Thumbnail

Vemos que a tendência para 2023 é que os Creators se profissionalizem cada vez mais.

Giovana Simão*

Economia do influenciador

Novas formas de monetização vão fomentar a Creator Economy em 2023

09/01/2023 19:29
Creator Economy pode ser descrita como o conjunto de atividades econômicas que englobam os diferentes conjuntos de plataformas, ferramentas e mecanismos que permitem que Creators - como artistas, influenciadores, escritores e músicos - gerem renda e visibilidade por meio da criação e distribuição de conteúdo online. Essas plataformas incluem desde as redes sociais, marketplaces, plataformas de assinatura, aplicativos de streaming de música e vídeo até soluções web3, como NFTs, Social Tokens, Quadratic Funding e DAOs, por exemplo.
Desde o surgimento das primeiras redes sociais e plataformas de compartilhamento de mídia, muitos criadores de conteúdo sonham em poder viver exclusivamente de sua produção e compartilhá-la com o mundo, mas a realidade pode ser difícil. Monetizar através de ads (receita de anúncios) pode ser desafiador, pois, em muitos casos, requer que os criadores produzam conteúdo de acordo com as tendências atuais e o que é popular no momento. Isso pode levar os criadores a se desviarem de seus verdadeiros interesses e paixões, e produzir conteúdo apenas porque eles acreditam que vai gerar mais receita. Além disso, dependendo da plataforma, os criadores podem enfrentar problemas com a desmonetização de seus vídeos e a falta de transparência em relação ao quanto estão realmente ganhando.
O gráfico abaixo, cuja curva representa as combinações de monetização de um Creator, pode ajudar a explicar a tendência de os Creators não dependerem de anúncios para monetização tornar-se cada vez mais comum. Principalmente devido ao fato de que apenas Creators com uma grande quantidade de fãs ou inscritos conseguem monetizar de forma eficiente através de anúncios das próprias plataformas. Cada inscrito através de views adiciona marginalmente determinada receita de monetização para o Criador.
Isso mostra como pode ser problemático para Creators em fase inicial, que são a grande maioria, e não possuem um grande número de inscritos. Para contornar esses problemas, muitos criadores estão optando por outras formas de monetização, como doações diretas de fãs, assinaturas de conteúdo exclusivo e vendas de produtos relacionados ao seu trabalho. Essas formas de monetização permitem que os criadores mantenham o controle sobre o conteúdo exibido em suas plataformas e ofereçam experiências mais agradáveis para seus espectadores.
Além disso, a dependência de anúncios vem diminuindo devido ao crescimento de plataformas de streaming de vídeo que oferecem formas alternativas de monetização para os criadores, como o YouTube Premium e o Patreon ou até cursos, principalmente no caso de Creators Experts. Essas plataformas permitem que os criadores obtenham lucros através de assinaturas e doações diretas, o que os torna menos dependentes de anúncios para monetizar seu conteúdo.
Esse movimento de diversificar e buscar novos tipos de monetização é natural, dado o crescimento de escala e escopo da Creator Economy com o surgimento de influencers e experts e da grande massa de Creators pequenos e médios que viram na sua audiência mais engajada o caminho para viver como Creators. Ao se concentrar em monetizar através de seus super fãs, os criadores podem criar uma fonte de renda mais estável que não depende da receita de anúncios. Isso permite que eles se concentrem em criar conteúdo de alta qualidade que ressoe com o público, ao invés de tentar otimizar o conteúdo em busca de receita de anúncios. Além disso, monetizar diretamente com super fãs pode fomentar uma sensação de comunidade e conexão mais forte, já que os criadores podem se envolver diretamente com aqueles que os apoiam financeiramente.
O gráfico abaixo ilustra como monetização com super fãs pode ser benéfica para Creators que não possuem uma grande quantidade de fãs, seja por estarem em um estágio inicial, mas com uma comunidade engajada, ou por serem experts e produzirem conteúdo nichado. Claro, Creators que conseguem se monetizar significativamente através de ads, também podem diversificar e monetizar mais ainda através de seus super fãs.

