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O podcast Papo Raiz conversou com Beatriz Santa Rita e Tais Targa

Beatriz Santa Rita e Tais Targa

Headhunter: mitos e verdades por trás dos processos seletivos

Papo Raiz*
23/11/2022 18:46
O mercado de trabalho, assim como outros setores da sociedade, passou por diversas mudanças e desafios nos últimos anos, especialmente, com a chegada da pandemia da Covid-19. O que se observou durante e pós-pandemia, foi uma adequação da área de Recursos Humanos das empresas na hora de contratar mais colaboradores e também uma nova forma de enxergar as oportunidades de emprego por parte de muitos profissionais.
Para falar mais sobre o atual cenário do mercado de trabalho, fluxo de contratações e como candidatos estão lidando com a recolocação profissional, o podcast Papo Raiz conversou com a especialista em Diversidade e Inclusão e também CEO da Diverse Soluções, Beatriz Santa Rita, e com a especialista em recolocação no mercado e diretora executiva da Job Hunter, Tais Targa.
Buscar novas oportunidades de trabalho e também desenvolver iniciativas que realmente funcionem dentro do setor de RH são grandes desafios no universo profissional e, por isso, segundo Tais Targa, é difícil falar em estabilidade nesse mercado quando se trata do Brasil. Para a especialista, no período pós-pandemia observou-se uma explosão de vagas para os chamados profissionais de base e vagas para aqueles mais qualificados, no entanto, agora as empresas estão mais exigentes e os salários mais achatados.
“Temos a esperança de que sejam criados novos postos de trabalho e a perspectiva é que o final de ano será agitado e, independente do resultado das eleições, muita gente estava esperando para ver que decisão tomar ou que vai acontecer, então, é provável que tenham algumas vagas que estavam estancadas”, afirmou.
Este crescimento tímido, mas que também se apresenta aquecido para os próximos meses no mercado de trabalho, ressaltam a importância de empresas aplicarem ações que demonstrem os diferenciais culturais e humanos que elas têm em relação a outras organizações e como o período de transição de um profissional, desde a sua saída de um emprego até a entrada em outro, pode ser importante em todo processo seletivo.

Qual a importância de processos seletivos inclusivos?

Construir um ambiente de trabalho diversificado tem se tornado fundamental para empresas que desejam beneficiar pessoas e gerar iniciativas positivas e inovadoras, mas, segundo Tais Targa, muitas empresas se dizem diversas, e quando alguém observa a rotina das mesmas vê que, na maioria dos casos, esse discurso não se concretiza.
“Esse é um tema muito delicado, só que eu vejo que cada vez mais a prática da diversidade já é um fator competitivo das organizações. Uma empresa mais diversa é uma empresa que consegue analisar mais amplamente um problema e propor soluções, então, hoje quando estamos falando de diversidade também estamos falando de lucratividade”, disse Targa.
Para Beatriz Santa Rita, o mercado de trabalho vem respirando nos últimos dois anos a expansão de processos seletivos inclusivos voltados para mulheres, profissionais negros e mais vagas para pessoas com deficiência, seguindo algo já proposto pela legislação brasileira e que também, de alguma forma, vai gerar mais valor aos negócios e novas oportunidades às pessoas que estão buscando recolocação profissional.
“Esse movimento de vagas para esses públicos que a gente chama de ‘grupos subrepresentados’ já vem aumentando de dois a três anos para cá e acredito até que com o momento político seja um pouco mais favorável”, constatou a especialista em Diversidade e Inclusão.
Ela ainda destaca que nessa construção de um ambiente mais inclusivo e diversificado, alguns comportamentos inadequados não podem passar batidos e que as organizações têm um papel fundamental na evolução de seus colaboradores sobre determinados assuntos. Beatriz afirma que se um funcionário tem um comportamento preconceituoso e está disposto a mudar isso, a empresa deve estar ali para ajudar e apoiar essa pessoa. Agora, se o profissional não pensa em mudar, não há como ter espaço para ele em determinado ambiente de trabalho.

Como desenvolver a diversidade em processos seletivos de pequenas empresas?

As grandes e médias organizações estão constantemente atentas às tendências e em como é essencial trabalhar a diversidade e inclusão profissional para que seus negócios tenham uma boa estrutura e sejam reconhecidos no mundo empresarial. Mas e as pequenas empresas, como ficam diante deste cenário?
Para Beatriz Santa Rita, promover um ambiente de trabalho diversificado em um local menos estruturado é um desafio maior, mas não deixa de ser menos importante, pois é uma ação que traz inúmeros benefícios para todos os envolvidos na empresa.
“É preciso pensar também o quanto a diversidade vai ajudar a empresa a resolver outros problemas e encontrar outros caminhos ou soluções. E uma coisa que tem acontecido bastante é que esse tema da diversidade chega ao pequeno empreendedor pelo chamado efeito cascata”, destacou.

Como reconhecer bons profissionais em processos seletivos?

Construir uma equipe preparada e que entregue bons resultados é um dos principais focos de uma empresa e isso começa no recrutamento de novos colaboradores, no entanto, é neste processo que está um dos grandes desafios, identificar bons profissionais.
Segundo Tais Targa, alguns anos atrás, as empresas consideravam muito as chamadas hard skills de um candidato, ou seja, o conhecimento técnico que este possuía, mas, com as mudanças da sociedade, hoje as organizações estão em busca de profissionais que mostrem muito mais do que apenas um conhecimento técnico, elas querem um colaborador que seja adaptável às situações, que tenham soft skills.
“Interessa mais o quanto esse profissional consegue se reinventar e ser flexível. Hoje, a gente percebe que as empresas estão mais atentas às competências comportamentais dos profissionais, especialmente, nos processos seletivos”, constatou.
Ela ainda afirma que para reconhecer esses profissionais com mais facilidade é possível aplicar algumas técnicas durante o recrutamento como a entrevista clássica, entrevista por competência, dinâmicas de grupo e testes comportamentais e que a tendência é as empresas desenvolverem processos seletivos mais humanizados.
“Hoje eu vejo que os processos seletivos estão trazendo muito mais franqueza e transparência, para ver se há realmente um feat cultural do candidato com a empresa. É importante ter o hábito de estar buscando talentos o tempo todo, mesmo sem processos seletivos”, disse a especialista.

O que motiva candidatos a trabalharem em uma empresa?

Assim como as empresas buscam por profissionais que se mostrem aptos a fazer parte de suas equipes, os candidatos a recolocação no mercado de trabalho também escolhem vagas que sejam mais atrativas.
De acordo com Beatriz Santa Rita, essa motivação para se trabalhar em uma empresa é algo muito individual, ou seja, depende das preferências de cada candidato. Ela ressalta que a pandemia contribuiu muito para que o profissional tenha mais consciência do que ele quer viver seja no trabalho, seja fora desse ambiente.
“O salário se tornou o menos importante, porque nesse período de pandemia as pessoas começaram a repensar a vida e foi um período que trouxe com muito mais força a questão emocional. Hoje, o profissional está muito mais seletivo, avaliando questões da vida e de saúde mental”, concluiu.
*Artigo produzido pelo Papo Raiz – uma conversa descontraída e divertida sobre empreendedorismo e assuntos em alta na sociedade.

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