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Equipe da startup de saúde UpSaúde

Beatriz Bevilaqua

Beatriz Bevilaqua

Jornalista e Comunicadora de Startups. Formada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), foi condecorada em 2013 pelo Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense, em Curitiba, pelo Sindijor PR e, em 2019 E 2021, como Melhor Profissional de Imprensa do Brasil pelo Startup Awards, maior premiação do ecossistema de startups da América Latina. Instagram @beatrizbevilaqua.

Healthtechs

Conheça as startups nordestinas que trazem soluções inéditas na saúde

23/03/2022 14:30
Apesar da maioria das startups brasileiras estarem concentradas no eixo sul-sudeste, a região nordeste tem cada vez mais um ecossistema de inovação forte e consolidado - com grandes parques tecnológicos, hubs de inovação, aceleradoras e startups potenciais que trazem soluções inéditas na saúde e prometem revolucionar o segmento.
O bHave, por exemplo, nasceu em Recife (PE) a partir da observação de Cauê Nascimento, sobre o trabalho de sua esposa como terapeuta no acompanhamento de crianças autistas. Ela realizava todos os processos de registro das atividades em gabaritos de papel e isso se estendia após expediente. Toda essa burocracia envolvida o fez pensar se haveria uma maneira de fazer diferente. Então pensou: “Se a Terapia Análise do Comportamento Aplicada (ABA) tem os melhores resultados em casos de Autismo, o que seria possível alcançar se os processos fossem digitais?”
Foi diante desse questionamento que Cauê fundou a bHave digitalizando os processos da ABA. Na época lançou um crowdfunding para levantar o capital inicial do projeto, onde conseguiu arrecadar R$64 mil reais e dar o pontapé inicial.

Pandemia: Autismo X Digitalização do Atendimento

Logo após a primeira onda da Covid-19, a bHave começou a ganhar tração. As próprias clínicas viram na startup uma solução para restabelecer os atendimentos à distância com o apoio dos pais realizando as atividades em casa com as crianças e registrando no aplicativo. Os terapeutas puderam acompanhar os resultados pelo sistema e repassar as orientações com supervisões remotas.
Com a crise sanitária, cada vez mais, clínicas e terapeutas compreenderam a importância de ter os processos da ABA digitalizados e a possibilidade de manter os atendimentos de forma remota. “A tecnologia é uma ferramenta importante quando não podemos estar presentes nem interromper um tratamento que, no caso da ABA, é bem intensivo e lacunas no acompanhamento das crianças podem significar uma regressão no que já foi desenvolvido durante a intervenção terapêutica”, explicou Cauê Nascimento, CEO da bHave.
Cauê Nascimento, CEO da bHave.
Cauê Nascimento, CEO da bHave.
A healthtech teve um crescimento médio de 10% ao mês no último ano. Agora, em 2022, a startup está desenvolvendo o “bHave 2.0” que vai trazer muitas melhorias, abrindo caminho para mais duas abordagens terapêuticas: o Modelo Denver e ABA Naturalístico, além do ABA tradicional. “Nosso objetivo é se firmar como modelo de referência para digitalização de Terapia ABA no Brasil e o bHave 2.0 será uma grande virada de chave para nosso posicionamento no mercado buscando essa liderança”, afirmou o CEO.

