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O PIX, junto com outros produtos, como Open Finance e o Real Digital, veio para revolucionar o sistema financeiro brasileiro.

Giordani Oliveira*

Giordani Oliveira*

Gerente de TI na CashWay

Mercado financeiro

PIX: fortalecimento de parcerias entre empresas é essencial para acompanhar a digitalização financeira no Brasil

29/09/2023 18:34
O processo de digitalização financeira no Brasil tem avançado rapidamente. A possibilidade de realizar transferências e pagamentos em poucos segundos, de forma gratuita, mudou a forma como os brasileiros se relacionam com o dinheiro. Prova disso é que o número de transações registradas pelos bancos atingiu um crescimento recorde de 30% em 2022, o maior aumento em volume nos últimos 11 anos. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2023, esse aumento pode ser atribuído principalmente ao volume massivo de transações nos canais digitais, que cresceram 43% e correspondem a quase 8 em cada 10 movimentações bancárias no Brasil.
Um dos principais impulsionadores para alcançarmos esses números foi o PIX. Somente no ano passado, o volume de transações instantâneas ultrapassou R$ 11,7 bilhões, um aumento de 105% em relação a 2021.
Os dados mostram uma mudança importante na recepção do produto: quando foi lançado, em novembro de 2020, víamos uma certa resistência de algumas pessoas, preocupadas principalmente com questões de segurança. Hoje, não há dúvidas de que esse receio foi superado. O cenário agora é, justamente, o contrário: as pessoas têm trocado outras opções, como o TED (forma de pagamento que conheciam e confiavam), pelo PIX, por ser mais barato e mais rápido. O fenômeno não é só uma percepção: a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária mostrou que a adesão ao PIX teve impacto sobre as transferências DOC/TED, que registraram queda de 29%.
Do lado do consumidor, o PIX trouxe, sem sombra de dúvidas, mais facilidade e agilidade. Do lado das instituições financeiras, no entanto, muito trabalho tem sido desenvolvido nos bastidores para atender às exigências do Banco Central. Para que a empresa possa ofertar o PIX, ela precisa ter uma estrutura mínima de pessoal com capacidade de gerenciar o produto. É justamente aqui em que entra a importância das parcerias entre diferentes instituições, principalmente quando se trata de adequação às mudanças propostas pelo Banco Central.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, foi publicada a Resolução 293, que estabeleceu diretrizes adicionais para a terceirização de atividades e parcerias no âmbito do PIX. Essas novas regras entraram em vigor em 1º de março e foram implementadas visando o bem-estar do consumidor final: o principal objetivo dessa resolução foi evitar fraudes e proporcionar maior segurança nas transações.
O Banco Central busca promover a transparência na cadeia de pagamentos, garantindo a rastreabilidade das operações.  As instituições que antes podiam usar o modelo de "contas bolsão" que ocorre quando um terceiro, que não é participante do PIX, tem uma conta corrente e oferece aos seus usuários finais uma conta transacional, hoje precisam estar ligadas ao arranjo.
Existe uma diferença entre terceirização e parceria: a parceria ocorre quando a relação é estabelecida entre instituições que fazem parte do arranjo, enquanto a terceirização acontece entre uma instituição participante e um agente privado que não faz parte dele.
É importante ressaltar que, na prática, todos os envolvidos precisam ser participantes do PIX. As regras permitem que essas empresas estabeleçam parcerias entre si, possibilitando que um participante ofereça soluções ou serviços específicos para outro participante. Por exemplo, uma instituição com estrutura consolidada pode abrir suas portas para uma instituição com capacidade reduzida, permitindo que ela atue indiretamente e aproveite a estrutura e a qualidade já estabelecidas do produto.
Nesse sentido, também temos notado um movimento de empresas reguladas, como Sociedades de Crédito Direto (SCDs), Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs) e Cooperativas de Crédito, na busca por consultoria no âmbito regulatório. Na CashWay, por exemplo, techfin que oferece produtos como core banking e internet banking e está prestes a bater R$ 4 milhões em transações PIX na plataforma, vimos crescer o interesse de instituições reguladas em um hub de soluções que englobe tecnologia, mas também consultoria para lidar com questões junto ao Banco Central.
Seja para cumprir com novas resoluções, seja para melhorar o atendimento ao consumidor final, a troca entre instituições já tem se mostrado essencial. Atualizações e novidades são lançadas pelo órgão regulador periodicamente e o apoio entre empresas é fundamental para acompanhar essa evolução. O PIX, junto com outros produtos, como Open Finance e o Real Digital, veio para revolucionar o sistema financeiro brasileiro. Aqueles que não se adaptarem dificilmente encontrarão espaço no mercado.
*Giordani Oliveira, gerente de TI na CashWay

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