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Fabio Gonçalves, diretor de talentos internacionais da Viral Nation. Crédito: Divulgação.

Rafael Mendes

Rafael Mendes

Rafael Mendes é CEO da RP Trader.

Influenciadores

Creator economy: quais as projeções para o mercado bilionário de influenciadores em 2024?

19/01/2024 15:11
Empresas do exterior enxergam cada vez mais o Brasil como um berço de criadores de conteúdo. Se você consome internet regularmente, é bem provável que já tenha escutado os termos “influenciadores digitais”, “criadores de conteúdo”, “influencers” e outras variações dos produtores de conteúdo em plataformas da web. Independente da nomenclatura, todos eles fazem parte de um único setor chamado creator economy, um ecossistema de indivíduos que criam, distribuem e monetizam seu próprio material criativo.
No Brasil, a cultura da produção de conteúdo segue a corrente de crescimento e a constatação disso pode ser mensurada por números. Conforme a pesquisa "Future of Creativity", da Adobe, o número de influenciadores é estimado em 303 milhões, sendo 9 milhões brasileiros, de acordo com a consultoria Influencity Marketing Hub. Números esses que têm chamado cada vez mais a atenção de empresas do exterior, como é o caso da Viral Nation, uma agência de influenciadores que passou a investir nos creators brasileiros.
“O crescente sucesso da indústria de influenciadores brasileiros está abrindo portas para mais parcerias de marcas sediadas nos EUA. Isso permite que eles ganhem mais por meio de acordos com marcas e expandam seu público”, diz Fabio Gonçalves, diretor de talentos internacionais da Viral Nation, que cuida da carreira de renomados produtores de conteúdo do Brasil, como Julio Cocielo e Letícia Gomes.
O executivo acredita que a tendência de investimentos do exterior no mercado de creators do Brasil se dá por alguns motivos. “Aqui, o público é massivo e engajado, o que faz do país o 3º em maior engajamento de mídia social do mundo. Os brasileiros também são altamente receptivos às recomendações de influenciadores, tornando o mercado rico para marcas. Além disso, há por aqui diversidade e dinamicidade: desde mega influenciadores até micro-influenciadores de nicho, o cenário atende a diversas necessidades e orçamentos de marca. Os micro-influenciadores, por exemplo, oferecem alcance direcionado e alto engajamento”, conta.
“Outro ponto é que os brasileiros são autênticos e relacionáveis. Dessa forma, costumam priorizar a autenticidade e a transparência, promovendo fortes conexões com seus seguidores. Essa autenticidade ressoa com o público e gera confiança. Por último, mas não menos importante, está a cultura do "mobile first". No Brasil, o WhatsApp é rei, com mais de 120 milhões de usuários. Por isso, as marcas devem adaptar suas estratégias de marketing de influenciador para ter o alcance e o engajamento ideais”, analisa.
Já em relação à economia em si, um outro estudo realizado pela plataforma de marketing Collabstr mostra que o mercado global de criadores de conteúdo vem crescendo mais de 40% por ano desde 2019, tendo movimentado US$ 16,4 bilhões, cerca de R$ 80,45 bilhões apenas em 2022. Para Gonçalves, o crescimento se dá pelo fato de os produtos e marcas focados em criadores estarem se tornando mais populares e, também, porque o marketing de influência se tornou mais convencional e amplamente compreendido como uma estratégia necessária do planejamento de qualquer empresa do ramo.
Na opinião do executivo, o balanço de 2023 só mostra que a tendência da ferramenta é real. Hoje, é necessário que artistas emergentes em suas indústrias, como modelos, músicos, atores e humoristas, por exemplo, estejam em uma rede como o TikTok para potencializarem seus métodos de divulgação. Ele acrescenta a importância da durabilidade da relação marcas versus influenciadores como outro fator para essa expansão.
“As parcerias de marcas estão se tornando mais duradouras com os influenciadores, pois estão percebendo um melhor engajamento, já que os consumidores confiam na promoção feita pelos influenciadores. As marcas estão estabelecendo relacionamentos de longo prazo com talentos específicos que se tornam defensores de produtos específicos ou da marca como um todo. Tornam-se especialistas de referência para os consumidores. Além disso, o acesso multiplataforma tornou-se mais fluido, permitindo que marcas e influenciadores se diversifiquem em plataformas e formatos de conteúdo”, afirma.
A inteligência artificial foi um grande potencializador e ajudou no crescimento do marketing de influência, apesar da necessidade de melhorias, segundo análise de Gonçalves, que também cita outros pontos: “A IA ainda precisa de tempo para resolver as questões iniciais. As reformas em torno disso estão indefinidas, como está sendo usada e o que é possível fazer com ela”.
“Outra questão são as proibições no TikTok, que são problemas contínuos sem resolução; o debate e as restrições em torno da privacidade ainda são um tópico quente globalmente. Por isso, existe a exigência da estratégia multiplataforma para influenciadores e marcas que forçaram os criadores de conteúdo de todos os tamanhos a adotarem uma estratégia envolvendo outras mídias sociais mais rapidamente do que o esperado” continua.
Na visão do diretor da Viral Nation, influenciadores e marcas terão que mudar o foco para qualidade em vez de quantidade em conteúdo e engajamento, porque, com a imensidão de conteúdo que é produzido atualmente na internet, torna-se fácil e até provável que a produção de um criador caia em um limbo. "A superexposição cria a falta de capacidade para potencialmente conquistar seguidores leais. Exemplos disso são o crescente número de podcasts e de influenciadores lançando seus próprios produtos para os seguidores”.
Para este ano, Gonçalves faz uma projeção otimista e revela como sua agência vem se preparando para as mudanças: “Em 2024, esperamos ver produtos voltados para criadores se tornarem mais convencionais, com o marketing de influência assumindo o centro do palco para as marcas. Os profissionais de marketing irão deslocar significativamente seus orçamentos e recursos para investir em influenciadores, em vez de adotar táticas mais tradicionais, dada a eficácia demonstrada ao utilizar influenciadores”.
“A forma de nos prepararmos é lançando uma representação abrangente de talentos no Brasil para apoiar o crescimento da indústria na região: parcerias de marcas, relações públicas e marketing, podcasting, programação original, sindicalização, OTT/licenciamento, empreendimentos e suporte a conteúdo e plataforma. Nossos agentes de talentos estão imersos nas culturas de outros países e no cenário das redes sociais, além de falar idiomas diversos e possuir conexões com marcas do exterior”, finaliza.

E vem aí o GazzSummit

O GazzSummit Agro e Foodtechs é uma iniciativa pioneira do GazzConecta para debater o cenário de inovação em dois setores de grande relevância para o país. O evento será realizado nos dias 8 e 9 de maio de 2024 com o propósito de conectar e promover conhecimento para geração de novos negócios, discussão de problemas e desafios, além de propor soluções para o setor.
O GazzSummit promove a disseminação de tecnologias e práticas de inovação que possam levar a cadeira produtiva ainda mais longe. Uma super estrutura espera os participantes, que poderão conferir mais de 30 palestrantes e mais de 300 empresas. O evento vai reunir players importantes do ecossistema como grandes empresas, cooperativas, produtores, entidades públicas, startups e inovadores. Garanta já a sua inscrição no site.

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