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Hiperautomação: a robotização e a inteligência artificial combinadas à expertise humana

Lucas Ribeiro*

Hiperautomação

Hiperautomação: a robotização e a inteligência artificial combinadas à expertise humana

18/05/2022 18:22
As organizações que pretendem se manter competitivas em um mercado de concorrência cada vez mais acirrada precisam incluir um conceito em seus dicionários: a palavra hiperautomação. Mas não apenas como um verbete, teórico, proferido, sem ser, de fato, aplicado à prática. Para tanto, é necessário termos a real dimensão do que o termo significa.
Hiperautomação é muito mais do que o uso intensivo de robotização e inteligência artificial. Sim, sistemas de tecnologias da informação estão na base de processos hiperautomatizados. No entanto, há outros componentes elementares. Para que sejam de fatos hiperautomatizados, os processos dentro de uma organização devem ter integração efetiva.
É dizer o seguinte: não basta que a automação de um processo se encerre em si mesmo, sem convergir com outros processos. O que costumamos ver na rotina das corporações são processos compartimentados em seus respectivos setores, sem conexão com os demais. Ou, no máximo, sistemas que até promovem certa ligação entre um processo e outro, entretanto, sem de fato integrá-los.
Recorro ao que recomenda a empresa de consultoria internacional Gartner, que, em seu relatório “Principais Tendências Estratégicas para 2022”, aponta a hiperautomação como uma das prioridades de investimentos mencionadas por executivos consultados para a pesquisa. A consultoria enfatiza que hiperautomação requer “uso orquestrado de múltiplas ferramentas e plataformas de tecnologias, incluindo RPA [robô], plataformas de baixo código e ferramentas de mineração e otimização de processos”.
Destaco as expressões “uso orquestrado” e “otimização”. Porque elas querem dizer exatamente isto: não basta a mais avançada tecnologia, se não há articulação de ferramentas e sistemas; se não há processos otimizados. O relatório endossa essa avaliação, ao afirmar que, na busca pela hiperautomação, é imprescindível “estabelecer um mapeamento holístico, e priorizar o coletivo nas iniciativas, em vez de ilhas de automação de tarefas, para garantir resultados de negócios sinérgicos e coordenados”.
Nada de isolamento em “ilhas”. Nada de visões segmentadas – é fundamental o olhar sobre o todo, holístico. Priorizar o coletivo nas iniciativas.
Ora, o que a consultoria internacional Gartner nos apresenta também com essas constatações é que a hiperautomação não prescinde da inteligência humana. Ao contrário. A expertise de profissionais é aliada indispensável para dotar uma organização de uma visão, como assinalada, holística. Para fazer pontes, conexões entre os processos e suas áreas. Para, conforme palavras do relatório, “pensar o coletivo”.
Reitere-se: uma corporação hiperautomatizada não é aquela que dispõe de vários sistemas tecnologicamente avançados em seus processos. É aquela que, por um único sistema, conecta e hiperautomatiza seus processos, de ponta a ponta.
Colocar isso em prática exige uma gestão que olhe para o todo, identifique obstáculos, reorganize e unifique. Isto é, a inteligência humana na análise, no diagnóstico, no entendimento da solução. A robotização e a inteligência artificial no andamento, nos trâmites, na execução, na realização – integrada – dos processos.
O estudo da Gartner a que me referi constata que até 2024 os investimentos em hiperautomação no mundo chegarão a US$ 600 bilhões. Ela se tornará um diferencial competitivo de extrema importância, para as corporações que apostarem nesse caminho.
Por aqui, temos dado nossa contribuição. O Grupo ROIT BANK, o qual lidero, coloca no mercado um sistema de hiperautomação de gestão contábil, tributária, fiscal e financeira. Na Assespro-PR (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná), cuja presidência exerço no momento, também procuramos difundir a cultura da hiperautomação.
Até porque, como costumo dizer, a transformação digital vai muito além da tecnologia. É quebra de paradigmas, é mudança cultural. Em que pesem alguns desafios e obstáculos, estamos nessa trajetória. E seguiremos em frente.
*Lucas Ribeiro é diretor-presidente da Assespro-PR e fundador e CEO do Grupo ROIT BANK.

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