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Marcos de Lacerda Pessoa*

O que é a economia prateada e por que prestar atenção neste mercado

06/11/2020 14:50
O que é a economia prateada (em inglês, silver economy) ou a economia da longevidade? Trata-se do conjunto de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas, com mais de 60 anos, e dos produtos e serviços que elas consomem ou um dia irão consumir. A ONU aponta que haverá mais de 2 bilhões de pessoas, com 60 anos ou mais, até 2050, em comparação com cerca de 900 milhões em 2015. Hoje, no Brasil, já existem mais idosos do que crianças com até cinco anos de idade. E, se hoje 30 milhões de brasileiros têm mais de 60 anos, em 2050 esse número chegará a 68 milhões.
A economia da longevidade vem ganhando bastante importância nos últimos anos e já é a terceira maior atividade econômica do planeta (movimenta US$ 7,1 trilhões anuais), incluído o Brasil; aqui, ela já corresponde a 20% do consumo nacional, número que vem subindo rapidamente.
A melhoria nas
condições de saúde teve como fruto o surgimento de um fenômeno demográfico, que
afeta todo o planeta: o incremento da esperança média de vida. O resultado
desse aumento é conhecido como “envelhecimento da população”. Isso quer dizer
que, atualmente, vivemos mais, e, portanto, possuímos maior longevidade do que
os nossos antepassados. O impacto dessa maior longevidade verifica-se na
economia dos países, constituindo uma vantagem para a humanidade.
Há vários grupos de
longevos. Os Baby Boomers (aqueles nascidos entre 1946 e 1964) são mais
idealistas e sociáveis, consumindo, por exemplo: TV, jornal, revistas, livros,
carros, música e cinema. Já as pessoas da Geração X (nascidas entre o início
dos anos 1960 e o fim dos anos 1970) geralmente são mais materialistas,
buscando a individualidade sem perda da convivência em grupo; são adeptas do
consumo (que gera status), no qual escolhem produtos de marcas consagradas,
tais como carros e artigos de luxo; buscam seus direitos, gostam de liberdade e
são muito mais competitivas.
O fato é que o Brasil está envelhecendo. As aposentadorias como um todo respondem por 58% dos benefícios pagos pela Previdência. Ou seja, são 20,3 milhões de aposentadorias pagas todo mês no Brasil, das quais 10,7 milhões são aposentadorias por idade – para quem se aposentou aos 65 (homens) ou 60 anos (mulheres) –, 6,3 milhões por tempo de contribuição –  quem se aposentou depois de contribuir por 35 anos (homens) e 30 anos (mulheres) –  e 3,3 milhões por invalidez.
Os outros 42% são pensões por morte, benefícios relacionados a acidentes de trabalho e à Lei Orgânica da Assistência Social, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).  Cerca de 94% das pessoas são responsáveis por manter as respectivas famílias; 52% estão dispostas a pagar mais caro em razão da qualidade do produto ou serviço; 64% são as únicas responsáveis pela tomada de decisão na hora da compra; 48% preferem consumir do que economizar; 66% possuem uma vida financeira melhor atualmente; e 45% têm dificuldade em encontrar produtos específicos.
O curioso é que pouco se atenta à maior longevidade da população, e as empresas continuam desenvolvendo produtos e serviços para as gerações mais novas, olhando pouco para a geração sênior. Fica bastante evidente, porém, que existem diversas oportunidades de negócios para o público da terceira idade.
Nos EUA, por exemplo,
metade da população entre 52 e 70 anos passa pelo menos 11 horas por semana
online. No Brasil, esse público responde por 23% do consumo de bens e serviços,
com uma renda anual estimada em R$ 940 bilhões. Ainda assim, a publicidade
tem a obsessão de quase só conversar com o público jovem, embora ele tenha
menos dinheiro e menos vontade de consumir.
O Brasil é o quarto
país com maior número de usuário de Internet, Há sites, no Brasil, dedicados a
idosos? E nos EUA? E no mundo? O que poderia conter/ofertar um site desses para
a dita “melhor idade”?

Dicas para se comunicar com o público sênior, online e no e-commerce:

· É significativo entender bem o
comportamento dos seniores como público-alvo, isto é, o que consomem, o que eles
veem, o que ouvem, o que sentem e, principalmente, suas dores.
· Jamais vitimizar ou idealizar o
idoso. É crucial ter empatia e entender a história real que está por trás dos
que ‒ nessa fase da vida ‒ usam os produtos ou serviços online.
· É relevante ouvir esse cliente,
disponibilizando um canal que facilite esse processo.
· A usabilidade é um fator
essencial, e o design de sites é bem importante: buscar a utilização de letras
grandes, cores fortes e com contraste para facilitar a leitura.
· As formas para o acesso às vendas
devem ser simples, com o menor número possível de cliques, sempre utilizando
uma linguagem simples e direta.
· É relevante utilizar imagens de
pessoas reais, colocando o público sênior como protagonista.
· Deve-se deixar de pensar na
imagem tradicional da vovó e do vovô. A geração com mais de 60 anos é formada
por pessoas ‘digitais’, que já utilizam as redes sociais e o WhatsApp.
Ao criar algo,
desenhado para o público com mais de 60 anos (consumidores mais exigentes),
certamente os produtos ou os serviços também funcionarão para o restante das
pessoas. Será um item com design universal, intergeracional e inclusivo, sem
precisar necessariamente ser voltado apenas para o público da terceira idade.
O universo das pessoas
com mais de 60 anos já é digital. Quem ainda não atentou para isso, muito
provavelmente está perdendo no comércio de bens e serviços.
*Marcos de Lacerda Pessoa, engenheiro pela UFPR, Ph.D. pela Universidade de Birmingham (Inglaterra), pós-doutor em Engenharia pelo MIT (Estados Unidos da América), autor dos livros Sementeira de Inovação e Marcos de Inovação, além de proprietário do centro de apoio à inovação futuri9.com.

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