Monetização Web3

Web3 trouxe diversas ferramentas inovadoras para Creators, recentemente ficaram famosos os NFTs, ou tokens não fungíveis, que são uma nova forma de monetização para Creators que permite que eles vendam suas obras de arte, músicas ou outros trabalhos de maneira exclusiva e única. Os NFTs são registrados na blockchain, tecnologia de registro descentralizada, que garante a autenticidade e a propriedade desses itens digitais. Os NFTs são especialmente atraentes para super fãs de Creators, pois lhes permitem adquirir obras exclusivas e únicas de seus artistas favoritos.
Além de vender NFTs em si, os Creators também podem monetizar seus super fãs através da venda de produtos físicos relacionados aos NFTs. Por exemplo, um artista pode vender um NFT de uma obra de arte, seguido de uma impressão física da mesma obra. Isso permite que os super fãs tenham uma versão tangível de sua compra exclusiva, enquanto ainda mantêm a propriedade do NFT original.
Outra maneira de Creators monetizarem com seus super fãs através da blockchain é com a venda de tokens de fãs (ou Social Tokens). Esses tokens permitem que os fãs comprem acesso exclusivo a conteúdo ou eventos especiais, ou até mesmo sejam premiados por contribuir nas comunidades dos Creators. Isso cria uma comunidade ainda mais próxima entre os Creators e seus super fãs, enquanto ainda gera renda para os Creators. A utilização da blockchain neste contexto também garante transparência e segurança nas transações.
O relatório 2022 State of Crypto da a16z, maior fundo de investimentos em web3 do mundo, trouxe diversos insights que ilustram bem como a web3 vem causando uma disrupção na Creator Economy e vai transformar ainda mais no futuro. Por exemplo, taxas de utilização de plataformas de web2 são significativamente mais altas que em web3, desde o YouTube que fica com 45% de toda receita gerada na plataforma, até Facebook, Twitter e Instagram que ficam com 100%. Em comparação, OpenSea, a maior marketplace de NFTs do mundo, pratica uma taxa de 2.5%.
Isso afeta significativamente a receita dos Creators, apesar de estarmos no início da adoção de soluções web3 para monetização, essa se mostra como uma excelente oportunidade para Creators. O mesmo relatório apresenta números impressionantes, comparando NFTs com plataformas tradicionais de monetização, em 2021 os Creators conseguiram, vendendo NFTs, em média, 174 mil dólares por criador! Enquanto ganharam U$405 por canal do YouTube e U$636 por artista no Spotify.
Comparando aos gráficos anteriores, super fãs ao comprarem NFTs de seus Creators favoritos atuam na seguinte área do gráfico de monetização, onde o Creator precisa de poucos fãs para se monetizar de forma significativa:

Ecossistema de Investimento em Creators

Outra excelente oportunidade para creators é através de Ecossistemas de Investimento, como, por exemplo, o ecossistema Cobogo. Ecossistemas como esse já perceberam que o fato de os Creators terem que se adaptar a trends, de buscar novos mecanismos de monetização refletem que o atual mercado de financiamento da Creator Economy está incompleto. Isso é, os Creators ainda dependem exclusivamente de seu próprio fluxo de caixa e financiamento (endividamento) para crescer seus próprios canais ou marcas.
Isso fica cada vez mais evidente, pois atualmente, estamos no início da terceira fase da Creator Economy, onde os Creators estão se tornando verdadeiras empresas e, como tal, têm necessidades diferentes das que tinham no passado. Assim como as startups, os Creators precisam se preocupar com questões como monetização, crescimento de audiência e marca pessoal, crescimento e escala, gerenciamento de equipe e relacionamento com o público, além de se manter atualizados sobre as tendências e as mudanças no mercado.
No entanto, muitas vezes quando startups tem idéias ou projetos grandiosos, elas vão atrás de investidores pois normalmente essas empresas não têm o capital necessário para financiar essas iniciativas por conta própria. Além disso, os investidores podem fornecer mais do que apenas capital financeiro; eles também podem fornecer conselhos, conexões e apoio para ajudar a startup a crescer e se desenvolver. As startups também podem buscar investidores porque esses investimentos podem ajudar a validar a viabilidade do negócio e atrair mais investimentos no futuro. Enfim, as startups buscam investidores para ajudá-las a transformar suas ideias em realidade e ter sucesso no mercado.
Alguns Creators já sentem essa necessidade, por estarem na terceira fase da Creator Economy, e investidores também estão começando a enxergar essa possibilidade. Tome como exemplo o Creator Fund da Slow Ventures, esse fundo foi aberto com a tese de as marcas valiosas do futuro serão pessoas, não marcas, e para isso investem cheques entre 100 mil e 5 milhões de dólares em pessoas, em troca de 1%- 5% de todas receitas futuras na carreira desse Creator. Esse fundo, por exemplo, investiu 1.7 milhão de dólares em uma youtuber chamada Marina Mogilko. Recentemente, Mr. Beast, maior YouTuber do mundo, anunciou estar levantando um round de U$150 milhões a um valuation de U$1.5 bilhão!
A Cobogo percebeu que este movimento estava acontecendo há um ano, e começou a criar um ecossistema de investimento em Creators que de fato oferece todas ferramentas para que um Creator possa se mostrar como empresa, se educar em empreendedorismo e como levantar investimento, acessar as melhores ferramentas nas melhores jurisdições do mundo para de fato levantar capital de forma escalável com investidores qualificados. Além disso, juntamente com a Origami, está criando uma DAO — Organização Autônoma Descentralizada — de investimentos para investir em Creators do mundo inteiro, em que os próprios Creators, indivíduos relevantes na Creator Economy e entusiastas trabalhem juntos para escolher quais serão as próximas estrelas que devem receber investimento.
Portanto, vemos que a tendência para 2023 é que os Creators se profissionalizem cada vez mais, vamos ver diversos Creators tornando-se empresas, levantando capital como startups, construindo times que vão transformá-los em marcas. Desta forma veremos Creators explorando todos os tipos de monetização de forma inteligente, maximizando seus lucros, alcançando seu maior potencial.
*Giovana Simão é CEO de Cobogo.

Enquete

Estes são os temas mais procurados em relação a cursos sobre inteligência artificial no momento. Se você tivesse que escolher um deles, qual seria sua opção?

Newsletter

Receba todas as melhores matérias em primeira mão