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Cada vez mais, investidores vêm aumentando aplicação em criptomoedas e reduzindo seus ativos em dinheiro tradicional. De onde vem essa tendência?

Andre Inohara

Andre Inohara é cofundador e CEO da Inovasia, consultoria de educação executiva que ajuda empresas brasileiras a se conectar aos modelos mais disruptivos de negócios na Ásia. Antes de criar a Inovasia, André atuou como assessor de comunicação na Amcham, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, e ajudou a criar o conteúdo multiplataforma da entidade. É jornalista e administrador, com MBA em Informações Financeiras pela FIA (Fundação Instituto de Administração) e pós-graduação em Comunicação Digital pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Ativo valioso

Pagamentos com criptomoedas será futuro próximo tanto na China como no Brasil

20/01/2021 18:45
Nos últimos meses, multimilionários e investidores institucionais chineses vêm aumentando suas aplicações em criptomoedas e diminuindo a exposição em ativos tradicionais – ações, fundos e imóveis – no mercado americano.
O motivo da migração vai além do retorno financeiro. Mesmo diante da perspectiva de mais diálogo e flexibilização comercial do novo governo americano – que começa nesta quarta, 20 de janeiro – com a China, isso não deve acontecer de imediato. Enquanto isso, os chineses ricos estão preocupados com possíveis novas regras restritivas de movimentação de recursos no mercado de capitais dos EUA.
A tensão política é um fator que causa muita desconfiança entre os chineses, mas não é o único. A inclusão de ativos digitais nas carteiras de investimento é consequência da percepção de que o uso de criptomoeda como um meio de pagamento é um caminho sem volta.
O governo chinês está fazendo uma série de testes oficiais para a adoção da sua moeda virtual soberana: o renminbi (RMB) digital, que será lastreado pelo banco central do país. É também uma forma de o governo central manter o controle sobre os meios de pagamentos virtuais, amplamente popularizados pelas big techs chinesas.
Alibaba e Pinduoduo, por exemplo, são algumas das big techs que já estão rodando seus testes de pagamento com a moeda virtual oficial. Se o cronograma não sofrer atrasos, a China deverá ser o primeiro país do mundo a adotar uma criptomoeda soberana em 2022, durante as Olimpíadas de Inverno em Pequim.
Fato é que os chineses
de alta renda escolheram as criptomoedas também como um porto seguro para os seus
ativos. Para se ter uma ideia da rentabilidade, o Bitcoin – a criptomoeda mais
conhecida – está sendo negociado por 34,6 mil dólares. Há um ano, seu valor de
mercado era de 8,7 mil dólares.
A Chainalysis,
empresa americana de análise de criptomoedas, estima que cerca de 50 bilhões de
dólares em criptomoedas foram transferidos do Extremo Oriente para contas no
exterior nos 12 meses que terminam em junho de 2020. A China foi responsável
por 65% do volume.
Outra coisa
que agrada aos investidores é o desenvolvimento de um sistema financeiro descentralizado
mais robusto, que não é controlado por algumas poucas partes interessadas –
leia-se governos e grandes instituições financeiras. Com criptomoedas, a
expectativa é que os capitais possam circular pelo mundo com mais fluidez e
menos burocracias e taxas.
Também é
preciso lembrar que muitas transferências transfronteiriças de dinheiro são
lastreadas pelo dólar americano. Uma descentralização do sistema financeiro
mundial tem tudo para diminuir a influência da moeda americana nas operações
internacionais. Para os chineses, isso é uma garantia adicional de que a sua
moeda ganhará força como padrão de troca mundial.
A adoção de uma moeda virtual soberana é o desejo de vários países, que estudam há muitos anos a melhor forma de desenvolvimento. No Brasil, há estudos para a criação do real virtual em 2022. Paulo Guedes, ministro da economia, declarou que o real digital deve ser lançado em 2022.
Para que isso aconteça, é preciso viabilizar um sistema de pagamentos instantâneos no país, que seja conversível e internacional, disse o ministro. Isso vem acontecendo com a entrada do Pix no fim de 2020, com o qual já é possível realizar pagamentos instantâneos. Mas o sistema está apenas começando por aqui.
O Banco Central disse ter feitos estudos para a aplicação da
moeda virtual e que o Brasil está à frente de muitos países. Até agora, não
temos notícia de nenhum teste de real digital sendo executado.
Seja como for, a adoção de uma moeda virtual não vai extinguir a moeda de papel. Mas a sua adoção vai tornar a circulação do dinheiro mais rápida e com menos custos bancários. A economia e os brasileiros só têm a ganhar com isso.

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