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A tecnologia precisa ser um instrumento poderoso para reduzir a desigualdade social e aumentar a expectativa de vida da população. Crédito: Shapecharge.

Gilberto Stori Junior

Gilberto Stori Junior

Analista de Comunicação no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). Possui graduação em Jornalismo pela PUCPR e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas pela Uniandrade.

Qualidade de vida

A tecnologia na gestão pública como ferramenta de desenvolvimento social e aumento da expectativa de vida

02/05/2024 15:32
O importante papel da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na administração pública tem recebido grande destaque pelo impacto positivo que é gerado aos gestores no âmbito da transparência, da otimização dos recursos públicos e da eficiência operacional com a digitalização de serviços. Apesar de esses aspectos serem fundamentais para gerar confiança e evitar desgastes na imagem do gestor público, quando se trata da modernização das cidades por meio da tecnologia, também é imprescindível pensar no desenvolvimento social e na construção de cidades mais justas e prósperas.
Mais que auxiliar na execução de um modelo de governança, seja por meio da automação de processos ou da gestão participativa, a tecnologia precisa ser um instrumento poderoso para reduzir a desigualdade social e aumentar a expectativa de vida da população. Por este motivo, tecnologias mais recentes, como internet das coisas (IoT), big data, inteligência artificial, robótica e rede de dados móveis de 5ª geração (5G), têm sido usadas em cidades consideradas inteligentes.
Segundo um estudo da Universidade de Barcelona, que analisou dados de 100 cidades europeias entre 2004 e 2019, as cidades com maior investimento em tecnologias inteligentes apresentaram uma expectativa de vida 2,7 anos superior à média. O resultado foi atribuído à melhora na qualidade do ar e na eficiência dos serviços de saúde e segurança pública.
Em um relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconheceu a relação entre cidades inteligentes e a promoção da saúde, criando até o conceito de “cidades saudáveis”. O documento destacou como a coleta e análise de dados em tempo real podem auxiliar na prevenção de doenças, no monitoramento de surtos e na otimização de recursos para serviços de saúde. A organização cita exemplos de cidades como Copenhague (Dinamarca) e Nova York (Estados Unidos), que implementam soluções inteligentes para melhorar a saúde da população.
Copenhague implantou um sistema de bicicletas públicas eficiente e sustentável, priorizando a mobilidade ativa e reduzindo a poluição do ar. O uso de sensores inteligentes aperfeiçoa a coleta de lixo e o consumo de energia, promovendo sustentabilidade ambiental e resultando em uma expectativa de vida acima da média nacional.
Em Nova York, há iniciativas como a plataforma NYC Well, que oferece suporte emocional e acesso a serviços de saúde mental, e programas de monitoramento da qualidade do ar.
Outra cidade que investe em ações inteligentes é Barcelona (Espanha). A cidade possui a plataforma digital "Decidim.Barcelona", que permite a participação ativa e democrática dos cidadãos na gestão da cidade para debater, responder e reunir propostas de projetos, alcançando o maior consenso possível sobre o que é melhor para toda a sociedade. A ferramenta é montada usando software de código aberto, para que possa ser reutilizado e melhorado.
No Brasil, destaque para Curitiba, que tem sido pioneira na gestão da educação com o Cadastro Online, sistema desenvolvido para atender as demandas de vagas em creches do município e que contribuiu para a abertura de 14 mil vagas desde 2017. Por meio dessa aplicação, as crianças são chamadas seguindo critérios que envolvem questões sociais, como vulnerabilidade, renda familiar, entre outros.
Outra ferramenta com impacto direto na vida das crianças é o sistema de Controle de Refeições, plataforma que vai garantir mais eficiência na distribuição das refeições aos alunos das mais de 450 unidades escolares do município, incluindo dietas especiais para alunos com necessidades específicas, como alergias alimentares, intolerâncias ou outros tipos de restrições alimentares, dando plenas condições para que os alunos possam se desenvolver física, social e intelectualmente.
Na saúde, a capital paranaense também se destaca pelo modelo Saúde 4.1, no qual o 4 refere-se ao modo tecnológico de fazer e o 1 é o indivíduo. Por meio desse método, políticas públicas e iniciativas são baseadas em dados, com o controle e monitoramento de epidemiologias, de pacientes com doenças crônicas ou até mesmo da saúde de gestantes.
Esses são apenas alguns exemplos que evidenciam a importância da tecnologia como instrumento para a construção de cidades mais justas, saudáveis e sustentáveis, contribuindo para a qualidade de vida e garantindo um futuro melhor para todos os cidadãos. Lembrando o que diz o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, a inovação na gestão pública só tem valor quando aplicada em processos sociais.

E vem aí o GazzSummit Agrotechs

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