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A hora e a vez das startups early stages

Felipe Ladislau*

Investimentos

A hora e a vez das startups early stages

19/08/2022 20:10
Desde que comecei a escrever sobre o recrudescimento do mercado global de funding, tenho alertado ao fato de que empreendedoras e empreendedores de startups em estágios iniciais não devem se desesperar com o alto volume de manchetes negativas.
Meu alerta é baseado nos dados que acompanho e que pouco a pouco tem ficado mais claro à medida que novas informações chegam a público. O que já vinha percebendo é que o grande freio nos investimentos aconteceu para as startups chamadas de "Late Stage", com destaque para unicórnios e mega aportes.
Quando analisamos os investimentos em early e mid-stage, segundo os dados da CB Insights, eles praticamente andam de lado. O recorte em particular dos investidores-anjo mostram que essa categoria foi a única a apresentar crescimento no apetite de investimentos, mais um indicador favorável às startups jovens.
Corroborando minha tese de que os próximos meses seguirão turbulentos para as grandes startups, mas relativamente ameno para os novos entrantes, o mês de julho foi marcado por uma série de notícias animadoras para as Early Stages.
A primeira delas vem da Investidores.vc, que levantou em apenas 12 dias um montante de R$ 2,9 milhões para investir em startups. Em entrevista, o fundador, Amure Pinho, os planos da empresa incluem:
    A segunda é sobre Eduardo Saverin, empreendedor brasileiro que foi parceiro de Mark Zuckerberg na criação do Facebook, que captou US$ 250 milhões para lançar seu primeiro fundo voltado às startups de estágio inicial.
    Acho válido lembrar também que em 2021 foi anunciada a criação de um fundo posicionado em pré-seed chamado Latitud. O criador? Nada menos que Brian Requarth, fundador do Viva Real (site de imóveis vendido para a OLX em 2020 por R$2,9 bilhões) e que investiu em mais de 50 startups.
    Startups bem-estruturadas e com boas propostas seguirão encontrando caminhos para viabilizar e financiar suas operações. Não acredita? Basta ver os casos recentes das Darwin e da ContaÁgil.
    A Darwin Seguros levantou R$43 milhões em rodada pré-série A, que foi liderada pelo braço de corporate venture capital do banco BV. Há um ano, a empresa levantou R$11 milhões em uma rodada seed.
    Já a ContaÁgil recebeu R$1,8 milhão em aporte de um grupo de empresas que já eram investidoras, mas decidiram aumentar sua participação nessa nova rodada.
    Seguindo a maré de notícias animadoras, vale um destaque aqui para algo mais particular do mercado brasileiro: a nova regulamentação da CVM sobre o mercado subsequente para startups deve aquecer ainda mais o mercado.
    Uma das dores de investir em startups early stage é sobre o tempo para ter o retorno sobre o capital investido. Com a nova regulamentação o mercado contará com maior liquidez, permitindo que investidores realizem suas operações em períodos significativamente mais curtos.
    A Captable é a primeira plataforma a disponibilizar um serviço de mercado subsequente que ainda conta com algumas regras para a participação, mas fato é que essa dinâmica deve se expandir de forma acelerada no futuro breve.
    Portanto, entendo que empreendedoras e empreendedores devem ter atenção e cautela nesse momento de mercado para que não se submetam a negociações desfavoráveis sem necessidade. Negociações de investimento são influenciadas por aspectos subjetivos e o contexto do momento sempre influencia muito.
    Manter a sobriedade para balancear o crescimento com o fluxo de caixa é fundamental, pois retira a pressão por concluir uma captação a qualquer custo. Além disso, ampliar as possibilidades de captação levando em consideração estratégias de crowdfunding ou mesmo a busca de um investidor-anjo que seja estratégico dentro do seu segmento de atuação são caminhos que lhe permitirão chegar mais robusto para as negociações com VCs.
    *Felipe Ladislau é sócio da Organica, aceleradora de pessoas e negócios.

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