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Gisele Lasserre, fundadora do Tech Girls, negócio social que capacita mulheres para o mundo da tecnologia.

Mulheres em TI

Tech Girls utiliza a tecnologia para transformar a vida de mulheres

Fernando Henrique de Oliveira, especial para o GazzConecta
08/03/2023 16:50
Transformar a vida de mulheres por meio da tecnologia. Este é um dos propósitos do Tech Girls, negócio social nascido em Curitiba em 2017 que, hoje, capacita mulheres em situação de vulnerabilidade social na área de tecnologia da informação (TI) e potencializa a entrada delas no mercado de trabalho. Nos cinco anos desde sua criação, o Tech Girls já impactou mais de 580 mulheres.
Fundado pela desenvolvedora de software Gisele Lasserre, o Tech Girls também busca mitigar os danos causados pelo lixo eletrônico, fazendo a reciclagem de computadores e componentes que, depois, são enviados a todo o país. Parte desses equipamentos também ficam com as alunas do programa de capacitação gratuito de três meses que tomou forma há mais de um ano e meio.
No curso, as alunas aprendem, de forma lúdica e afetiva, como gosta de ressaltar Gisele, desde a criação de bijuterias utilizando componentes não reaproveitáveis de computadores, as bijutechs, até o desenvolvimento de software na última etapa. O programa ainda inclui módulos de empreendedorismo digital, manutenção de notebooks e lógica de programação. No fim do curso, as alunas são presenteadas com os notebooks que elas mesmas reciclaram, além de um certificado e a oportunidade de serem empregadas.
Desde o início do programa, 150 alunas já chegaram até o último módulo de desenvolvimento de softwares na linguagem Python nas unidades do Tech Girls em Curitiba (PR) e São Paulo (SP). Dessas, 30 já estão empregadas como desenvolvedoras na área de TI. Agora, o Tech Girls conta com mais duas escolas, uma em Taubaté (SP) e outra em Florianópolis (SC), cujas primeiras turmas devem encerrar seus programas ainda neste mês.
Alunas do programa de capacitação gratuito do Tech Girls. Foto: divulgação.
Alunas do programa de capacitação gratuito do Tech Girls. Foto: divulgação.
As primeiras franquias do Tech Girls também já estão em operação nas cidades de São José dos Pinhais (PR) e Joinville (SC). As novas escolas fazem parte de um modelo de franquia social, cujo objetivo é aumentar a expansão geográfica e atender a demanda crescente de outras localidades pelo mesmo propósito criado por Gisele.
Para ela, o Tech Girls busca reduzir a escassez de profissionais mulheres em um mercado de trabalho permanentemente aquecido e majoritariamente formado por homens. “E quanto mais oportunidades proporcionarmos, em mais regiões, melhor para o mercado e para o enriquecimento pessoal e profissional de mais mulheres”, conta.
Parte importante do trabalho social desenvolvido pelo Tech Girls é o reconhecimento e as parcerias firmadas com grandes marcas como Renault e outras. No caso do Grupo Boticário, os computadores reciclados são destinados a alunos em situação de vulnerabilidade social do Programa Desenvolve, projeto de formação em tecnologia realizado pelo Boticário. Este é o segundo ano da parceria.

Reinventando-se para um propósito

Em 2021, Gisele ficou com o 1º lugar do Prêmio Empreendedora Curitiba 2021, concedido pela Prefeitura de Curitiba, na categoria impacto socioambiental. A conquista é importante para a mulher que, aos 40 anos, viu sua vida se transformar, quando decidiu dar aulas de tecnologia para mulheres em áreas da periferia de Curitiba.
Antes disso, Gisele havia concluído o curso de gestão em tecnologia da informação (TI), algo que ela foi buscar depois de enfrentar dificuldades no seu último emprego. “Eu era da área de marketing e posso dizer que vinha de uma carreira de sucesso. Porém, naquele momento, eu fui colocada para liderar uma equipe de desenvolvedores de software, a maioria homens, e muitas barreiras foram colocadas diante de mim por conta disso”, conta.
Gisele em sala de aula: "o Tech Girls foi uma forma que encontrei de devolver à sociedade aquilo que me foi tão difícil para conquistar."  Foto: divulgação.
Gisele em sala de aula: "o Tech Girls foi uma forma que encontrei de devolver à sociedade aquilo que me foi tão difícil para conquistar." Foto: divulgação.
Gisele enfrentou a rejeição por não falar a linguagem técnica dos demais profissionais e foi isso que a motivou a buscar uma nova graduação. “Com o diploma na mão, percebi que a tecnologia poderia me levar para onde eu quisesse. Foi aí que decidi sair do meu último emprego, sair de São Paulo, onde trabalhava, retornar a Curitiba, empreender e iniciar um projeto social que ajudasse a mais mulheres a descobrirem o mundo digital. Assim surgiu o Tech Girls em 2017”, lembra ela que, na época, tinha 40 anos.
Foram anos de trabalho voluntário até que empresas começaram a reconhecer em Gisele o potencial de ensino de tecnologia. Projetos foram desenvolvidos para que capacitações maiores se tornassem realidade para mais pessoas. Ao mesmo tempo, ela percebeu a necessidade de atuar mais fortemente com o propósito da inclusão digital para mulheres e a mitigação do lixo eletrônico. Assim cresceu o Tech Girls, com o programa gratuito que prepara mulheres para o mercado de TI.
“O Tech Girls como agora ele se configura foi uma forma que encontrei de devolver à sociedade aquilo que me foi tão difícil para conquistar. Quando vemos nossas meninas se formando, com seus computadores na mão, é uma realização muito grande. Muitas delas nem caixa de e-mail tinham. Cada formatura demonstra os esforços delas, os nossos e de todos os nossos parceiros para que tudo isso seja possível”, revela a fundadora.
Nesses cinco anos, o Tech Girls começou a atacar três grandes problemas mundiais, o analfabetismo digital, a reciclagem do lixo eletrônico e o apagão de talentos de TI. O impacto gerado enquadra o negócio social numa categoria recente conhecida como ESG Tech, que reúne empresas que propõem projetos com propósitos nas áreas social, ambiental e de governança.
“Também somos um produto para outras empresas que buscam atuar com os fatores ESG de forma efetiva. Nosso propósito de democratizar a tecnologia para um público com pouco acesso a ela, fazer a inclusão digital e ressignificar o lixo eletrônico é parte importante no atual cenário que estamos vivendo. E transformar a vida de mulheres por meio deste propósito é um ganho social imenso”, finaliza.

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