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Crédito: Bigstock

Cris Alessi

Cris Alessi

Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.

Jornadas de inovação

NVIDIA e a consolidação da inteligência artificial física

19/01/2026 15:49
Todo início de ano, fico de olho no que acontece na CES — Consumer Electronics Show, o maior evento de tecnologia do mundo, realizado em Las Vegas. É um daqueles momentos em que o futuro parece chegar mais perto. No ano passado, comentei aqui sobre a palestra de Jensen Huang, CEO da NVIDIA, que fez uma verdadeira retrospectiva da revolução que a empresa provocou nas últimas décadas — da criação dos chips gráficos que transformaram o mundo dos games até o nascimento do deep learning e da inteligência artificial generativa. Huang descreveu então uma jornada que caminhava das máquinas que aprendem, para os agentes de IA que executam, até chegar à inteligência artificial física, conectada ao mundo real.
Um ano depois, na abertura do evento, Huang voltou ao palco para mostrar que essa visão começa a se concretizar. A nova geração de plataformas da NVIDIA, liderada pela Vera Rubin, marca a entrada definitiva da IA no campo das ações práticas, não apenas como um sistema que “pensa”, mas que age, interage e transforma o ambiente físico. O nome homenageia a astrônoma que descobriu a matéria escura — uma metáfora perfeita: a NVIDIA quer iluminar o que ainda é invisível na interação entre humanos, máquinas e dados.
Huang apresentou a Vera Rubin como um ecossistema completo, combinando chips, softwares e servidores projetados para acelerar o treinamento e a execução de modelos de IA. Em termos simples, é como se várias peças de um grande quebra-cabeça passassem a trabalhar em perfeita sincronia, tornando o processo de criação e aplicação de inteligência artificial dez vezes mais eficiente e sustentável. Isso significa que empresas de todos os tamanhos — e não apenas os gigantes da tecnologia — poderão utilizar IA de ponta sem precisar de investimentos milionários em infraestrutura
Um ponto importante da apresentação foi o anúncio de que a NVIDIA planeja abrir partes da plataforma Vera Rubin para uso colaborativo, permitindo que setores estratégicos, como saúde, mobilidade e veículos autônomos, possam desenvolver soluções sob o mesmo ecossistema. Na prática, hospitais poderão treinar modelos de diagnóstico baseados em suas próprias bases de dados, sem depender de sistemas externos; montadoras e startups de transporte poderão criar algoritmos de direção autônoma em ambiente seguro e padronizado. Essa abertura consolida a NVIDIA não apenas como fabricante de chips, mas como infraestrutura-base para a IA aplicada.
O ponto alto da apresentação foi a demonstração de como essa IA começa a ocupar espaços reais. A NVIDIA mostrou exemplos de robôs equipados com inteligência generativa capazes de aprender novas tarefas observando humanos, e veículos autônomos que tomam decisões explicáveis em tempo real — como o novo Mercedes-Benz CLA, desenvolvido com tecnologia da empresa. Huang descreveu esse movimento como “a IA saindo das telas para entrar nas ruas”.
O impacto dessa transformação vai muito além da indústria automotiva. Imagine hospitais onde assistentes de IA auxiliam médicos a planejar cirurgias, fábricas que se reorganizam sozinhas diante de falhas de produção, ou cidades em que sistemas inteligentes gerenciam o trânsito e o consumo de energia com base em dados em tempo real. São exemplos que trazem para o cotidiano o que, há poucos anos, parecia ficção científica.
Huang reforçou ainda que o propósito da NVIDIA não é apenas criar máquinas mais poderosas, mas democratizar o acesso à inteligência artificial — torná-la uma força de inclusão e produtividade, capaz de gerar impacto econômico e social. Segundo ele, o próximo salto não será apenas tecnológico, mas humano: aprender a trabalhar com a IA como parceira, e não como substituta.
A NVIDIA é hoje uma das principais orquestradoras da era da inteligência artificial, e Jensen Huang, um dos maestros. Se em 2025 o discurso era sobre o futuro que se aproximava, em 2026 o tom foi de concretização — de uma IA que já não vive apenas nos laboratórios, mas começa a moldar o mundo real.