Imobilizador biodegradável que substitui o gesso

O simples às vezes pode ser revolucionário, vejam pela Fix It, startup de Natal (RN), que desenvolveu órteses feitas de PLA - um plástico derivado da fermentação do bagaço da cana-de- açúcar, do milho ou da beterraba. Com uma impressora 3D é feito o imobilizador personalizado de acordo com as características de cada paciente.
“A Fix It cresceu mais de 300% durante a pandemia, tínhamos acabado de receber uma rodada de investimento do Hospital Albert Einstein e da Unimed VTRP, então foi um ano de amadurecimento do negócio”, explicou Felipe Neves, CEO da Fix It. Além disso, as órteses para membros superiores decolaram durante o auge da crise sanitária, por permitirem a higienização das mãos.
O faturamento da healthtech saltou de R$ 851.500 para R$ 1.839.500 no ano passado e hoje possui mais de 100 clientes. Segundo Felipe, até o momento, a Fix it já atendeu mais de nove mil clientes e isso significa a redução de cinco toneladas de gesso no mundo.
A empresa passou por vários programas de aceleração para ganhar escalabilidade e mais força no mercado. “A Braskem Labs foi nosso primeiro programa de aceleração e nos orientou a vir para São Paulo. Chegando na capital paulista, passamos pelo programa da ACE Startups e recebemos nosso primeiro investimento. Em seguida, fomos acelerados pela recifense Overdrives, sendo fundamental para o nosso fortalecimento de marca durante o retorno para o nordeste. Já Vibee Unimed nos permitiu uma engajada significativa na região sul do país e a Health me Up consolidou a nossa atuação no sudeste”, disse.
Felipe Neves, CEO da Fix It.
Felipe Neves, CEO da Fix It.
Neste momento, a healthtech acaba de anunciar que vai participar de um novo programa de aceleração, desta vez da Endeavor. A empresa está numa crescente na venda de arquivos 3D com mais de 30 soluções. Existem outros serviços para serem lançados ainda este ano, como planejamento cirúrgico e biomodelos, se tornando provedor de tecnologia e produtos 3D.

Como a UpSaúde apoia o SUS com uso de inteligência artificial

Muitos negócios também podem surgir de dentro de universidades de ponta. A UpSaúde foi idealizada em um programa de residência em saúde da família e comunidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em 2017 o projeto começou a ser visionado com a identificação de desafios e problemáticas históricas da população em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O grande objetivo da startup é mudar a lógica verticalizada dos serviços de saúde e colocar o usuário no centro de todos os fluxos, isso faz com que se elimine diversas barreiras e burocracias existentes entre o paciente e o serviço. “Reduzimos até 90% das filas, aumentando em 40% a adesão a tratamentos e autocuidado, acompanhando em tempo real a situação epidemiológica da população. E fazemos tudo isso baseados em inteligência de dados e funções que digitalizam a jornada e a saúde como um todo do paciente”, explicou o CEO da UpSaúde, Rodolfo Lira.
Na opinião do empreendedor, a digitalização de processos e o acompanhamento longitudinal deve ter sido, segundo ele, uma das principais disrupções durante a crise da Covid-19. “Fizemos parceria em uma grande capital e apoiamos um programa vinculado ao SUS. Nossos números cresceram e passamos a mais de 5 mil consultas diárias por telemedicina. Nesse período fomos investidos pela Overdrives e passamos a almejar outros segmentos também”, disse Rodolfo.
Rodolfo Lira, CEO da UpSaúde.
Rodolfo Lira, CEO da UpSaúde.
Ainda segundo o CEO, o Brasil precisa urgentemente mudar de postura e aperfeiçoar as políticas estruturantes e de estímulos. “Vimos que sem o SUS não teríamos superado os piores momentos como também vimos que faltou manejo com o que é técnico impondo um viés ideológico. A tendência é que ocorra uma deterioração ainda maior da saúde o que vai deixá-la dependente ainda mais de iniciativas inovadoras para virar a chave dessa crise longeva. Estamos aqui prontos para ajudar e aproveitar as oportunidades, torcendo fielmente que a política não seja mal versada para detrimento da saúde”, comentou.
As três healthtechs mencionadas neste artigo nasceram no nordeste e são alguns exemplos de cases espetaculares que buscam fazer a diferença na saúde dos brasileiros por meio da tecnologia.
Um levantamento da BenCorp, que revela que o segmento de saúde digital movimentou, em 2021, US$ 344 milhões, um crescimento de 329% no último ano. Segundo Luiz Gomes, Diretor da Overdrives, as healthtechs devem seguir crescendo, sobretudo porque a maioria das pessoas, empresas e corporações começaram a ter uma maior preocupação com a saúde preventiva priorizando o bem-estar físico e mental.
A verdade é que mesmo com todos os avanços tecnológicos na saúde e aumento de investimento no setor, ainda existe muita resistência à inovação em algumas áreas médicas. Mesmo assim, a pandemia obrigou muitos profissionais a testarem novos formatos e soluções e alguns mudaram permanentemente seus trabalhos.
Este foi o terceiro texto de uma série sobre o mercado das healthtechs no Brasil - se você deseja ler os artigos anteriores clique aqui.

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