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Jeferson Honorato, CEO do Next.

Entrevista exclusiva

Em tempos de competição digital, receita do Next para o sucesso é não segmentar

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
26/02/2021 22:47
O Next nunca teve tantos lançamentos e implementações de novos serviços como em 2020 — mesmo em meio à pandemia. Em um momento de competitividade digital e explosão no número de startups que surgem com a premissa de facilitar o dia a dia financeiro da população, a resposta do banco digital para se destacar está no conjunto da obra.
Criado e incubado no Inovabra, hub de inovação do Bradesco, o Next é uma startup em sua essência, mesmo depois de já ter atingido a marca dos 4 milhões de clientes ativos. Em setembro do ano passado, a empresa se descolou de vez do gigante do varejo e passou a ter autonomia e operação própria. A expectativa é que a independência aproxime o banco dos 7 milhões de usuários até o final de 2021.
Para Jeferson Honorato, CEO do Next, a única maneira de o banco continuar a se destacar em meio a concorrentes de peso é apostar na democratização do acesso. Hoje, o banco mira, ao mesmo tempo, em crianças, investidores e desbancarizados.
A fórmula para isso? Olhar para o público que está no ambiente digital. Ponto.
Em entrevista exclusiva ao GazzConecta, Honorato relembrou a trajetória do banco durante a pandemia, desenhou as principais estratégias de negócio para 2021 e falou sobre a possibilidade da abertura de capital da empresa em um futuro próximo. Veja na íntegra:
O Next é uma startup com 4 milhões de clientes. Como manter a curva de crescimento em alta, mesmo em contexto de digitalização bancária expressiva?
Sempre apostamos em endereçar ao mercado uma solução hiperconectada. Hoje, entendemos que temos de olhar para uma geração hiperconectada — e que isso não depende mais de idade, mas sim de padrões de comportamento. Nunca olhamos para o aspecto de renda. A premissa era estimular a inclusão para quem quer estar no digital com uma ferramenta.
O banco teve alguma consequência direta devido à pandemia?
O crescimento da nossa base de clientes foi, sem dúvida, o primeiro reflexo da pandemia. Mas decidimos usar o ano de 2020 como uma estratégia de complementação de soluções na plataforma.
Um ponto importante, por exemplo, é a integração da plataforma da Ágora com o Next. Nossos clientes dormiram numa sexta-feira com cinco produtos de investimentos no portfólio e, na segunda-feira, acordaram com 300 diferentes opções.
E, quando entendemos que o mundo digital estava fazendo parte da vida das pessoas ainda mais, colocamos o Next em todas as carteiras digitais do mercado.
Qual foi o papel das parcerias estratégicas nesse cenário?
No último ano, também tivemos um lançamento muito importante que foi fruto de uma parceria com a Disney, que é o Next Joy. Olhamos para os mais de 55 milhões de pessoas no Brasil entre 0 e 17 anos que não possuem soluções customizadas para administrar seu dinheiro, ainda mais de maneira digital.
Essa aposta em investir num setor ainda carente de soluções digitais e interativas ao mesmo tempo em que naturalmente olha para os desbancarizados (algo que já é inerente na missão dos bancos digitais) tem funcionado?
Muito bem. Lançamos o Next Joy em meados de outubro e hoje ele já tem 400 mil usuários.
A maioria dos bancos digitais olham para segmentos específicos: hiperconectados de alta renda, bancos que estão apenas no varejo. O que fazemos é o seguinte: se seu comportamento é digital, o Next tem que estar preparado para você, independente de qualquer outra coisa.
Esse sucesso da pandemia pode virar regra no futuro? Além dessas estratégias que o Next seguiu em 2020, daqui em diante, o que está no plano de ação?
Nosso foco deve continuar sendo saber conviver com essa multiplicidade de plataformas digitais bancárias que há no mercado. Temos muitos projetos incubados e vemos um consumidor cada vez mais disposto a testar novas coisas e a ter mais de um serviço bancário ao mesmo tempo.
Isso vai se consolidar, e em breve, o consumidor vai querer estar na plataforma que mais o agrada e que oferece mais diversificação de soluções. Essa é nossa aposta. Vamos unir o pensamento de inovação do Next com a expertise do Bradesco no mercado financeiro.
E quais são as expectativas para 2021?
Continuar acelerando o crescimento da base de clientes, trazer mais sofisticação da plataforma e continuar ampliando nosso acesso. Um exemplo interessante disso é a parceria que fizemos com a marca de cosméticos Jequiti, que permitiu que as 350 mil consultoras abrissem suas contas no Next para consolidar seus pagamentos pelos produtos vendidos.
Vocês querem praticamente dobrar o número de clientes até o final do ano. Essa curva de crescimento inclui a perspectiva de um IPO?
A declaração do Lazari [presidente do Bradesco] foi muito oportuna e está totalmente dentro da linha evolutiva do Next. Descolamos nossa operação e nos tornamos independentes em setembro de 2020, e para manter esse crescimento exponencial em 2021 entendemos que se trata de pavimentar o caminho e criar uma robustez para uma abertura em até dois anos. Esse é um caminho evolutivo natural para o Next.
No início do mês, Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, também disse que não via problemas em estabelecer relações societárias entre o Next e outros participantes do mercado. O banco tem buscado isso ou ainda é apenas uma ideia?
Desde o início do Next, usamos diversas startups para implementar nossas soluções, desde algoritmos até desenho de jornadas do usuário. Isso já faz parte da nossa estratégia e deve continuar, principalmente com o acesso que temos às startups incubadas no Inovabra.
Qual seria o perfil dos sócios que vocês procuram? Falamos aqui apenas em aquisição de startups de outros setores, para lançamento de novos produtos?
Estamos sempre avaliando aquisições. A única exigência é que ela esteja dentro do nosso objetivo final. Até mesmo quando falamos em IPO, é importante lembrar que, quando chegarmos nessa fase, muito além do aporte de capital, estaremos olhando para aporte de conhecimento.

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