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Jean Pierre, fundador da PAPOOM. Crédito: Divulgação.

Rafael Mendes

Rafael Mendes

Rafael Mendes é CEO da RP Trader.

Conexão

PAPOOM, uma plataforma que transforma a realidade de comunidades, periferias e favelas

24/11/2023 09:06
A PAPOOM é uma startup que nasceu dentro da Comunidade Vila Torres e quem conversou conosco foi o Jean Pierre, CEO e fundador da empresa. Jean nasceu e morou por mais de 30 anos na Vila Torres e, como morador desse espaço, ele desenvolveu um olhar especial sobre as questões sociais. Seus avós, inclusive, participaram da criação da associação de moradores da comunidade.
A ideia da startup veio em 2018, quando ele morava na Vila Torres e teve a necessidade de comprar algo para comer. Deparou-se, então, com todos os estabelecimentos fechados. Ao voltar para casa, ele sentiu o cheiro da comida de uma vizinha e teve vontade de conhecê-la e ser conhecido por ela para, quem sabe, comprar uma refeição que ela fazia. Dessa forma, o insight foi o de desenvolver uma plataforma que conectasse vendedores e compradores dessa comunidade, o que ajudaria a fortalecer o comércio desse espaço, movimentando a economia a partir das atividades de seus moradores.
Nascida em 2018, atua ativamente no mercado há 2 anos, em 17 comunidades do Rio de Janeiro e do Paraná. A PAPOOM impacta em torno de 600 mil pessoas, com mais de 18 mil compradores. Na plataforma de marketplace, os quase 1 mil empreendedores cadastrados já movimentaram em torno de 350 mil reais. O plano de crescimento para 2024 é chegar a 100 comunidades, impactando um público de 2 milhões de pessoas.
É importante destacar que a PAPOOM visa solucionar as dores de comunidades, onde aplicativos grandes e conhecidos não chegam e, portanto, não atuam e não solucionam essa dor, que é a comunicação, a conexão entre serviços, produtos e seus consumidores.
O foco, portanto, é preencher esse gap para movimentar a economia dessas comunidades por meio do desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, a plataforma visa solucionar o problema citado da conexão entre empreendedores e compradores.
Além disso, por meio do PAPOOM Educa, são oferecidos cursos de formação para empreendedores dessas mesmas comunidades, com parcerias com empresas de educação na área de gestão de negócios. Afinal, quanto mais esses empreendedores estiverem preparados para o mercado, maiores serão as habilidades para utilizar as ferramentas da plataforma. Todo esse olhar e essas ações geram conexões e negócios importantes, especialmente em lugares que carecem desses dispositivos.
Sobre a sua origem, Jean afirma que existe uma máxima que diz que “se você não é da favela, você não entra nela”. Isso porque, para adentrar em espações tão estigmatizados, é essencial conhecer o seu funcionamento.
Ou seja, um olhar de dentro faz a diferença na compreensão das questões específicas desses lugares e, consequentemente, em como a PAPOOM pode atuar e solucioná-los. Considerando esse aspecto, ele afirma que, sem conhecer as entranhas dessas comunidades, não seria possível pensar e desenvolver uma ferramenta que atendesse às demandas de seus moradores.
Para ele, até ao apresentar a PAPOOM, falar de onde ele veio, abre portas. Além disso, sua experiência em projetos sociais também traz um olhar que abrange transformações mais amplas, que resolvam problemas para além do propósito inicial e mais evidente de sua empresa.
O passo fundamental para vender um produto ou serviço dentro das comunidades, periferias e favelas é estar dentro desses lugares. O mercado nas periferias movimenta mais de 2 bilhões de reais. Ou seja, há um mercado fora delas que quer vender para elas e vice-versa.
No entanto, para isso acontecer, é preciso que as empresas e empresários estejam dentro desses espaços e sejam reconhecidos como parte deles, gerando relacionamentos e conexões. Essa relação ajuda na compreensão para que os serviços oferecidos sejam mais adequados e, como consequência, aceitos.
Esse “fazer parte” só acontece de fato estando dentro, conversando com lideranças e sentindo como as coisas funcionam. Segundo Jean, o ritmo acelerado dessas comunidades precisa ser bem entendido para que seja possível fazer parte dele.
Apesar do sucesso da PAPOOM, é claro que a vida empreendedora não é sempre um mar de rosas. Para o seu fundador, a base para o sucesso está em identificar uma dor relevante para muitas pessoas. Assim, a ideia é desenvolver ações para solucioná-la.
A partir daí, caso seja possível investir e iniciar as atividades, ótimo. No entanto, se for necessário buscar investidores, é essencial encontrar pessoas que reconheçam e entendam a dor que você quer solucionar e acreditem que esse investimento é relevante e vale a pena.
Evidentemente, os altos e baixos na vida de empreendedores acontecem, e lidar com eles não é fácil. Por isso, ter um time que seja suporte para seguir em frente diante dos momentos difíceis é algo importante.
Na PAPOOM, Jean procura mentores que o ajudem a pensar em soluções para os problemas que aparecem. Esses mentores ajudam a trazer um olhar experiente e, ao mesmo tempo, diferente, que enriquece a busca por soluções.
Além disso, ele cita a persistência e resiliência que os empreendedores precisam ter para permanecerem acreditando em seu propósito e agindo para dar andamento ao negócio, especialmente nas situações turbulentas. O aprendizado constante também é crucial. Afinal, a velocidade das mudanças e inovações é altíssima e precisa ser acompanhada por empresários de todos os segmentos. Por fim, Jean cita como último ponto a capacidade de comunicar com clareza suas ideias, seja para investidores, concursos, seu time ou seus clientes.
Em relação à visibilidade, para construir uma marca profissional forte, Jean Pierre afirma que, em primeiro lugar, é necessário entender a jornada do seu cliente e os principais pontos de conexão desse cliente, desde a descoberta da empresa até o fim de sua experiência de compra ou venda, no caso da PAPOOM. Nesse contexto, a empatia constante, mesmo que um indivíduo não baixe o app da marca, é essencial para que ele entenda o que você faz e por que você merece a confiança dele. Ou seja, essa relação, como outras da vida, é uma construção e precisa ser alimentada para ser frutífera.
Uma mensagem final de Jean para os leitores é a importância de entender o conceito de ecossistema, considerando em que segmento e espaços uma empresa quer atuar. Segundo ele, compreender, no caso da PAPOOM, como o ecossistema da comunidade pode ser um sucesso. A responsabilidade da empresa, então, é contribuir para além do serviço inicial, ou seja, enriquecer todo o crescimento desses espaços, visando resultados para essas comunidades que extrapolem o propósito apenas da empresa, mas que incluam as reais necessidades do mercado onde atuam.

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