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Temos que pensar sobre a não conectividade, pois o abismo digital cada vez mais tem ampliado o abismo social da população.

Cris Alessi

Cris Alessi

Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.

Transformação digital

Nova solução para as zonas mortas de conectividade

16/10/2023 19:26
Tenho falado muito aqui sobre transformação digital, assunto que está na pauta do mundo inteiro. As mudanças e avanços tecnológicos impõe pressões sociais, empresariais e governamentais sobre produtos e serviços digitais. Essa é uma realidade da grande maioria da população mundial. Hoje, todo mundo está conectado!  Essa é uma quase verdade - e pensarmos sobre ela também é fator importante para a transformação digital.
Segundo o relatório Digital 2023: “Brazil, de We Are Social e Meltwater”, a proporção de brasileiros conectados chegou a 84,3%. Com isso, o país chegou à marca de 181,3 milhões de internautas dentre os 211 milhões de habitantes. É um número muito significativo, mas não podemos dizer que é todo mundo, certo?
Os países que estão na liderança no ranking, Suíça e Noruega, possuem população conectada que chega a 98,4% e 99% do total, respectivamente. Falando de uma realidade mais próxima à nossa, os internautas representam 90,2% do povo chileno, 87,2% do argentino e 90,1% do uruguaio. Índices acima dos brasileiros.
Em outro extremo, a África tem penetração de menos de 30%, a Índia tem menos de 50% de pessoas conectadas e em países mais pobres da Ásia/Pacífico são 65%. A média mundial é de  64,4% da população conectada. Há uma expectativa que existam cerca de 500.000 milhas quadradas (1,294,995,000km²) descobertos pela conectividade.
Temos que pensar sobre a não conectividade, pois o abismo digital cada vez mais tem ampliado o abismo social da população. Pessoas, regiões e países não conectados estão à margem de produtos e serviços; informação e conhecimentos; de acesso e inclusão cada vez mais necessário em um mundo globalizado.
Criar uma infraestrutura de conectividade em um país não é tarefa simples. Alguns pontos são críticos e podem influenciar o acesso à internet como a infraestrutura das telecomunicações; o acesso à banda larga; o custo do acesso; a regulamentação; as condições climáticas e a disponibilidade geográfica.
Estamos presenciando a evolução e esforço de governos e empresas para solucionar problemas relacionados a esses pontos e, na semana passada,  houve um anúncio interessante e instigante vindo da operadora norte-americana T-Mobile em parceria com a SpaceX - empresa fabricante de naves espaciais, provedora de serviços de lançamento e de comunicações via satélite - mais conhecida pelo seu fundador, Elon Musk (já falei dele em um outro artigo).
“O fim das zonas mortas de conectividade”. SpaceX Starlink e T-Mobile anunciaram que o serviço 5G se conectará aos satélites a partir de 2024. No Starbase, Elon Musk (o engenheiro chefe da SpaceX) e Mike Sievert (CEO e Presidente da T-Mobile), falaram sobre como as duas empresas trabalharão em conjunto para aumentar a conectividade da população global. Os satélites com  antenas enormes, entre 5 e 6 metros de diâmetro, serão lançados ainda este ano e usarão a estrutura da T-Mobile para enviar sinal de 5G para terra. Os empresários prometem “que se você vir o céu limpo, você poderá estar conectado”. Em 2024, o serviço contará com mensagens de texto e, no ano seguinte, serão implementados recursos de voz, dados e funções IoT (Internet das Coisas).
A pandemia enfatizou a dependência dos países com relação a cadeias de valor globais para a obtenção de recursos estratégicos. Eles estão convencidos de que o futuro da competitividade econômica dependerá do sucesso na transição para sociedades digitais e também da economia verde. Estamos no meio de uma corrida global econômica, social e ambiental, na qual soluções de conectividade e sustentabilidade são cada vez mais necessárias e têm cada vez mais espaço no mercado.

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