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Com IA, Instituto Laura quer encurtar filas do SUS — e já tem piloto bem-sucedido no Paraná

SUS & Instituto Laura

Com IA, Instituto Laura quer encurtar filas do SUS — e já tem piloto bem-sucedido no Paraná

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
07/11/2022 21:14
Uma parceria entre o setor público e uma instituição sem fins lucrativos pretende melhorar a qualidade dos atendimentos médicos pelo país. Trata-se da união entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Instituto Laura, que promete reduzir em até 82% a procura por pronto-atendimentos oferecidos por meio de inteligência artificial.
A tecnologia própria desenvolvida pelo Instituto, braço social e independente da healthtech curitibana Laura, aposta na triagem inteligente de pacientes para reduzir não apenas o tempo em filas, mas a necessidade de ida a pronto-socorros com a ajuda de telemedicina e monitoramento assistido e automatizado de pacientes. Na prática, isso é possível com o uso da Robô Laura, tecnologia desenvolvida pela startup para gerenciamento de riscos médicos e que é oferecida de maneira gratuita pelo Instituto a municípios. Do lado corporativo, a Laura já atende a pelo menos 50 clientes na área da saúde, incluindo gigantes como Bayer, Grupo Fleury e operadoras de planos.
“Com o tempo, percebemos que esse era um modelo altamente replicável para muitos outros casos e que através dele, seria possível oferecer uma solução para o nosso sistema público de saúde. Foi então que nasceu o Instituto Laura”, conta Jac Fressatto, fundador da Laura e presidente do Instituto Laura.
O primeiro piloto foi desenvolvido em meados de 2022 com a cidade de Guarapuava, no Paraná. Por lá, o Instituto estabeleceu uma parceria com a Secretaria de Inovação para levar o uso da robozinha inteligente para a rede pública de saúde.
A proximidade com a tecnologia se deu pela urgência em criar respostas rápidas ao aumento da demanda por atendimentos médicos, especialmente após a pandemia. “Quando tivemos um pico de casos de Covid na cidade, em 2020, nosso sistema colapsou. E foi a partir dessa experiência que corremos atrás de pensar de que forma poderíamos trazer a inovação para que isso não acontecesse mais”, conta Moema Rodrigues França, coordenadora do programa Saúde Digital, da Secretaria de Saúde de Guarapuava.
De lá para cá foram realizados mais de 21 mil atendimentos e quase 2 mil teleconsultas em um raio de abrangência que vai bem além dos diagnósticos estritos de Covid-19 e passou a incluir também a avaliação de pacientes com gripes e crianças com problemas respiratórios.

A IA “humana” da saúde

Agora, a intenção é ampliar o uso da robozinha para o acompanhamento de doenças não-virais e crônicas, como diabetes e hipertensão, em Guarapuava. A intenção é também ampliar o número de pequenos municípios que recebem a tecnologia para “desafogar” o sistema público de saúde. “Todo mundo sabe o quanto municípios pequenos sofrem com falta de médicos, fora outros problemas. É aí que entra a tecnologia, possibilitando, por exemplo, reduzir de 60% a 82% o número de atendimentos em casos leves, se comparados com atendimentos presenciais em unidades de saúde”, diz o presidente do Instituto.
Junto a isso, a regulamentação da prática de telemedicina pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), uma ação acelerada pela pandemia, deve cooperar para a adoção em larga escala da solução pelos municípios. Segundo Fressato, a intenção é expandir parcerias em outras cidades do país. No longo prazo, a meta do Instituto é alcançar cerca de 1 bilhão de pessoas com a tecnologia de medicina inteligente.
“O Instituto é uma entidade construída e mantida por pessoas que realmente querem impactar vidas. Nós temos a tecnologia e a mão de obra para levar de forma relativamente fácil saúde para todos os cantos do mundo, literalmente. Por que não faríamos?” diz.

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