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Quando a liderança opera no limite, o problema deixa de ser engajamento e passa a ser o próprio desenho da gestão. Crédito: Imagem gerada por IA (Google Gemini).

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Engajamento não é benefício, é arquitetura de gestão

13/04/2026 12:46
Durante anos, o engajamento foi tratado como uma camada acessória da gestão, algo que se resolveria com benefícios atrativos, campanhas internas, ações pontuais de bem-estar ou discursos inspiradores. Os dados mais recentes mostram que essa lógica não apenas falhou; ela se tornou parte do problema.
O Brasil atingiu, em 2025, o menor nível de engajamento da série histórica, com apenas 39% dos profissionais engajados, segundo a 3ª edição da pesquisa Engaja S/A realizada pela Flash em parceria com a FGV – FAESP. Ao mesmo tempo, cresce de forma consistente o número de afastamentos por transtornos mentais, o turnover silencioso e a fadiga crônica das lideranças. Não se trata de uma crise de motivação. Trata-se de uma falha estrutural de gestão e governança.
O paradoxo organizacional: quem sustenta o sistema está no limite
Quem cuida também precisa ser cuidado! A 3ª edição  do  Panorama da Saúde Emocional do RH, pesquisa também conduzida pela Flash, escancara um paradoxo inquietante: profissionais de recursos humanos e gestores estão adoecendo sob o peso da ansiedade e do burnout. Segundo esse estudo pioneiro, 8 em cada 10 RHs relataram ter tido algum tipo de problema ligado à saúde mental em 2025, enquanto 78% deles se sentem sobrecarregados.
Esse alerta encontra ressonância no livro A Potência da Liderança Consciente, de Daniel Spinelli, que provoca líderes a abandonarem a lógica da performance a qualquer custo e a cultivarem presença, empatia e clareza como pilares de uma nova forma de liderar. Esse livro traz dados reais de campo, mas não está longe da realidade se olharmos ao nosso redor.
Esse não é um desvio pontual. É um sinal sistêmico. E quais ações concretas estamos tomando?
Qualidade decisória e liderança sistêmica
Quando a função responsável por cultura, liderança, engajamento e desenvolvimento opera em estado permanente de exaustão, o sistema inteiro perde qualidade decisória.
Para Daniele Matos, fundadora e CEO da Escola RHLovers , líder de uma comunidade com mais de 2 mil BPs e potência ao influenciar uma rede de mais de 50 mil seguidores.
“O esgotamento crescente dos profissionais de RH revela um desalinhamento entre o papel que o negócio exige e o preparo que muitos receberam ao longo da carreira. O engajamento não nasce de iniciativas isoladas, mas da forma como a liderança constrói o ambiente organizacional. 
O papel do Business Partner de RH não é engajar pessoas. É ajudar a liderança a tomar decisões melhores, desenvolver líderes mais preparados e construir um contexto em que as pessoas queiram ficar e contribuir. Engajamento não se cria. É consequência de uma gestão bem-feita.” Daniele Matos
O custo invisível: quando o problema já está no DRE, mas fora da pauta.
O desengajamento tem impacto direto em produtividade, execução e retenção. Ele aparece no retrabalho, nas decisões tomadas sob fadiga, na perda de talentos estratégicos e no presenteísmo silencioso, ou seja, a pessoa permanece, mas já não contribui com energia, criatividade ou responsabilidade ampliada.
Ainda assim, em muitas empresas, o tema segue confinado ao RH, tratado como indicador de clima e não como risco corporativo.
Essa é uma miopia perigosa.
Se o problema afeta a capacidade de execução da estratégia, a sustentabilidade da liderança e a continuidade do negócio, ele é, por definição, tema de Conselho.
Liderança cansada: o elo silenciosamente fragilizado
Um dado merece atenção especial: embora líderes ainda apareçam mais engajados do que a base da pirâmide, a maior queda recente ocorreu justamente na alta liderança.
“Segundo dados do 3º Engaja S/A, a alta liderança registrou a maior queda de envolvimento no último ano, com um declínio de sete pontos percentuais. Há uma crise silenciosa no engajamento dessa camada. No cenário externo, há questões econômicas e aumento da complexidade dos negócios, enquanto dentro dessas empresas os liderados esperam cada vez mais apoio dos seus gestores. Isso resulta em algo que o Renato Souza, professor da FGV e coautor do índice chama de liderança cansada” complementa Amanda Cassola, Revenue Director na Flash.
Ou seja, a liderança e os RHs que atuam como peças fundamentais na orquestração de transformações, também estão inseridos nesse desafio de automotivar-se.
“Temos visto cada vez mais um movimento silencioso: executivos experientes questionando o modelo em que estão inseridos. Não é falta de ambição. É cansaço estrutural. Um desencanto que está se tornando natural, infelizmente.
Relacionando isso na perspectiva de benefícios e saúde corporativa, é possível afirmar com tranquilidade: não existe programa de bem-estar que compense uma arquitetura organizacional incoerente. Se o modelo gera ambiguidade, sobrecarga e desalinhamento constante, o adoecimento é questão de tempo.
No fim, cultura não é discurso. É desenho organizacional. E redesenhar exige coragem de liderança e apoio da alta liderança e do conselho”, complementa Bruno Lopes, HR Operation Manager na Whirlpool Corporation.
Engajamento é arquitetura: o que realmente sustenta o sistema
Em um contexto de transformação acelerada, avanço da inteligência artificial e reconfiguração do trabalho, a pressão sobre líderes e equipes tende a aumentar. Isso exige dos conselhos e da alta gestão uma postura mais ativa em relação à qualidade do sistema organizacional que estão construindo.
A pergunta deixa de ser “como engajar mais” e passa a ser: “que tipo de sistema estamos desenhando? E a que custo humano ele opera?”
Responder a essa pergunta exige maturidade, repertório, escuta e espaços seguros de troca.
Apoiar-se a uma rede, encontrar ambientes de trocas, se inspirar, permite sustentar decisões melhores.
É nesse ponto que comunidades executivas deixam de ser networking e passam a atuar como um ecossistema estratégico: ambientes onde líderes pensam com mais profundidade, confrontam decisões complexas, ampliam repertório e reduzem a solidão inerente às posições de alta responsabilidade.
Para debater esse e outros temas relevantes temos a agenda de eventos, que é muito mais que “um evento”, e sim nosso capital relacional sendo apenas um dos rituais que fomentamos para discutir em profundidade várias inquietudes.
Acompanhe no link do Connect Executive Hub e há um evento especial promovido pela Flash que irá contribuir para endereçar esse tema.
Flash Humanidades: Com Susan David, pesquisadora de Harvard irá atualizar o conceito de Agilidade Emocional e discutirá o desconforto da liderança em tempos desconfortáveis. Acontecerá no icônico auditório do Ibirapuera em 14/05/2026, já sendo ponto de encontro de C-levels e profissionais de RH. Pré inscrição de interessados no site do Connect Executive Hub.