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Plataforma da Huawei em uso em um modelo BYD.

Andre Inohara

Andre Inohara é cofundador e CEO da Inovasia, consultoria de educação executiva que ajuda empresas brasileiras a se conectar aos modelos mais disruptivos de negócios na Ásia. Antes de criar a Inovasia, André atuou como assessor de comunicação na Amcham, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, e ajudou a criar o conteúdo multiplataforma da entidade. É jornalista e administrador, com MBA em Informações Financeiras pela FIA (Fundação Instituto de Administração) e pós-graduação em Comunicação Digital pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Tecnologia

Big techs chinesas competem para oferecer o melhor serviço de conexão para carros

16/12/2020 13:15
Independente do modelo de carro zero que você admira ou planeja
comprar, ele vai ter, no mínimo, um GPS e conectividade com celular, tablet e
mídia. Pode ser também que você não tenha pressa e esteja esperando chegar por
aqui um modelo autônomo para chamar de seu.
Ah, claro! Tem a parte mecânica, porque é importante o motor
ser potente e gastar pouco combustível. Também precisa ter direção elétrica, estabilidade
nas curvas, conforto e um belo design. Ou qualquer outro quesito. O fator
desempenho certamente é fundamental na escolha do carro, mas ele está perdendo
terreno na decisão de compra para a conectividade embarcada dos modelos.
Para o consumidor, o que conta muito – e cada vez mais vai
ser assim – é a comodidade de conversar com amigos ou colegas de trabalho e até
fazer compras via comando de voz enquanto se está no trânsito. E dirigindo com atenção
e cautela, certamente.
Casos como esse vem acontecendo com recorrência na China, país
com a maior penetração de rede 5G e onde estão sendo criados os softwares de interatividade
automotiva mais avançados do mundo. Mais chamativo ainda é que esse
desenvolvimento não está sendo liderado pelos fabricantes de carros.
A inventividade vem das gigantes tech da China, como o trio
BAT – Baidu (o Google chinês), Alibaba (maior e-commerce do mundo) e Tencent
(dona do app de conversas WeChat) e a telecom Huawei. Vindas de ramos diversos,
como mídias sociais e compras online, as techs se enfrentam em uma nova arena
mercadológica: o desenvolvimento de softwares de carro.
A consultoria McKinsey estima que o mercado global de software automotivo deve mais do que dobrar para US$ 84 bilhões em 10 anos. Até 2030, uma fatia considerável do mercado global de automóveis terá sistemas embutidos de direção autônoma, infotainment (acessar informações mecânicas ou controlar funcionalidades do carro via celular) e conectividade. Além de softwares, a consultoria projeta um mercado de componentes eletrônicos e sensores para carros autônomos e conectados atingindo US$ 469 bilhões.
Big techs no painel de direção
Já faz alguns anos que o BAT vem medindo forças no mercado
automotivo chinês. O Alibaba controla o principal sistema operacional para
carros conectados, o AliOS, que equipa cerca de 1 milhão de veículos. Mas Baidu
e Tencent têm sistemas operacionais próprios que ganham popularidade
rapidamente entre os motoristas.
Por sua vez, o Baidu é líder da tecnologia de reconhecimento
de voz e está presente em mais de 600 modelos automotivos. Segundo o instituto
IHS Markit, esse sistema estará em 1,8 milhão de carros novos até 2022. É um
volume maior do que a soma dos sistemas da Tencent e Alibaba.
Pelo seu DNA, a Tencent aposta em mídia. Provedora de streaming de música e redes
sociais, a Tencent usou sua expertise para criar serviços personalizados de entretenimento em veículos. Do
celular, os usuários podem sincronizar música e audiobooks, entre outras
mídias, e reproduzir o som a partir dos alto falantes do carro.
No quesito
mídia, a Tencent nada de braçada. O WeChat é o app de mensagens mais popular da
China e as montadoras fazem questão de oferecer o acesso em seus carros. O apelo
de venda é forte e justificado. O modelo SUV CS75 Plus, da montadora Chang'an, foi
o primeiro a sair da fábrica com uma versão de WeChat operada por voz e vendeu 200
mil carros um ano após o lançamento. A montadora declarou que vai incorporar o
serviço em todos os modelos.
Por último e não menos importante, a telecom Huawei tem o
melhor serviço de conectividade de todas as big techs. Os recursos incluem comunicação 5G entre carro
e estação base de celular e cockpit digital de alta capacidade para processar
linguagem natural e classificação de objetos.
Sua plataforma
HiCar é semelhante ao CarPlay da Apple e ao Android Auto do Google, e permite espelhar
um dispositivo Huawei para o painel do carro. A telecom negocia com 20
montadoras, incluindo a BYD, o lançamento do sistema em 150 modelos, o que deve
somar 5 milhões de carros até o fim de 2021.
Cada vez mais o futuro da indústria automobilística passa pela
conectividade. Enquanto as grandes montadoras não aprenderem a desenvolver esse
tipo de solução, as empresas de tecnologia é que terão voz ativa no
desenvolvimento. Isso tem causado alguns conflitos entre montadoras e empresas
de tecnologia.
Embora Apple e Google venham trabalhando em modelos
autônomos próprios, por enquanto nenhuma similar chinesa de tecnologia demonstrou
interesse em construir carros. Mas o que se vê é que, querendo ou não, montadoras
e techs parecem destinados a trabalhar juntos.
Falando em carros conectados, ainda vai demorar algum tempo para dirigirmos modelos chineses ou de outro país aqui no Brasil. Um dos motivos é a baixa oferta desses veículos por aqui e a outra é que a nossa irregular e mal distribuída rede de 4G pelo território nacional não consegue rodar com eficiência parte das funcionalidades já presentes nos novos carros.

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