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Fernando Bittencourt Luciano

Fernando Luciano é diretor da Hotmilk, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), professor e pesquisador da área de Biotecnologia também na PUCPR. Graduado em Farmácia e Bioquímica de Alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), também é doutor em Food and Nutritional Sciences pela Universidade de Manitoba, no Canadá, onde foi bolsista do governo canadense. Atuou também como pesquisador no Guelph Research and Development Centre, no Canadá, e como docente convidado na Universidade de Valência, na Espanha. No campo do empreendedorismo, é CEO do NASSLE Group, focado em P&D, sua terceira startup.

Inovação

7 vantagens de ter universidades no processo de inovação de empresas

05/10/2020 19:28
Empresas de todo o mundo estão buscando maneiras de inovar, de fazer diferente, serem mais ágeis. Isso porque o "mundo VUCA" (sigla inglesa para “Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo”), que se apresenta do lado de fora dos muros das companhias, está agindo como um furacão, levando negócios tradicionais à ruína em menos de uma década.
Todos querem permanecer relevantes, mas é difícil saber por onde começar. Assim, é cada vez mais comum que grandes empresas trabalhem com sistemas para geração de ideias entre seus colaboradores e criem programas de inovação aberta para captar possibilidades de revolucionar os seus modelos de negócio atuais.
Mas o que é inovação aberta? Quem primeiro falou sobre o
termo foi Henry Chesbrough, em 2003. Ele é professor da Haas Business School,
na Universidade da Califórnia em Berkeley, mas trabalhou como gestor em
empresas de TI no passado. Há quase 20 anos, Chesbrough observou que um novo
movimento estava ocorrendo em relação às empresas altamente inovadoras, mas que
não possuíam setores gigantescos de P&D, como as tradicionais potências
DuPont, IBM ou AT&T. As companhias entenderam que era impossível contratar
os melhores talentos do mundo, gerar as melhores ideias e desenvolver
tecnologias em áreas transversais para convergir em um único processo ou
produto.
Mas qual é a melhor maneira – e talvez única – de fazer isso acontecer? Colaborando! Há muitos caminhos para se buscar a inovação externamente, mas isso será tema de outro artigo. O foco da coluna desta semana estará em apenas um stakeholder que deve ser muito importante se a sua empresa quer inovar: as universidades.
O próprio Chesbrough escreveu um artigo para a Forbes em 2011 relatando sua frustração com as universidades enquanto colaborador da Plus Development Corporation (subsidiária da Quantum Corporation). Segundo ele, as preocupações dos professores universitários e dos setores de P&D das empresas estavam muito longe umas das outras.
Essa era uma realidade dos anos 1980 no Vale do Silício, mas como dizem quanto a obras ficcionais, “qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência”. Avançamos, sim. Mas ainda há muito trabalho para fazer. A inovação aberta, segundo o próprio Chesbrough, serviria justamente para tapar o buraco entre academia e negócios.
Se o empresário ainda não está convencido de que o relacionamento com universidades é um caminho que vale o investimento de tempo e recursos, coloco abaixo uma lista de sete itens que pode ajudar a convencê-lo:
Mas essas oportunidades só favorecem os empresários? O que sobra para meus colegas acadêmicos? Pois bem, empresas são um campo muito rico para pesquisa. Muitas delas possuem equipamentos, insumos e recursos financeiros indisponíveis nas universidades. É possível produzir artigos científicos com essas pesquisas, criar propriedade intelectual em parceria e formar estudantes de todos os níveis.
Com os recursos governamentais cada vez mais escassos para a pesquisa, essa relação entre academia e empresas pode — e deve — ser um caminho frutífero para os dois lados. Ao final, quem ganha com isso é todo o ecossistema de inovação.

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