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A Hershey rendeu-se ao modelo híbrido: o novo escritório da empresa, com capacidade para 50 funcionários, não dispõe de mesas fixas e o colaborador pode escolher se e quando ir ao escritório.

Admirável trabalho novo

No novo mundo do trabalho, flexibilidade vira regra, mas escritórios são trunfo para empresas

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
01/09/2022 18:30
A pandemia estabeleceu novos padrões de trabalho para funcionários em todo o mundo. Dois anos depois, o trabalho remoto não é mais tão imperativo para grande parte das empresas, mas a preferência pelo modelo híbrido — que não abandona o digital, mas também considera a ida aos escritórios — parece ser a preferência de muitos. A análise é de um estudo global realizado pela OnePoll em nome da Citrix Systems, empresa de software americana que cria sistemas de gerenciamento de dados na nuvem e gestão do trabalho remoto para empresas.
De acordo com a pesquisa, que ouviu 6,5 mil pessoas em países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil e Colômbia, 57% das pessoas preferem o trabalho híbrido, enquanto 67% considerariam deixar o emprego se não for oferecido um modelo flexível, ou se o retorno presencial integral fosse exigido.
A bem da verdade, os funcionários jamais estiveram tão decididos sobre os benefícios de trabalhar de suas casas. Ainda assim, a necessidade de interação com líderes e equipes e a liberdade do ir e vir pesam na conta na hora de escolher a maneira como querem trabalhar daqui para frente.
De acordo com Luciana Pinheiro, presidente da Citrix no Brasil, a conclusão é de que funcionários já são capazes de determinar onde e como trabalham melhor e são mais produtivos. Na pesquisa da Citrix, mais de 40% dos respondentes afirmaram não voltar aos escritórios graças ao maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho criado a partir do modelo híbrido, enquanto 35% destacaram a economia de tempo e de custos associados ao deslocamento como principal motivador para a preferência.
Diante dessa nova realidade, o Brasil não sai atrás quando se fala de trabalho híbrido e flexibilidade. De acordo com Luciana, é possível concluir que pessoas estão relutantes em voltar aos escritórios depois de tantos investimentos em melhorias de infraestrutura dentro de casa. “O funcionário quer ter mais segurança e uma experiência fluída”, diz. Isso, em outra ponta, também serve de estímulo para práticas anywhere office, e não passa apenas por tecnologia, mas também por uma vasta mudança de cultura. “Ele quer ir ao escritório mas sem sentir que será penalizado caso não compareça”, conclui.
A Hershey, dona da marca de chocolates Hershey’s, rendeu-se ao modelo híbrido. Com capacidade para 50 funcionários, o novo escritório da empresa, instalado em um coworking na Vila Madalena, em São Paulo, não dispõe de mesas fixas e o colaborador pode escolher se deve ou não ir ao escritório – e quando.
O olhar para a cultura, nesse caso, começou com as pesquisas internas. “No início deste ano, realizamos uma pesquisa interna e identificamos que 88% dos colaboradores responderam que se sentem pertencentes à empresa, mesmo trabalhando remotamente. Por isso, pensamos em como expandir este pertencimento utilizando o melhor dos dois mundos”, diz Larissa Diniz, gerente geral Latam da Hershey.
“Atualmente as pessoas querem trabalhar para empresas que reflitam seus valores pessoais. Com um ambiente inclusivo e mais acolhedor, queremos que os nossos colaboradores reflitam a relação com o trabalho.”
Larissa Diniz, gerente geral Latam da Hershey. 
É um cenário que condiz com o da amostra avaliada pela Citrix. Na pesquisa, três em cada dez funcionários disseram preferir um modelo híbrido no qual podem escolher a quantidade e os dias para ir ao escritório.
Em outra frente, dar uma nova cara ao escritório, de olho no conforto, também entra no rol de esforços da Hershey para atrair talentos na nova economia. No coworking da capital paulista a Hershey criou painéis artísticos, oferece chocolates da marca para os funcionários e banheiros sem gênero, de olho na diversidade e inclusão.
“Atualmente as pessoas querem trabalhar para empresas que reflitam seus valores pessoais. Com um ambiente inclusivo e mais acolhedor, queremos que os nossos colaboradores reflitam a relação com o trabalho”, diz Larissa. “Estamos oferecendo aos nossos colaboradores a liberdade de escolha em um novo ambiente de trabalho inovador e acolhedor”.
Outra empresa que repaginou o visual e reabriu as portas à espera de seus colaboradores é o Nubank. O banco digital reabriu um escritório na cidade de São Paulo, depois de melhorias na infraestrutura e, é claro, no visual. Outros dois escritórios na cidade também foram reformados.
Mesmo com o investimento nos espaços físicos, a premissa básica por lá é de que os mais de 7 mil funcionários não precisam estar presentes a todo tempo — a recomendação do Nubank é a ida durante uma semana, a cada dois meses, pelo menos. “Identificamos que, dessa forma, as pessoas teriam mais flexibilidade e mobilidade. O propósito do trabalho das idas ao escritório juntamente com seu time é a colaboração. Entendemos que nada substitui conexões que se dão presencialmente, e dessa forma corroboram para a nossa cultura”, explica Deborah Abi-saber, diretora sênior de RH do Nubank.
A história do Nubank exemplifica a tentativa de empresas em ter um “bônus” a mais para reter talentos primorosos para a organização. No caso da fintech, isso também se aplica à atração desses profissionais: grande parte da força de trabalho do banco é novata, tendo sido contratada nos últimos dois anos, já durante a pandemia.
De acordo com Deborah, os recursos financeiros investidos na melhoria do prédio e acessibilidade (foram criados novos espaços de colaboração e salas de reunião já consideram a realidade de ter parte do time no escritório, parte em casa) têm como foco principal viabilizar o modelo híbrido de trabalho na prática. “Nós temos mentalidade de dono e com isso somos muito cautelosos com nossos investimentos, esse é um dos nossos valores, assim os investimentos foram focados apenas nas experiências que o modelo propõe”.
“O funcionário quer ter mais segurança e uma experiência fluída. Ele quer ir ao escritório mas sem sentir que será penalizado caso não compareça.”
Luciana Pinheiro, presidente da Citrix Systems no Brasil.

