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Além da remuneração, a retenção de talentos exige que a cultura organizacional seja pensada estrategicamente. Crédito: BernardaSv.

Gestão e engajamento profissional

Como a cultura organizacional pode transformar a retenção de talentos

Masterboard
02/04/2025 15:42
A alta rotatividade de funcionários é um desafio significativo para as empresas brasileiras. Em 2024, o país registrou mais de 6,5 milhões de pedidos de demissão voluntária, estabelecendo um novo recorde. Desse total, 30% foram de jovens profissionais buscando mudança de carreira ou empreender. Um estudo da Robert Half revelou que o Brasil lidera o índice mundial de rotatividade de funcionários, com uma taxa de 56%. Embora não seja o único fator, o que se sabe é que a cultura organizacional (ou a falta dela) pode influenciar este movimento.
A atração e retenção de talentos foi tema central da palestra de Marcela Zaidem, fundadora da CNP People Solutions, durante encontro com membros do Masterboard Club, em março, em Curitiba. A especialista em gestão de pessoas apresentou estratégias práticas sobre como a cultura organizacional pode ser usada de forma intencional para impulsionar resultados e escalar empresas com equipes alinhadas e produtivas.
Com base em sua experiência na liderança de áreas de Recursos Humanos em grandes corporações e no empreendedorismo, Marcela Zaidem defendeu que o desafio de manter talentos vai além da remuneração. Para ela, a cultura organizacional precisa ser pensada como um pilar estratégico.
Se não definimos claramente a cultura que queremos construir, ela será moldada pelas práticas espontâneas do dia a dia, o que pode afastar bons profissionais e comprometer o crescimento da empresa
, afirmou.
Segundo ela, o caminho para fortalecer equipes está em criar um ambiente coerente com os objetivos do negócio.
Marcela também alertou para uma mudança estrutural no mercado de trabalho: a escassez de mão de obra qualificada não está apenas ligada à formação técnica, mas ao comportamento dos profissionais, que buscam cada vez mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Essa mudança não é apenas geracional. “O empreendedor precisa entender o novo mindset e construir times com clareza e desenvolvimento contínuo, porque o cenário tende a se intensificar nos próximos anos”, reforçou.
Durante a palestra, foram compartilhadas orientações práticas para empresários, como:
  • Diagnosticar a cultura atual da empresa e identificar pontos de desalinhamento com os objetivos estratégicos;
  • Comunicar de forma constante e clara os valores organizacionais;
  • Investir em processos de onboarding que integrem o colaborador à cultura desde o início;
  • Oferecer desenvolvimento constante, com foco em performance e propósito;
  • Evitar rotinas operacionais que desmotivem profissionais com perfil estratégico.
Marcela Zaidem tem trajetória consolidada no setor de gestão de pessoas, com passagens por empresas como Disney, Cosan, ThyssenKrupp e FOX Sports. Após apoiar a geração de mais de 600 mil empregos durante sua atuação na G4 Educação, fundou a CNP People Solutions, consultoria especializada em resultados por meio da estruturação da área de pessoas.
O evento, em Curitiba, foi promovido pelo Masterboard Club, comunidade criada em 2017 que reúne empresários com o objetivo de fomentar conexões estratégicas e aprendizado prático para o crescimento de negócios no Brasil.