefícios, como aconteceu recentemente no caso entre Adidas e Kanye West. ‌
Media for Equity é, sem dúvidas, uma prática que está apenas começando e que ganhará muita força ao longo dos próximos anos, conforme a disputa pela atenção dos consumidores se torne ainda mais concorrida. Contudo, é preciso ter cautela antes de associar uma marca inteira a alguém, ainda mais se este alguém tiver equity da companhia, o que pode trazer muita dor de cabeça. Com o tempo, boas práticas surgirão e as empresas saberão como fazer estes acordos da melhor forma possível. Para cada Michael Jordan que existe, outros 100 influenciadores non-sense estão por aí. A cautela, então, é fundamental.

Enquete

Estes são os temas mais procurados em relação a cursos sobre inteligência artificial no momento. Se você tivesse que escolher um deles, qual seria sua opção?

Newsletter

Receba todas as melhores matérias em primeira mão