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De acordo com pesquisa da Crunchbase, empresas de tecnologia com potencial de crescimento e que já atingiram o primeiro bilhão aumentaram até 117% em 2020.

Startups na bolsa

A mágica dos IPOs: startups na bolsa crescem até 117% após abrirem capital

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
14/12/2020 21:52
O crescimento acelerado é característica notável dos unicórnios, apelido das empresas cujo valor de mercado ultrapassa US$ 1 bilhão. Nessa curva, o que chama a atenção, no entanto, é o ritmo de expansão logo após uma oferta pública de ações — os chamados IPOs. Segundo uma análise recente da Crunchbase, plataforma de informações sobre empresas, após abrirem capital, unicórnios chegam até a duplicar de tamanho.
O estudo levou em consideração o valor de mercado de startups antes e após sua estreia na bolsa, analisando 630 unicórnios de diferentes países cadastrados na base de dados da Crunchbase. Destes, 220 já realizaram IPO ou participaram de uma M&A (fusões e aquisições).
De acordo com a pesquisa, empresas de tecnologia com alto potencial de crescimento e que já atingiram o primeiro bilhão aumentaram até 117% em 2020. Essa é a maior variação positiva em cinco anos, superando a variação de 2018, que era de no máximo 58%.
De acordo com o Crunchbase, 2020 é o ano dos IPOs, com 364 ações na bolsa dos EUA, o maior número em 20 anos. O mesmo se repete no mercado brasileiro.
Exemplos como o das startups Méliuz e Locaweb, e do marketplace de roupas e acessórios usados Enjoei mostram que a tendência de que empresas busquem sair na bolsa brasileira também é crescente.
“Estamos olhando para startups sempre com a intenção de deixar o mercado mais competitivo e ampliar a maneira como essas empresas podem usar o mercado de capitais a favor delas”, explica Leonardo Resende, gerente de relacionamento com clientes da Bolsa de Valores do Brasil, a B3.
O relatório também indica que abrir capital é a primeira opção para startups que desejam retornar o valor aos investidores num curto período de tempo. Segundo Resende, existem diferentes motivações para abrir o capital e, no caso do Brasil, essa preferência está ligada à necessidade de recursos para manter um ritmo de crescimento acelerado, além da busca por profissionalização.

Stone: sinal verde para o Brasil

A Stone é hoje quatro vezes maior do que era em 2018. Naquele ano, a fintech de meios de pagamentos, que é também um dos poucos unicórnios brasileiros a abrir capital, estreou na famosa bolsa Nasdaq, em Nova York, e sinalizou o mercado de que empresas de tecnologia brasileiras estariam, em um futuro próximo, disponíveis em diferentes países.
Há dois anos, nesta pré-abertura, o valor de mercado da Stone era de pouco mais de R$ 30 bilhões. No final daquele mesmo ano, a receita atingiu o valor de R$ 1,3 bilhão. Atualmente, o valor da Stone está em torno de R$ 115 bilhões. Ou seja: quase quatro vezes maior em um período de dois anos.
“Para a Stone, o IPO foi um processo natural de evolução da companhia para continuar o ciclo de investimentos”, explica o presidente da Stone, Augusto Lins. “O IPO é sem dúvida um marco importante na trajetória da companhia que nos ajudou nos processos, controles e riscos e ajudou a profissionalizar mais a empresa. Com base nisso, mudamos de escala”, conclui.
Augusto Lins, presidente da fintech Stone.
Augusto Lins, presidente da fintech Stone.
De acordo com Lins, o empreendedor brasileiro tem se profissionalizado cada vez mais e, com o surgimento de novos pólos de inovação, mais produtos reais e soluções criativas serão criadas.
"Na medida em que as empresas têm um plano de crescimento, tecnologias e um time de gestão endereçando problemas reais, elas crescem e, à medida que crescem, demandam mais capital e, a partir disso, poderão buscar capital, principalmente nas bolsas nacionais”, aponta.
“Em 2021, esperamos que a adesão de startups à bolsa seja ainda maior, e nossa missão é estar junto de instituições como a Endeavor que possam nos ajudar a dialogar com esses empreendedores, introduzindo-os no mercado de capitais para que prosperem e possam crescer ainda mais”, complementa Resende, da B3.

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