Thumbnail

Startups podem deixar de existir como categoria única à medida que novas abordagens de negócios e inovação surgem. Crédito: Jirsak.

Luciano Döll

Luciano Döll

Luciano Döll é CEO e cofundador da inbix, professor de empreendedorismo e inovação, TEDx Speaker.

Inovação Corporativa

As startups vão acabar

01/04/2025 19:08
Lembro nos idos dos anos 2000, quando li um artigo cujo título era: “Computadores vão acabar”. De cara, pensei: “o que esse maluco está falando?”. Hoje, algumas semanas depois de a BYD anunciar um sistema de recarga de carros elétricos em 5 min, é mais fácil compreender. Computadores estão em todo lugar. A propósito, sobre carros, ouço as pessoas dizerem que carros elétricos desvalorizam mais. Sim, e faz sentido. Você não está comprando um carro e sim, um computador. Mas estamos aqui para falar sobre startups.
Ao pé da letra, pela Lei Complementar 182/2021, uma startup é uma empresa que tem até 10 anos de inscrição no CNPJ, tem uma receita bruta de até 16 milhões de reais no ano anterior e aplica modelos de negócios inovadores. Uber, Netflix e Nubank não são startups. Foram, mas deixaram de ser. É comum haver uma confusão conceitual sobre o que é e o que não é startup.
Startups são classificadas como insurgentes enquanto empresas já consolidadas são chamadas de incumbentes. Mas incumbentes, um dia, foram insurgentes. A General Motors quando recebeu, em 1917, um investimento de 50 milhões de dólares da Dupont, era uma startup. A propósito, há quem diga que startups são empresas que recebem rodadas de investimento. Outros, todavia, afirmam que startups são empresas que são preparadas para serem vendidas, embora a mentalidade americana já defenda esta premissa de modo geral.
Também existem os defensores convictos da escala. Só é startup se for escalável. Precisa entender de CAC, LTV, ROI, YOY e por aí vai. A esta altura, você deve estar pensando: aonde o autor está querendo chegar? Pois bem, reflita comigo. Apenas startups precisam ter governança adequada para receber possível investimento? Apenas startups podem ser preparadas para ser vendidas? Apenas startups devem ser escaláveis? Apenas startups devem atender nichos e serem inovadoras?
Quando iniciei meu curso de graduação, em 1997, a web havia recém-chegado ao Brasil. Era comum diferenciar software para web e software para desktop. Cofundei uma empresa que se chamava Espécie Soluções Web. O termo “soluções web” não faz mais sentido. Tudo virou web. Com a popularidade dos smartphones, desenvolvedores costumavam interrogar seus clientes: “Você quer que sua aplicação também rode no celular?”. Depois, tudo ficou “móvel”.
Se você perguntar para 100 pessoas o que é inovação, cada uma vai definir de modo diferente. Na minha empresa, que é uma plataforma de inovação, criamos um acrônimo para definir o termo: PVP. Inovação, para nós, significa Pessoas, Vendas e Processos. Em outras palavras, modelos, metodologias, abordagens e técnicas para melhorar a maneira como se faz gestão de pessoas, vendas e processos. Ou seja, inovação é transversal, está em tudo.
E a inteligência artificial, hein? Estamos ouvindo muito o que se tornou até um argumento de venda: “meu produto tem inteligência artificial”. Em pouquíssimo tempo, tudo terá IA. Vai parecer piada se vangloriar disso. Talvez você não tenha vivido esta realidade, mas telefones fixos, um dia, tiveram fio. E por um tempo coexistiram telefones com fio e sem fio. Lembro que ter um telefone fixo sem fio era chique. Um dia você se lembrará que empresas que diziam ter IA era chique, que startups eram chiques e que ser inovador era chique.