
Cris Alessi
Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.
Jornadas de inovação
Tendências da tecnologia e perspectivas estratégicas: um olhar para 2026
O ano de 2025 marcou o ponto de inflexão definitivo para a tecnologia global: a Inteligência Artificial passou a ser infraestrutura crítica para negócios, governo e sociedade. Empresas relataram ganhos expressivos com automação inteligente, e o cenário de IA aplicada a diagnósticos, logística e criação de conteúdo consolidou a percepção de que a tecnologia não é mais diferencial — é pré-requisito.
Gigantes como OpenAI (ChatGPT-4o), Google (Gemini) e Anthropic (Claude 2 e 3) impulsionaram a corrida global por domínio tecnológico, enquanto eventos como o AI Action Summit (Paris, França) e o GITEX Asia (Singapura) impulsionaram uma agenda política da inovação. No ecossistema da américa latina, vimos o aumento de maturidade de startups, surgimento de novas lideranças e uma aproximação concreta com o mercado de capitais. É nesse contexto que 2026 se desenha como um ano de consolidação, mas também de expansão estratégica.
E essa expansão acontece em torno de algumas tendências distintas:
IA Autônoma e Agentes com Memória
O próximo estágio da IA não é apenas responder, mas atuar. Agentes inteligentes capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma já estão sendo integrados a sistemas corporativos. O diferencial em 2026 será a busca de uma capacidade de memória contextual dessas IAs — lembrar decisões anteriores, preferências de clientes e fluxos históricos para personalizar interações com profundidade.
Verticalização Inteligente
Modelos de linguagem generalistas estão dando lugar a soluções especializadas por setor. Fintechs, healthtechs e agtechs estão criando suas próprias fundações de IA, com conhecimento técnico profundo e dados setoriais. Isso reduz erros, acelera integrações e aumenta a confiança no mercado.
Transformação Tecnológica em Setores Antes Esquecidos
Construção civil, serviços e saúde são setores que historicamente resistiram à digitalização — mas que agora são campo fértil para a disrupção. A entrada da IA nesses mercados promete ganhos exponenciais.
A tecnologia vai para mais perto de onde as coisas acontecem
Parte do processamento começa a sair da “nuvem” e ser realizado bem mais perto do usuário — direto nos aparelhos, sensores ou redes locais. Uma tendência chamada edge computing.
Isso é importante porque deixa tudo mais rápido e mais estável, mesmo em lugares com internet ruim, como áreas rurais ou regiões mais afastadas no Brasil, na África ou na Ásia. Em 2026, essa mudança vai permitir que mais pessoas e empresas se conectem e usem tecnologia de forma inteligente, sem depender tanto de grandes servidores distantes.
Tokenização de Ativos e Nova Infraestrutura Financeira
Tokenização significa transformar ativos do mundo real — como imóveis, contratos ou dívidas — em representações digitais seguras, que podem ser negociadas com facilidade, transparência e rapidez. Com isso, fintechs e blockchains passam a atuar como infraestrutura para mercados emergentes. Essa inovação está permitindo que pessoas e empresas tenham acesso a formas mais ágeis de financiamento, especialmente em mercados como o Brasil e a América Latina, onde o crédito tradicional ainda é limitado.
IA Invisível: De recurso a infraestrutura
A verdadeira revolução em 2026 será a normalização da IA. Assim como ninguém mais chama smartphones de “telefones inteligentes”, a IA será invisível — integrada a todas as interfaces, produtos e experiências. A competição entre empresas não será mais sobre “ter IA”, mas sobre como ela está incorporada ao valor entregue.
Em resumo, 2026 é menos sobre "adotar" tecnologia e mais sobre como estruturá-la como vantagem competitiva real, sustentável e invisível.
Se você lidera uma startup, uma área de inovação, um fundo… a pergunta para 2026 não é “qual a próxima tecnologia”, mas sim:
“Como estruturar inteligência em tudo que entregamos, operamos e investimos.”
“Como estruturar inteligência em tudo que entregamos, operamos e investimos.”
Bora la?



