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É cada vez mais perceptível a presença e importância das deep techs. Elas vêm acompanhadas de apelo social e ambiental. Crédito: Canva.

Ana Calçado

CEO e presidente da Wylinka, organização sem fins lucrativos que transforma o conhecimento científico em soluções e negócios que melhoram o dia a dia das pessoas e fomentam o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil.

Deep techs

As tendências no mundo da inovação para os próximos anos

23/02/2024 17:24
Não é novidade que as deep techs são uma tendência no setor de inovação e, nos próximos anos, essas tecnologias estarão ainda mais em evidência. É o que aponta o relatório "Deep Tech – The New Wave", realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele estima que, na próxima década, os investimentos nessas startups de base tecnológica profunda cresçam 20 vezes na América Latina, totalizando US$ 3,44 bilhões em 10 anos.
Estamos vendo cada vez mais eventos de inovação com essa temática e uma abordagem mais sistemática envolvendo as deep techs. Elas vêm com uma pegada social e ambiental muito forte, então são startups que já nascem com um DNA ESG. A sua relevância para o mercado e para a sociedade acaba sendo muito maior porque se propõem a resolver problemas de interesse público, como energias limpas, queda do desmatamento, saúde, alimentação, entre outros.
Diante disso, acredito que chegou a hora dos cientistas entrarem no campo da inovação e das startups. Neste cenário, como tendências de deep techs no Brasil, destaco aqui os setores que mais despontam no país: agronegócio, bioeconomia, energia limpa e saúde.

Agronegócio

Considerado um dos principais pilares da economia brasileira, o crescimento do agronegócio no país se deve muito aos investimentos em tecnologia e inovação que são realizados todos os anos, também em busca de tornar o setor cada vez mais sustentável. Uma delas, muito importante, é a criação do APTA HUB, um movimento do governo de São Paulo que tem como objetivo fomentar o surgimento de negócios e soluções inovadoras nas ICTs voltadas para o agro paulista.

Bioeconomia

O estudo inédito “Identificação das Oportunidades e o Potencial do Impacto da Bioeconomia para a Descarbonização do Brasil", desenvolvido pela Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), evidencia como a bioeconomia complementa a transição energética para a inserção de tecnologias promissoras de biorrenováveis dentro das cadeias produtivas, além de soluções que impactam a produtividade da agricultura, aproveitamento da biomassa, entre outros pontos.
Nesse contexto, a ciência, tecnologia e inovação desempenham um papel fundamental ao promover desenvolvimento econômico por meio desses insumos, gerando riqueza, impulsionando as indústrias, mas, principalmente, priorizando a preservação das florestas.

Energia limpa

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que mais de 90% da energia gerada e utilizada no país foi produzida por meio de fontes renováveis, sendo elas a hidráulica, a eólica, a biomassa e a solar. Elas registraram, no primeiro trimestre de 2023, a maior produção de energia limpa nos último 12 anos.
Pesquisas em hidrogênio verde, por exemplo, também vêm ganhando holofotes, principalmente no Nordeste do Brasil, onde está localizado o hub mais avançado em hidrogênio verde do país. Para se ter uma ideia, essa inovação é apontada como a fonte de energia do futuro, capaz de zerar as emissões de carbono na atmosfera.
Ou seja, é um segmento que vem em constante evolução, um terreno fértil para a atuação das deep techs e para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas capazes de ajudar a resolver problemas nesse segmento.

Saúde

Para finalizar a lista, destaco o setor da saúde que, de acordo com dados do Global Market Insights, é uma das vertentes mais promissoras do mundo - e a expectativa é que esse mercado alcance um tamanho de US$ 500 bilhões em 2025. Quando falamos sobre pesquisas e produção científica, o Brasil é considerado uma das referências em todo mundo. O Relatório da Global Innovation Index (GII) de 2019 mostrou que 45,3% das publicações brasileiras são relacionadas à saúde. Este montante representa 2,4% de publicações mundiais.
Ao meu ver, as instituições brasileiras têm falado muito sobre a reindustrialização no Brasil. A discussão gira em torno de não sermos apenas exportadores de commodities. Ela também é sobre o fortalecimento da nossa indústria e mercado, gerando emprego e renda. A taxa de juros tem sido um impeditivo para a inovação, então a resposta do mercado também será importante para que esses planos se concretizem e possamos caminhar em direção ao desenvolvimento e inovação.
E vem aí o GazzSummit
O GazzSummit Agro e Foodtechs é uma iniciativa pioneira do GazzConecta para debater o cenário de inovação em dois setores de grande relevância para o país. O evento será realizado nos dias 8 e 9 de maio de 2024 com o propósito de conectar e promover conhecimento para geração de novos negócios, discussão de problemas e desafios, além de propor soluções para o setor.
O GazzSummit promove a disseminação de tecnologias e práticas de inovação que possam levar a cadeira produtiva ainda mais longe. Uma super estrutura espera os participantes, que poderão conferir mais de 30 palestrantes e mais de 300 empresas. O evento vai reunir players importantes do ecossistema como grandes empresas, cooperativas, produtores, entidades públicas, startups e inovadores. Garanta já a sua inscrição no site.

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