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Investimento nacional

Startups de tecnologia estreiam na Bolsa de Valores e esperam captar R$ 3,5 bilhões

Estadão Conteúdo
14/10/2020 12:00
Antes focadas em buscar recursos nos Estados Unidos, as startups e empresas de tecnologia brasileiras agora começam a buscar captação no mercado local, em um momento em que os investidores procuram complementar suas carteiras com mais empresas ligadas ao mundo digital.
Nas próximas semanas, o site de intermediação de vendas Enjoei.com, a empresa de cupons de desconto e cashback Méliuz e o e-commerce de vinhos Wine estão com estreias programadas na B3 com ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) que podem chegar a mais de R$ 3,5 bilhões, movimento ainda novo no mercado brasileiro.
Ainda entre as candidatas com perfil tech, já com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas ainda sem data, estão a plataforma de aluguel de imóveis Housi e a Mosaico dona do site Buscapé.
"A economia de juros baixos para aplicações financeiras, aliada ao imenso leque de oportunidades e ao apetite a risco dos investidores, encoraja a busca pelo financiamento via mercado de capitais", explica o sócio do Bocater Advogados, José Luiz Braga.
"Para as startups, o financiamento através de IPO mostra-se mais atraente que o empréstimo bancário puro e simples, principalmente pela compreensível inexistência de track-record dessas empresas no mercado financeiro", complementa.
A onda dessas novatas na Bolsa também testará o entendimento dos investidores locais para as histórias dessas empresa que, no geral, têm receitas ainda pequenas, mas que crescem em ritmo acelerado, e muitas operam no prejuízo. A Enjoei.com, por exemplo, conhecida por ser uma espécie de brechó online que ganhou popularidade ao atrair "famosos" a abrirem lojinhas no site, reportou, de janeiro a junho, receita líquida de R$ 28,6 milhões e prejuízo líquido de R$ 4,1 milhões. A startup é uma das investidas do tradicional fundo de venture capital Monashees.
Por outro lado, startups que já se aventuraram por este caminho tiveram bom resultado ao testar o apetite dos investidores brasileiros. Em fevereiro, a empresa de TI Locaweb, que fez um IPO na B3 de R$ 1,4 bilhão, ajudou a quebrar o estigma de que empresas de tecnologia não eram bem avaliadas se fizessem oferta local. A empresa estreou com valor de mercado de R$ 2,6 bilhões, um múltiplo de mais de 30 vezes o lucro projetado para este ano, atraindo até fundos gringos especializados em tecnologia.
Na época, a leitura foi de que o IPO quebrou a tese de que esses investidores não compram diretamente no mercado brasileiro e ajudou a abrir a porta para outras empresas de tecnologia optarem pela oferta local. A busca dos investidores pelo papel seguiu alta após seu debute na B3: em cerca de oito meses a ação da Locaweb deu salto de 265%.
Apesar disto, na B3 o número de representantes do setor de tecnologia ainda é baixo: além da Locaweb há poucas do setor listadas (Totvs, Linx, Sinqia e B2W). Magazine Luiza já é considerada também uma empresa tech, após sua transformação digital. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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