A IA Agentic inaugura uma nova era nos negócios, com agentes autônomos que executam, orquestram processos e redefinem vantagem competitiva. Crédito: Thanadon88/Bigstock.
Rucelmar Reis
Rucelmar Reis é empreendedor, com vasta experiência em tecnologia e negócios digitais. Fundador e sócio de diversas empresas, atua como mentor e conselheiro de startups. Formado em ESADE Barcelona e MIT, une visão estratégica e prática no desenvolvimento de negócios.
Por um acaso, você tem se sentido frustrado com a incapacidade de entender tudo que está acontecendo nos nossos negócios ultimamente? Se a resposta for sim, bem-vindo à Incongruência da Aceleração. O mundo está mudando tão rápido que a novidade de ontem já é o entulho tecnológico de amanhã. E se você, empresário, ainda acha que IA é apenas um "chat" bonitinho para responder mensagens de clientes, você faz parte de um grupo grande de empreendedores atuais, que não sabem que o jogo mudou, e você pode estar perdendo para a sua concorrência por WO. Ou seja, nem entrando em campo para competir está mais.
Mas, ok. Então o que está acontecendo? Entramos definitivamente na Intelligence Age. Não é mais sobre contratar uma ferramenta; é sobre a capacidade de permear a tecnologia nos negócios, através de agentes de execução e orquestração. A tecnologia deixou de ser apoio para se tornar o próprio modelo de negócio. Mas aqui está a provocação e o alerta: se a sua empresa não está colocando inteligência em todos os seus departamentos, quem não está sendo inteligente é você.
O Fim do "Chat" e o Início do AgenteA IA que apenas responde perguntas está morrendo. O que emerge agora é a IA Agentic. Imagine agentes autônomos que não apenas sugerem o que fazer, mas executam. Eles prospectam, fecham vendas, auditam o financeiro e gerenciam talentos enquanto você dorme. Parece futurístico, certo? Era futurístico no passado. Agora é presente.
O diferencial competitivo não será o acesso à tecnologia, mas a capacidade de governança e adaptação que os novos modelos de negócios exigirão
Mas, tem um ponto de muita atenção: 69% das empresas admitem que, na pressa de ganhar velocidade, comprometeram a segurança e a escalabilidade. Elas criaram a Dívida Técnica. É o empresário que compra um software de última geração, mas mantém processos da década de 90. O resultado? 63% dizem que o custo de manter esse "puxadinho tecnológico" impede novos investimentos. É a âncora que vai afundar o seu navio se você fizer isso.
Inteligência 360: onde está o seu gargalo?
A tecnologia está disponível para todas as áreas. Não há desculpa. Se você não enxerga onde ela possa se aplicar no seu negócio, olhe de novo, pois talvez você não tenha entendido o que ela é capaz de fazer. Alguns exemplos:
Auditoria Financeira Inteligente: Chega de auditoria retroativa. Queremos previsibilidade e detecção de fraudes em milissegundos.
Marketing Inteligente: A hiperpersonalização não é mais um luxo, é o padrão. Se você não fala a língua do seu cliente em escala, você é invisível, pois a voz do seu concorrente que fala exatamente a mesma linguagem de vários clientes diferentes, vai te deixar quieto e sem relevância.
Vendas Inteligentes: Prospecção autônoma que aprende com cada "não" e otimiza o funil sem intervenção humana constante.
RH Inteligente: Gestão de talentos baseada em dados, não em "feeling". O futuro é um workforce híbrido: Humanos + IA.
O salto de maturidade ou o abismo da ilusão?
O relatório KPMG Global Tech Report 2026 aponta que 50% das empresas acreditam que chegarão ao topo da maturidade tecnológica até o fim de 2026. É um otimismo agressivo, para não dizer delirante, se considerarmos que apenas 11% estão lá hoje. Existe um gap perigoso entre a ambição estratégica e a capacidade real de execução.
O ROI em tecnologia não é linear. Ele exige novas métricas. 58% afirmam que as métricas tradicionais não funcionam para IA. Só isso já seria suficiente para repensarmos tudo. Se você ainda mede sucesso apenas por redução de custos, você está olhando para o retrovisor enquanto dirige a 200 km/h.
A escolha
A estratégia estática morreu. A adaptação virou a competência central. As organizações de maior sucesso destinam 42% do seu budget para o crescimento, enquanto as outras estão apenas tentando manter as luzes acesas. Então, a decisão de ficar parado ou se mexer rumo aos novos negócios, precisa ser consciente e não tomada por acaso. Ou se entende que essa decisão não é para depois, ou daqui a pouco não haverá decisão a ser tomada.
A próxima onda já está aqui: Quantum, AGI, ASI. O tempo de "testar" acabou. Agora é tempo de orquestrar. Se você continuar tratando a IA como um acessório e não como o coração da sua operação, não reclame quando o mercado te descartar. E ele vai te descartar.
A tecnologia é ainda artificial. A inteligência é sua.