Dados

Confira alguns dados do estudo global realizado pela OnePoll em nome da Citrix Systems, que ouviu 6,5 mil pessoas em países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil e Colômbia.

          A nova piscina de bolinhas dos escritórios

          Na esteira da criação de novos padrões no mundo do trabalho, mudanças no pacote de benefícios oferecidos aos times também entram na ordem do dia para diversas empresas. Olhando para o que é demandado por funcionários, empresas estendem seu arranjo de benefícios para além dos vales-alimentação e refeição e passam a oferecer opções de subsídio à saúde, home office, entre outros. No Nubank, por exemplo, o apoio ao modelo híbrido também vem com descontos na compra de passagens e hospedagens – em boa referência ao modelo anywhere office.
          Para Luciana, da Citrix, a primeira recomendação para empresas que estão se adaptando aos novos modelos está ligada à segurança. “É base do que empresas precisam prover”, diz. O foco deve estar em “blindar” funcionários prevenindo ataques hackers, fraudes e inconsistências em acessos de informações relevantes. “A empresa que não investe e não se prepara para oferecer essa performance com segurança, com certeza irá perder incontáveis talentos”, conclui.
          A segunda indicação, do ponto de vista tecnológico, é a de promover a interação entre diferentes plataformas que permitem o trabalho similar, seja em casa ou no escritório.
          Ao que tudo indica, as piscinas de bolinha, antes associadas à flexibilidade e descontração de escritórios — principalmente no universo das startups — não serão mais o suficiente para atrair e reter os talentos. Empresas que já perceberam isso têm tudo para estar na dianteira.

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