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Somos treinados a pensar de uma forma completamente contrária em relação a algumas habilidades das quais iremos precisar no mercado de trabalho. Crédito: Freepik

Allan Costa

Allan Costa

Allan Costa é empreendedor, investidor-anjo, mentor, escritor, motociclista e palestrante em dois TEDx e em mais de 100 eventos por ano. Co-fundador do AAA Inovação, da Curitiba Angels e Diretor de Inovação da ISH Tecnologia. Mestre pela FGV e pela Lancaster University (UK), e AMP pela Harvard Business School.

Educação

As armadilhas do ensino tradicional

14/11/2023 18:45
Não é novidade que o ensino tradicional precisa de mudanças. Já falei sobre isso em outros artigos e isso é defendido há décadas por especialistas.
Para mim, o maior problema não está necessariamente nas matérias, mas sim em como o ensino tradicional nos faz pensar. É algo bastante contraintuitivo: somos treinados a pensar de uma forma completamente contrária em relação a algumas habilidades das quais iremos precisar no mercado de trabalho.
Não existe muito, por exemplo, o senso de colaboração. É cada um por si e, muitas vezes, os feedbacks são apenas individuais e seu desempenho depende apenas de você mesmo. No mercado, saber como trabalhar de forma colaborativa é uma das habilidades mais importantes e que, com certeza, mais diferencia profissionais.
Somos também incentivados a decorar fórmulas simplesmente para passar em determinados testes. No mundo real, aprender como solucionar problemas é uma habilidade dez vezes mais importante. Podemos, sim, ter desafios específicos ao longo de nossa carreira, mas as coisas são muito mais orgânicas e contínuas do que somos treinados nas instituições.
Além disso, por sermos forçados a decorar conceitos e fórmulas, não treinamos tanto nossa capacidade de pesquisa e senso crítico. Convenhamos, estamos em um momento da história em que praticamente qualquer informação está nas nossas mãos, a poucos cliques de distância. Diante disso, será que é tão relevante assim decorarmos informações?
Muito mais importante que isso é sabermos onde e como encontrar as informações das quais precisamos e, mais do que isso, saber quando usá-las e ter o senso crítico para saber o que é sinal e o que é ruído, o que é útil e o que não é.
Por fim, o ensino tradicional penaliza fortemente o erro. Obviamente, existem erros imperdoáveis no mercado de trabalho, mas saber que errar faz parte do processo é importante para nossa evolução como profissionais. Se somos ensinados que seremos penalizados a cada mínimo erro, iremos sempre preferir jogar na defensiva, inovando menos e arriscando menos.
Isso não quer dizer que o ensino tradicional não tenha seu valor. Tem, e muito. Para aqueles que querem e sabem aproveitá-lo, ele pode ensinar muito sobre disciplina e também ser um poderoso local de networking, já que contatos que você fará durante esses anos podem abrir ótimas portas no futuro.
Contudo, o ensino tradicional ainda é, sim, muito distante do mundo real. A solução oficial para isso provavelmente ainda vai demorar, já que se trata de um ambiente extremamente regulamentado. O jeito é aproveitar o ensino tradicional naquilo de bom que ele pode oferecer e, ao mesmo tempo, se colocar o mais cedo possível no mundo real, para que sua evolução seja mais rápida.

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